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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg130999
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Adolescente, 15 anos, apresenta dor epigástrica recorrente, de forte intensidade, associada a episódios frequentes de diarreia. Evolui com múltiplas úlceras pépticas de difícil controle, com localizações atípicas, apesar do tratamento adequado. Exames laboratoriais iniciais evidenciam hipersecreção ácida gástrica e níveis persistentemente elevados de gastrina em jejum.Baseado na principal hipótese diagnóstica, a presença de diarreia crônica sugere
  1. Amá absorção de peptídeos no intestino delgado.
  2. Bprecipitação dos sais biliares no intestino proximal.
  3. Cmá absorção de eletrólitos e peptídeos no intestino delgado.
  4. Daumento da motilidade gástrica e do intestino delgado proximal.
  5. Eação direta da gastrina na musculatura lisa do intestino delgado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — precipitação dos sais biliares no intestino proximal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Zollinger-Ellison: mecanismo da diarreia crônica

Gabarito: letra B. O quadro — úlceras pépticas múltiplas, atípicas e refratárias, com hipersecreção ácida e gastrina elevada em jejum — é a apresentação clássica da síndrome de Zollinger-Ellison (gastrinoma). A diarreia crônica nessa síndrome decorre da precipitação dos sais biliares no intestino proximal: o pH extremamente baixo (ácido) no duodeno e jejuno precipita os sais biliares, impedindo a formação de micelas e, consequentemente, a digestão e absorção de gorduras (esteatorreia).

A síndrome de Zollinger-Ellison é causada por um tumor neuroendócrino (gastrinoma), geralmente no pâncreas ou duodeno, que secreta gastrina de forma autônoma e excessiva. A gastrina, por sua vez, estimula as células parietais gástricas a produzir ácido clorídrico em quantidade muito acima do normal. Esse excesso ácido é o responsável pelas úlceras pépticas múltiplas, em localizações atípicas (pós-bulbares, jejunais) e de difícil controle terapêutico — exatamente o que o enunciado descreve.

A diarreia crônica é uma manifestação frequente e importante da síndrome. O mecanismo é multifatorial, mas o principal é a inativação das enzimas pancreáticas e a precipitação dos sais biliares pelo pH ácido no lúmen do intestino delgado proximal. Os sais biliares são essenciais para emulsificar as gorduras e formar micelas; quando precipitam em ambiente ácido, a digestão de gorduras fica comprometida, resultando em esteatorreia (diarreia com fezes gordurosas, volumosas e fétidas). Além disso, o ácido também pode lesar diretamente a mucosa intestinal, contribuindo para a má absorção.

Para entender a questão, é preciso distinguir os mecanismos de diarreia:

Mecanismo

Característica

Exemplo

Osmótica

Substância não absorvível retém água no lúmen

Deficiência de lactase, laxantes osmóticos

Secretora

Secreção ativa de água e eletrólitos pela mucosa

Toxina colérica, tumores neuroendócrinos

Má absorção de gorduras (esteatorreia)

Falha na digestão/absorção de lipídios

Insuficiência pancreática, precipitação de sais biliares (Zollinger-Ellison)

Inflamatória

Extravasamento de plasma, sangue e muco

Doença de Crohn, retocolite ulcerativa

Motora

Aceleração ou lentificação do trânsito

Síndrome do intestino irritável, hipertireoidismo

A pegadinha da banca está em atribuir a diarreia a um mecanismo genérico de "má absorção" ou a um efeito direto da gastrina, quando o mecanismo específico e fisiopatologicamente correto é a precipitação dos sais biliares pelo ácido. Guarde esta cadeia: gastrinoma → hipergastrinemia → hipersecreção ácida → pH intraluminal muito baixo → precipitação de sais biliares → má digestão de gorduras → esteatorreia/diarreia. É exatamente essa sequência que separa a alternativa correta das demais.

Diarreia na Zollinger-Ellison
  • 1Mecanismo principal
    • Hipersecreção ácida
    • pH baixo no duodeno/jejuno
    • Precipitação de sais biliares
    • Má digestão de gorduras
    • Esteatorreia
  • 2Mecanismos descartados
    • Má absorção de peptídeos
    • Má absorção de eletrólitos
    • Aumento da motilidade
    • Ação direta da gastrina
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a diarreia se deve à má absorção de peptídeos no intestino delgado. O erro está em especificar "peptídeos": na síndrome de Zollinger-Ellison, o que fica comprometido é a digestão e absorção de gorduras (esteatorreia), não de peptídeos. Embora o pH ácido possa causar algum dano à mucosa e prejudicar a absorção de vários nutrientes, o mecanismo central e mais característico é a precipitação dos sais biliares, que afeta primariamente a absorção de lipídios. A alternativa é uma meia-verdade: há má absorção, mas não especificamente de peptídeos como mecanismo principal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A diarreia crônica na síndrome de Zollinger-Ellison é consequência da precipitação dos sais biliares no intestino proximal (duodeno e jejuno). O pH extremamente ácido, resultante da hipersecreção gástrica, faz com que os sais biliares, que são anfipáticos e necessários para a emulsificação de gorduras, precipitem e percam sua função. Sem a formação adequada de micelas, as gorduras não são digeridas nem absorvidas, levando à esteatorreia. Este é o mecanismo fisiopatológico clássico e mais aceito para explicar a diarreia nessa síndrome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Semelhante à alternativa A, mas acrescenta "eletrólitos" à má absorção. O problema persiste: o mecanismo central não é uma má absorção inespecífica de eletrólitos e peptídeos, mas sim a precipitação de sais biliares com consequente má digestão de gorduras. A diarreia na Zollinger-Ellison é predominantemente do tipo esteatorreia, não uma diarreia secretora por má absorção de eletrólitos. A alternativa descreve um mecanismo genérico que não captura a especificidade fisiopatológica da síndrome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Atribui a diarreia ao aumento da motilidade gástrica e do intestino delgado proximal. Embora a motilidade possa estar alterada em algumas condições, na síndrome de Zollinger-Ellison o mecanismo predominante da diarreia não é motor. O aumento da motilidade não é consequência direta da hipergastrinemia ou da hipersecreção ácida. O mecanismo correto é a precipitação dos sais biliares e a consequente má digestão de gorduras. A alternativa confunde o mecanismo motor (como na síndrome do intestino irritável) com o mecanismo de má absorção da Zollinger-Ellison.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sugere que a gastrina age diretamente na musculatura lisa do intestino delgado, aumentando a motilidade e causando diarreia. A gastrina tem como principal alvo as células parietais gástricas, estimulando a secreção ácida. Não há evidência de que a gastrina atue diretamente na musculatura lisa intestinal para causar diarreia. O efeito da gastrina é indireto: ela aumenta a secreção ácida, e o ácido, por sua vez, precipita os sais biliares. A alternativa atribui à gastrina um efeito direto que ela não possui, sendo fisiologicamente incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o mecanismo geral de "má absorção" e o mecanismo específico da Zollinger-Ellison. O candidato pode ser tentado a marcar A ou C por associar diarreia crônica a má absorção, mas o detalhe decisivo é a precipitação dos sais biliares pelo ácido — um mecanismo único dessa síndrome. Lembre-se: na Zollinger-Ellison, o ácido é o vilão, e ele age precipitando os sais biliares, não causando má absorção direta de peptídeos ou eletrólitos.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de diarreia crônica, monte o raciocínio em etapas: (1) identificar o mecanismo (osmótico, secretor, má absorção, inflamatório, motor); (2) correlacionar com a doença de base. Na Zollinger-Ellison, a tríade "úlceras atípicas refratárias + gastrina elevada + diarreia" aponta diretamente para a precipitação de sais biliares. Se a alternativa falar em "má absorção" sem especificar o mecanismo, desconfie — o examinador quer o mecanismo exato.

Gabarito: letra B.

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