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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg130991
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Adolescente, 11 anos, é trazida à pediatria por ganho ponderal progressivo. Ao exame, circunferência abdominal acima do percentil 90 e pressão arterial de 132/86 mmHg em medidas repetidas. Exames laboratoriais mostram triglicérides de 178 mg/dL, HDL de 36 mg/dL, LDL 135 mg/dL e glicemia de jejum de 104 mg/dL.Com base na principal hipótese diagnóstica, assinale a afirmativa correta.
  1. AOs níveis tensionais indicam a necessidade de uso de diurético tiazídico.
  2. BApesar dos achados, alimentação e atividade física são por ora suficientes.
  3. CO uso de estatina deve ser indicado devido aos valores encontrados do LDL.
  4. DDeve-se considerar o uso de medicamentos pelos valores dos triglicerídeos.
  5. EO teste de sobrecarga de glicose deverá definir o uso de hipoglicemiante oral.
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GabaritoB — Apesar dos achados, alimentação e atividade física são por ora suficientes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome metabólica em adolescente: abordagem inicial

Gabarito: letra B. A adolescente apresenta obesidade abdominal, pressão arterial elevada, dislipidemia (triglicérides alto, HDL baixo) e glicemia de jejum alterada — o conjunto configura síndrome metabólica, cuja primeira linha de tratamento em pediatria é sempre não farmacológica: mudança de estilo de vida com alimentação adequada e atividade física. A farmacoterapia (anti-hipertensivo, estatina, hipoglicemiante) só entra quando a terapia não farmacológica falha ou há indicação específica, o que não é o caso descrito.

A síndrome metabólica é um transtorno complexo que reúne, no mesmo paciente, obesidade central, dislipidemia, hipertensão arterial e alteração do metabolismo da glicose. No adolescente, o diagnóstico é feito pela presença de obesidade abdominal (circunferência da cintura ≥ percentil 90) associada a pelo menos dois dos seguintes critérios: triglicérides elevados (≥ 150 mg/dL), HDL baixo (< 40 mg/dL em menores de 16 anos), pressão arterial elevada (≥ percentil 90) e glicemia de jejum alterada (≥ 100 mg/dL). A paciente preenche todos esses critérios, o que confirma a hipótese.

A razão de a conduta inicial ser não farmacológica está na fisiopatologia: a resistência insulínica e a dislipidemia da síndrome metabólica respondem de forma expressiva à perda de peso e ao aumento da atividade física. Em crianças e adolescentes, a terapia medicamentosa é reservada para casos em que, após um período adequado de intervenção no estilo de vida, os parâmetros permanecem alterados ou há risco cardiovascular imediato. A diretriz brasileira de hipertensão arterial reforça que, na criança e no adolescente, a meta da terapia não farmacológica é a redução da PA abaixo do percentil 90, e que a abordagem inicial deve priorizar mudanças de hábitos.

Na prática, o plano terapêutico começa com orientação nutricional (redução de açúcares e gorduras saturadas, aumento de fibras), estímulo à atividade física regular (pelo menos 60 minutos por dia) e redução do comportamento sedentário. O acompanhamento é ambulatorial, com reavaliação periódica dos parâmetros. Somente se, após alguns meses, os valores não melhorarem, avalia-se a introdução de medicamentos específicos para cada alteração — anti-hipertensivo para a PA, estatina para o LDL, ou hipoglicemiante para a glicemia.

A pegadinha desta questão está em associar automaticamente cada alteração laboratorial a um medicamento, como se o tratamento da síndrome metabólica fosse farmacológico de primeira linha. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que decora os alvos terapêuticos de cada droga pode marcar a alternativa que sugere estatina ou diurético, esquecendo que, em pediatria, o estilo de vida é o pilar inicial. Guarde a hierarquia: primeiro mudança de hábitos, depois medicação — é esse o critério que separa as alternativas.

  1. 1Diagnóstico (obesidade + 2 critérios)
  2. 2Mudança de estilo de vida
  3. 3Reavaliação periódica
  4. 4Falha? → farmacoterapia
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A pressão arterial de 132/86 mmHg, embora elevada para a idade, não indica, por si só, o uso imediato de diurético tiazídico. Na síndrome metabólica pediátrica, a primeira conduta para a PA elevada é a mudança de estilo de vida. O diurético tiazídico é uma opção farmacológica que só entra após falha da terapia não farmacológica ou em casos de hipertensão mais grave, o que não se aplica ao quadro descrito.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta porque, diante do diagnóstico de síndrome metabólica em adolescente, a conduta inicial é não farmacológica: alimentação balanceada e atividade física regular. Os achados laboratoriais e a PA elevada, embora indiquem risco metabólico, não justificam, neste momento, o início de medicação. A resposta ao estilo de vida costuma ser significativa, e a farmacoterapia fica reservada para os casos de falha ou de maior gravidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O LDL de 135 mg/dL está discretamente elevado, mas não atinge o limiar que, em pediatria, indica o uso de estatina. A indicação de estatina em crianças e adolescentes é restrita a dislipidemias graves (LDL muito elevado, geralmente ≥ 190 mg/dL, ou ≥ 160 mg/dL com fatores de risco) ou a casos de hipercolesterolemia familiar. Na síndrome metabólica, o tratamento inicial da dislipidemia é dietético e comportamental, não farmacológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os triglicérides de 178 mg/dL estão elevados, mas não justificam o uso de medicamentos de imediato. Em adolescentes, a hipertrigliceridemia leve a moderada responde bem à redução de carboidratos simples e à perda de peso. A farmacoterapia (fibratos ou ácidos graxos ômega-3) é reservada para trigliceridemia muito elevada (geralmente > 500 mg/dL) ou para casos de pancreatite, o que não é o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A glicemia de jejum de 104 mg/dL caracteriza glicemia de jejum alterada (pré-diabetes), mas não indica, por si só, o uso de hipoglicemiante oral. O teste de tolerância oral à glicose (TOTG) pode ser útil para avaliar a tolerância à glicose, mas o tratamento inicial da alteração glicêmica na síndrome metabólica é a mudança de estilo de vida. A metformina, por exemplo, só é considerada em casos de diabetes estabelecido ou de falha da terapia não farmacológica.

Gabarito: letra B — a conduta inicial na síndrome metabólica do adolescente é sempre não farmacológica, com alimentação e atividade física.

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