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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg131002
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Criança de 5 anos, previamente saudável, é trazida ao ambulatório com história de diarreia há 10 dias, caracterizada por duas a três evacuações diárias de fezes líquidas, associadas a dor abdominal leve. Não apresenta sangue ou muco nas fezes. Foi encaminhada para a especialidade por apresentar dosagem de elastase fecal alterada, sem alterações nos demais exames.A conduta imediata é
  1. Aorientar sobre dieta com baixo teor de gordura.
  2. Biniciar investigação com ultrassonografia.
  3. Ciniciar reposição empírica de enzimas pancreáticas.
  4. Daguardar a melhora clínica e repetir o exame.
  5. Esolicitar teste do suor dosagem de vitaminas lipossolúveis.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — aguardar a melhora clínica e repetir o exame.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Elastase fecal alterada em criança com diarreia crônica: interpretação e conduta

Gabarito: letra D. Em criança de 5 anos, previamente saudável, com diarreia crônica (10 dias), sem sinais de alarme (sem sangue, muco, desidratação ou comprometimento do estado geral), a elastase fecal alterada isoladamente não confirma insuficiência pancreática exócrina — o exame tem baixa especificidade em quadros leves e pode estar falsamente reduzido em diarreias aquosas por diluição. A conduta imediata é aguardar a melhora clínica e repetir o exame, evitando iniciar terapêutica ou investigação invasiva sem confirmação diagnóstica.

A elastase fecal é uma enzima pancreática que resiste à degradação intestinal e é dosada nas fezes como marcador de função exócrina do pâncreas. Valores baixos sugerem insuficiência pancreática, mas o exame tem limitações importantes: em diarreias aquosas, a diluição das fezes pode reduzir artificialmente a concentração da enzima, gerando falsos positivos (elastase baixa sem doença pancreática real). Por isso, a dosagem isolada, sem correlação clínica ou com quadro clínico atípico, não deve ser interpretada isoladamente.

No caso apresentado, a criança tem diarreia há 10 dias (classificada como diarreia persistente, entre 7 e 14 dias), com apenas 2–3 evacuações líquidas/dia, dor abdominal leve e sem sinais de alarme — sem sangue, muco, febre, desidratação, emagrecimento ou comprometimento do estado geral. Esse perfil é muito mais compatível com uma etiologia benigna e autolimitada (viral, funcional, intolerância alimentar leve) do que com doença pancreática crônica, que cursaria com esteatorreia volumosa, fétida e espumosa, déficit de crescimento e desnutrição.

A insuficiência pancreática exócrina na infância tem como principal causa a fibrose cística, seguida de outras condições como síndrome de Shwachman-Diamond, pancreatite crônica e causas genéticas. O diagnóstico exige confirmação com teste do suor (padrão-ouro para fibrose cística) e/ou dosagem de vitaminas lipossolúveis, além de correlação clínica com esteatorreia e déficit pondero-estatural. Iniciar reposição empírica de enzimas pancreáticas sem confirmação diagnóstica é conduta inadequada, pois expõe a criança a tratamento desnecessário e mascara o diagnóstico real.

A conduta correta, portanto, é repetir a elastase fecal após a resolução do quadro diarreico. Se a diarreia for autolimitada, a elastase tende a normalizar. Se persistir alterada com quadro clínico compatível, aí sim se inicia investigação direcionada (teste do suor, ultrassonografia, dosagem de vitaminas). Essa abordagem evita intervenções desnecessárias e segue o princípio de que exames laboratoriais devem ser interpretados no contexto clínico, não isoladamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "elastase fecal alterada" e "insuficiência pancreática", levando o candidato a escolher a reposição de enzimas (C) ou a investigação com ultrassom (B). Mas a elastase fecal tem baixa especificidade em diarreias aquosas — a diluição das fezes pode reduzir falsamente a enzima. O erro clássico é tratar um exame isolado como diagnóstico definitivo, ignorando o quadro clínico benigno. A regra de ouro: exame alterado sem correlação clínica forte = repetir antes de intervir.

  1. 1Avaliar quadro clínico
  2. 2Sem sinais de alarme
  3. 3Aguardar melhora
  4. 4Repetir elastase fecal
  5. 5Se persistir, investigar
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Orientar dieta com baixo teor de gordura não é a conduta imediata. A restrição de gordura é medida adjuvante em casos confirmados de esteatorreia/insuficiência pancreática, não uma intervenção inicial diante de um exame isolado. Além disso, em criança previamente saudável, sem sinais de má absorção, não há indicação de restrição dietética — a alimentação habitual deve ser mantida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar investigação com ultrassonografia é prematuro. A ultrassonografia avalia morfologia pancreática (calcificações, dilatação de ductos), mas não é o primeiro passo diante de uma elastase fecal alterada isolada em criança sem sintomas sugestivos de doença pancreática. A investigação deve ser direcionada após confirmação da alteração com repetição do exame e correlação clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar reposição empírica de enzimas pancreáticas é a armadilha principal. A elastase fecal alterada isoladamente não confirma insuficiência pancreática — pode ser falso positivo por diluição nas fezes diarreicas. Reposição empírica sem diagnóstico confirmado expõe a criança a tratamento desnecessário, com custo e riscos, e pode mascarar a evolução clínica. A conduta correta é repetir o exame após melhora do quadro.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Aguardar a melhora clínica e repetir o exame é a conduta imediata correta. A criança tem diarreia persistente (10 dias), mas com características benignas: poucas evacuações, sem sangue/muco, sem desidratação, sem comprometimento do estado geral. A elastase fecal pode estar falsamente reduzida pela diluição das fezes. Repetir o exame após a resolução do quadro é a abordagem mais racional e segura, evitando intervenções desnecessárias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar teste do suor e dosagem de vitaminas lipossolúveis é prematuro. O teste do suor é o padrão-ouro para fibrose cística, principal causa de insuficiência pancreática na infância, mas só deve ser solicitado quando há suspeita clínica forte (esteatorreia, déficit de crescimento, infecções respiratórias de repetição) ou quando a elastase fecal se confirma alterada após repetição. A dosagem de vitaminas lipossolúveis avalia sequelas de má absorção, também prematura neste contexto.

Gabarito: letra D — aguardar a melhora clínica e repetir o exame é a conduta imediata correta, pois a elastase fecal alterada isoladamente, em criança com diarreia benigna, não confirma insuficiência pancreática.

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