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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg130992
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Assinale a afirmativa correta em relação à profilaxia para prevenção de recidivas de infecção do trato urinário em crianças.
  1. ADeve ser evitada nas crianças com recidivas frequentes sem alterações anatômicas.
  2. BDeve ser realizada nos casos de refluxo vesicoureteral de grau II, independentemente de serem assintomáticos.
  3. CÉ razoável que se seja mantida até a realização dos exames de imagem, quando deve ser suspensa.
  4. DNa presença de refluxo vesicoureteral de grau III, é prudente fazer a profilaxia, apesar de ela não ser mandatória.
  5. EEstudos apontam para a redução do risco de recidivas, sem impacto significativo no surgimento de novas cicatrizes.
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GabaritoE — Estudos apontam para a redução do risco de recidivas, sem impacto significativo no surgimento de novas cicatrizes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Profilaxia de ITU em crianças: evidências e indicações

Gabarito: letra E. A profilaxia antibiótica contínua em crianças com infecção do trato urinário (ITU) recorrente reduz a frequência de novos episódios, mas não demonstrou impacto significativo na prevenção de cicatrizes renais — exatamente o que a alternativa E afirma. Essa é a conclusão central de revisões sistemáticas e diretrizes atuais, como as da AAP e da EAU/ESPU, que embasam a prática pediátrica.

A infecção do trato urinário é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, e a preocupação principal não é apenas o episódio agudo, mas a possibilidade de pielonefrite levar a cicatrizes renais permanentes, especialmente em crianças pequenas. A profilaxia antibiótica surgiu como estratégia para prevenir recidivas e, teoricamente, proteger o parênquima renal. No entanto, a evidência científica acumulada nas últimas décadas mostrou que essa expectativa não se confirmou plenamente.

O estudo mais influente nesse campo foi o ensaio clínico randomizado publicado por Craig e colaboradores no New England Journal of Medicine em 2009, que avaliou o uso de trimetoprima-sulfametoxazol versus placebo em crianças com ITU. Os resultados demonstraram que a profilaxia reduziu o risco de recidiva em cerca de 50%, mas não houve diferença significativa na incidência de cicatrizes renais entre os grupos. Essa dissociação entre redução de recidivas e ausência de proteção renal é o ponto central que a alternativa E captura.

A revisão sistemática de Hewitt e colaboradores (2017), publicada na Pediatrics, reforçou esse achado: a profilaxia antibiótica reduziu a recorrência de ITU, mas não teve impacto estatisticamente significativo na prevenção de cicatrizes renais relacionadas à ITU. As diretrizes da AAP (2011, reafirmadas em 2016) e da EAU/ESPU (2015) incorporaram essa evidência, tornando a indicação de profilaxia mais criteriosa e individualizada.

Na prática clínica, a decisão de iniciar profilaxia deve considerar o equilíbrio entre benefícios (redução de recidivas, menor morbidade) e riscos (resistência bacteriana, efeitos adversos, custo). A profilaxia é mais claramente indicada em crianças com refluxo vesicoureteral (RVU) de alto grau (III a V), especialmente quando associado a anormalidades do trato urinário ou a episódios febris recorrentes. Em casos de RVU de baixo grau (I e II) sem outras complicações, a conduta pode ser mais conservadora, com vigilância ativa.

A alternativa E está correta porque reflete com precisão o estado atual da evidência: a profilaxia reduz recidivas, mas não previne cicatrizes. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de indicação que as tornam incorretas, como veremos a seguir.

1Evidências
Reduz recidivas (~50%)
Não previne cicatrizes renais
2Indicação
RVU alto grau (III–V)
ITU febril recorrente
Anormalidades do trato urinário
3Conduta conservadora
RVU baixo grau (I–II)
Sem outras complicações
Profilaxia de ITU em crianças
LEVELsoulevel.com.br
Profilaxia de ITU em crianças: Evidências (Reduz recidivas (~50%), Não previne cicatrizes renais); Indicação (RVU alto grau (III–V), ITU febril recorrente, Anormalidades do trato urinário); Conduta conservadora (RVU baixo grau (I–II), Sem outras complicações)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a profilaxia deve ser evitada em crianças com recidivas frequentes sem alterações anatômicas. Isso contraria a prática clínica: crianças com ITU recorrente, mesmo sem anormalidades anatômicas identificadas, podem se beneficiar de profilaxia, especialmente se os episódios forem febris ou associados a disfunção vesical. A profilaxia não é contraindicada nesse grupo; a decisão é individualizada, considerando frequência e gravidade das infecções.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a profilaxia deve ser realizada em todos os casos de refluxo vesicoureteral de grau II, independentemente de serem assintomáticos. Essa é uma generalização excessiva. Em RVU de grau II, especialmente quando assintomático e sem outras anormalidades, a conduta pode ser conservadora, com acompanhamento clínico e tratamento apenas dos episódios agudos. A profilaxia não é mandatória nesse cenário; a decisão depende de fatores como idade, sexo, presença de disfunção miccional e histórico de pielonefrite.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a profilaxia deve ser mantida até a realização dos exames de imagem, quando deve ser suspensa. Essa conduta não é padronizada. A profilaxia pode ser mantida enquanto houver indicação clínica, e a suspensão não é automática após os exames de imagem. A decisão de continuar ou interromper depende dos achados (presença e grau de refluxo, anormalidades estruturais) e da evolução clínica da criança. Não há recomendação de suspensão imediata após a realização de exames.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, na presença de refluxo vesicoureteral de grau III, é prudente fazer a profilaxia, apesar de ela não ser mandatória. Essa afirmação é parcialmente correta, mas a redação "apesar de ela não ser mandatória" sugere que a profilaxia é opcional, o que não reflete a prática atual. Em RVU de grau III, a profilaxia é geralmente recomendada, especialmente em crianças pequenas com episódios febris, pois o risco de cicatriz renal é maior. A alternativa subestima a importância da profilaxia nesse cenário, tornando-a incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que estudos apontam para a redução do risco de recidivas, sem impacto significativo no surgimento de novas cicatrizes. Essa é a conclusão consistente das principais evidências, incluindo o ensaio de Craig (2009) e a revisão de Hewitt (2017). A profilaxia reduz a frequência de novos episódios de ITU, mas não demonstrou prevenir cicatrizes renais de forma estatisticamente significativa. Essa dissociação é o fundamento da recomendação atual de uso criterioso da profilaxia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre dois desfechos: recidiva de ITU e cicatriz renal. O candidato pode assumir que, se a profilaxia reduz recidivas, ela também previne cicatrizes — mas a evidência mostra que não. A alternativa E separa exatamente esses dois desfechos, e é isso que a torna correta. As demais alternativas contêm erros de indicação ou generalizações que não correspondem à prática baseada em evidências.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre profilaxia de ITU em crianças, lembre-se do tripé: (1) reduz recidivas, (2) não previne cicatrizes, (3) indicação individualizada, com maior benefício em RVU de alto grau e ITU febril recorrente. Essa estrutura ajuda a eliminar alternativas que confundem esses pontos.

Gabarito: letra E

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