Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg130994
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Adolescente de 15 anos refere dor pélvica crônica há mais de um ano, com piora progressiva, associada a cólicas intensas durante a menstruação e episódios de sangramento uterino irregular. Relata faltas frequentes à escola por dor, além de períodos de desconforto abdominal e sintomas urinários sem relação clara com o ciclo menstrual. Não apresenta sinais infecciosos ao exame físico, e os analgésicos usuais trazem pouco alívio.Com base na principal hipótese diagnóstica, o tratamento deve ser realizado com
Aanti-inflamatórios não esteroides como terapia principal.
Bmonoterapia por tempo indeterminado com análogos de GnRH.
Ccontraceptivo hormonal combinado ou progestagênico isolado.
Dtratamento cirúrgico isolado, usando medicamentos, se necessário.
Esupressão hormonal total associado a anti-inflamatórios não esteroides.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — contraceptivo hormonal combinado ou progestagênico isolado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dor pélvica crônica em adolescente: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra C. O quadro — dor pélvica crônica há mais de um ano, dismenorreia intensa, sangramento irregular, impacto funcional (faltas escolares) e pouca resposta a analgésicos — é altamente sugestivo de endometriose, e o tratamento de primeira linha nessa faixa etária é o contraceptivo hormonal combinado ou progestagênico isolado, que suprime a ovulação e reduz o crescimento do tecido endometrial ectópico.
A dor pélvica crônica (DPC) é definida como dor localizada na parte inferior do abdome, com duração de pelo menos 6 meses, intensa o suficiente para causar comprometimento funcional ou exigir tratamento. No caso descrito, a adolescente tem dor há mais de um ano, com piora progressiva, cólicas intensas na menstruação e sangramento irregular — um conjunto de sintomas que aponta fortemente para endometriose, a condição mais comumente associada à DPC em mulheres jovens. A endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) fora da cavidade uterina, que responde aos estímulos hormonais do ciclo menstrual, causando inflamação, dor e, com o tempo, aderências e comprometimento funcional.
O tratamento da endometriose em adolescentes tem como objetivos aliviar a dor, prevenir a progressão da doença e preservar a fertilidade futura. A primeira linha de tratamento farmacológico é a supressão hormonal com contraceptivos hormonais combinados (estrogênio + progestagênio) ou progestagênios isolados. Esses medicamentos atuam inibindo a ovulação e induzindo atrofia do endométrio, tanto o eutópico quanto o ectópico, reduzindo a produção de prostaglandinas e, consequentemente, a dor e o sangramento. Essa abordagem é preferida em adolescentes por ser reversível, não invasiva e com bom perfil de segurança, além de proporcionar contracepção quando necessário.
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são úteis como adjuvantes para o controle da dor, mas não tratam a causa subjacente da endometriose. Os análogos de GnRH, embora eficazes na supressão hormonal, não são recomendados como monoterapia de primeira linha em adolescentes devido aos efeitos adversos sobre a densidade mineral óssea, especialmente em um período crítico de aquisição de massa óssea. O tratamento cirúrgico (laparoscopia) é reservado para casos refratários ao tratamento clínico ou para diagnóstico definitivo, não sendo a primeira opção. A supressão hormonal total associada a AINEs é uma estratégia agressiva, geralmente reservada para casos graves e refratários, não sendo a primeira linha em adolescentes.
A banca explora a confusão entre o tratamento da dismenorreia primária (onde AINEs são a primeira linha) e o da endometriose (onde a supressão hormonal é a base). No caso, a presença de dor crônica, sangramento irregular e falha dos analgésicos comuns aponta para uma causa orgânica, não para dismenorreia primária isolada. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.
Endometriose em adolescente: Primeira linha (Contraceptivo hormonal combinado, Progestagênico isolado); Adjuvante (AINEs (controle da dor)); Reservados (Análogos de GnRH (perda óssea), Cirurgia isolada (casos refratários), Supressão total + AINEs (casos graves))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Os AINEs são úteis como adjuvantes para alívio sintomático da dor, mas não tratam a causa subjacente da endometriose. No caso descrito, a paciente já apresenta pouca resposta a analgésicos usuais, o que reforça a necessidade de terapia hormonal supressiva. A alternativa erra ao propor AINEs como "terapia principal", quando na verdade eles são coadjuvantes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os análogos de GnRH são eficazes na supressão hormonal, mas não são recomendados como monoterapia de primeira linha em adolescentes devido ao risco de perda de densidade mineral óssea, especialmente em um período crítico de aquisição de massa óssea. Além disso, o uso por tempo indeterminado não é indicado; quando utilizados, geralmente é por períodos limitados e com terapia aditiva (add-back).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O contraceptivo hormonal combinado ou progestagênico isolado é a primeira linha de tratamento para endometriose em adolescentes. Esses medicamentos suprimem a ovulação, induzem atrofia do endométrio (inclusive o ectópico) e reduzem a produção de prostaglandinas, aliviando a dor e o sangramento. A alternativa está correta ao indicar a supressão hormonal como base do tratamento, alinhada às diretrizes para adolescentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tratamento cirúrgico (laparoscopia) não é a primeira opção em adolescentes com suspeita de endometriose. Ele é reservado para casos refratários ao tratamento clínico, para diagnóstico definitivo quando há dúvida, ou para tratamento de lesões específicas. A alternativa erra ao propor cirurgia isolada como abordagem inicial, quando a conduta padrão é o tratamento clínico hormonal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A supressão hormonal total associada a AINEs é uma estratégia agressiva, reservada para casos graves e refratários, não sendo a primeira linha em adolescentes. A alternativa erra ao sugerir essa combinação como tratamento inicial, quando a abordagem padrão é o contraceptivo hormonal combinado ou progestagênico isolado, com AINEs apenas como adjuvantes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o tratamento da dismenorreia primária (onde AINEs são a primeira linha) pelo da endometriose (onde a supressão hormonal é a base). A presença de dor crônica, sangramento irregular e falha dos analgésicos aponta para causa orgânica, não para dismenorreia primária isolada. Fique atento a esses sinais de alarme.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, identifique o padrão: dor pélvica crônica + dismenorreia intensa + sangramento irregular + falha de AINEs = suspeita de endometriose → tratamento com contraceptivo hormonal combinado ou progestagênico isolado. AINEs são adjuvantes, nunca terapia principal nesse contexto.