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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg130998
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Com base na Nota Técnica nº 35/2018 do Ministério da Saúde, assinale a afirmativa correta a respeito da conduta imediata em um recém-nascido com anquiloglossia diagnosticada pelo teste do frênulo lingual.
  1. AA abordagem cirúrgica deve ser realizada de pronto, já que o teste que levou ao diagnóstico segue o critério anatômico.
  2. BDeve-se indicar abordagem cirúrgica, que deverá ser realizada após a terceira semana de vida para não prejudicar a amamentação ao seio.
  3. CDeve-se acompanhar clinicamente, priorizando o uso do copinho para evitar perda ponderal, independentemente da eficácia da sucção ao seio.
  4. DDeve ser feito o acompanhamento clínico com equipe multiprofissional, incluindo um consultor de amamentação, observando a evolução.
  5. ENão intervir de imediato, repetir o teste em três semanas e, caso haja alguma repercussão, iniciar acompanhamento com consultor de amamentação.
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GabaritoD — Deve ser feito o acompanhamento clínico com equipe multiprofissional, incluindo um consultor de amamentação, observando a evolução.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anquiloglossia no recém-nascido: conduta imediata

Gabarito: letra D. A Nota Técnica nº 35/2018 do Ministério da Saúde preconiza que, diante do diagnóstico de anquiloglossia pelo teste do frênulo lingual, a conduta imediata é o acompanhamento clínico com equipe multiprofissional, incluindo consultor de amamentação, observando a evolução — e não a intervenção cirúrgica de pronto. A cirurgia (frenotomia) só é considerada quando há interferência na amamentação atribuída ao frênulo e escore de Bristol ≤ 3, após reavaliação e exclusão de outras causas.

A anquiloglossia, popularmente conhecida como "língua presa", é uma condição em que o frênulo lingual é curto, espesso ou com inserção anterior, limitando os movimentos da língua. Essa limitação pode interferir na amamentação, na fala, na deglutição e até na higiene oral. O diagnóstico é feito por meio de testes como o Protocolo Bristol de Avaliação da Língua (BTAT), que pontua aspectos como aparência da ponta da língua, fixação do frênulo, elevação e protrusão. Escores de 0 a 3 indicam redução grave da função da língua.

A lógica da conduta expectante é que o diagnóstico de anquiloglossia, por si só, não é indicação automática de cirurgia. Muitos recém-nascidos com anquiloglossia conseguem mamar adequadamente, e a cirurgia (frenotomia) tem evidência de baixa força quanto à melhora da amamentação e redução de dor mamilar. Por isso, o Ministério da Saúde orienta que, antes de qualquer procedimento, haja uma avaliação criteriosa da mamada, do frênulo e da evolução do ganho de peso, com suporte de uma equipe multiprofissional — pediatra, fonoaudiólogo, enfermeiro e consultor de amamentação.

Na prática, o fluxo é: diagnóstico pelo teste → acompanhamento clínico com observação da mamada e do ganho de peso → se houver interferência na amamentação atribuída ao frênulo e escore de Bristol ≤ 3, nova avaliação antes da alta → se confirmado e sem outra justificativa, considerar frenotomia → acompanhamento por no mínimo 15 dias após o procedimento. A alternativa D espelha exatamente o primeiro passo desse fluxo: acompanhar clinicamente com equipe multiprofissional, incluindo consultor de amamentação, observando a evolução.

A pegadinha da questão está em confundir o diagnóstico com a indicação cirúrgica imediata. O teste do frênulo é um alerta, não uma sentença de cirurgia. A banca explora a ansiedade de "resolver logo" o problema, mas a conduta correta é a observação ativa e o suporte à amamentação. Guarde o critério decisivo: cirurgia só após falha da abordagem clínica e com escore de Bristol ≤ 3 — é nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1Diagnóstico pelo teste do frênulo
  2. 2Acompanhamento clínico multiprofissional
  3. 3Observar mamada e ganho de peso
  4. 4Interferência na amamentação?
  5. 5Reavaliação antes da alta
  6. 6Frenotomia se Bristol ≤ 3
  7. 7Acompanhamento ≥ 15 dias
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a abordagem cirúrgica deve ser realizada de pronto, já que o teste segue critério anatômico. O erro está em antecipar a cirurgia sem avaliar a repercussão funcional. O teste do frênulo (BTAT) avalia aspectos anatômicos e funcionais, mas o diagnóstico de anquiloglossia não implica indicação cirúrgica imediata. A conduta inicial é o acompanhamento clínico, e a cirurgia só é considerada se houver interferência na amamentação atribuída ao frênulo, com escore de Bristol ≤ 3, após reavaliação e exclusão de outras causas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indica abordagem cirúrgica após a terceira semana de vida para não prejudicar a amamentação. O erro é duplo: primeiro, não se indica cirurgia de imediato — a conduta inicial é expectante; segundo, não há prazo fixo de "terceira semana" na Nota Técnica. A cirurgia, quando indicada, pode ser realizada ainda na maternidade (antes da alta) se houver interferência na amamentação e escore de Bristol ≤ 3, e o acompanhamento pós-operatório é de no mínimo 15 dias. A alternativa inventa um prazo que não existe na norma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe acompanhamento clínico priorizando o uso do copinho para evitar perda ponderal, independentemente da eficácia da sucção ao seio. O erro está em desconsiderar a avaliação da sucção ao seio. A conduta correta é justamente observar a eficácia da sucção e a evolução da amamentação, com suporte de consultor de amamentação. O uso de copinho pode ser uma medida temporária em situações específicas, mas não é a conduta padrão e não substitui a avaliação da mamada. A prioridade é manter e apoiar a amamentação ao seio sempre que possível.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta preconizada pela Nota Técnica nº 35/2018: acompanhamento clínico com equipe multiprofissional, incluindo consultor de amamentação, observando a evolução. O diagnóstico de anquiloglossia serve de alerta para possíveis dificuldades na amamentação, mas a decisão de intervir (ou não) é individualizada. O acompanhamento permite avaliar a mamada, o ganho de peso e a necessidade de intervenção cirúrgica, que só ocorre em casos selecionados. A alternativa espelha a conduta expectante e o suporte multiprofissional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sugere não intervir de imediato, repetir o teste em três semanas e, caso haja repercussão, iniciar acompanhamento com consultor de amamentação. O erro está em postergar o acompanhamento para três semanas. A Nota Técnica orienta que a avaliação seja feita antes da alta da maternidade (entre 24 e 48 horas de vida) e que, se houver interferência na amamentação, haja nova avaliação ainda antes da alta. O acompanhamento com consultor de amamentação deve ser imediato, não condicionado a uma espera de três semanas. A alternativa inverte a lógica: o acompanhamento é a conduta inicial, não uma medida posterior.

Gabarito: letra D — a conduta imediata é o acompanhamento clínico com equipe multiprofissional, incluindo consultor de amamentação, observando a evolução.

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