Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg131003
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Lactente de 9 meses é levado à consulta por aumento escrotal unilateral, indolor e sem sinais inflamatórios locais. Ao exame físico, observa-se massa escrotal de contornos regulares, grande e tensa, impossibilitando a palpação do testículo, não dolorosa, com volume estável ao longo do dia. A transiluminação do escroto evidencia passagem homogênea de luz.Com base na principal hipótese diagnóstica, a conduta imediata é
Arealizar ultrassonografia para confirmação do diagnóstico.
Bconsiderar a intervenção cirúrgica pela dificuldade de avaliar hérnia.
Cindicar a cirurgia, pois o conduto peritônio-vaginal permanece patente.
Dacompanhar clinicamente até 12 a 18 meses de vida, pois haverá reabsorção.
Erealizar compressão manual da massa; havendo redução, contraindicar intervenção.
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GabaritoB — considerar a intervenção cirúrgica pela dificuldade de avaliar hérnia.
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Hidrocele no lactente: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra B. O quadro — aumento escrotal unilateral, indolor, tenso, com transiluminação homogênea e volume estável — é típico de hidrocele comunicante no lactente. A conduta imediata, porém, não é apenas observar: como a massa é grande e tensa, impossibilitando a palpação do testículo, não se pode afastar com segurança uma hérnia inguinal associada, o que impõe a intervenção cirúrgica para avaliação e correção. A conduta é baseada no risco de não se conseguir excluir hérnia, não na hidrocele em si.
A hidrocele é o acúmulo de líquido no interior da túnica vaginal, que envolve o testículo. No lactente, a causa mais comum é a persistência do conduto peritônio-vaginal (processo vaginal), que não obliterou após o nascimento, permitindo a passagem de líquido peritoneal para o escroto. Esse líquido, por ser claro, permite a passagem da luz na transiluminação — sinal clássico que a distingue de hérnia e tumor, que são opacos. A hidrocele comunicante costuma variar de volume ao longo do dia, com aumento quando a criança chora ou faz esforço, e redução quando deita. Muitas hidroceles do lactente regridem espontaneamente até os 12 a 18 meses, pois o conduto tende a obliterar com o tempo.
O problema é que a hidrocele e a hérnia inguinal compartilham o mesmo mecanismo: a persistência do conduto peritônio-vaginal. Na hérnia, o que desce é alça intestinal ou outro conteúdo abdominal; na hidrocele, apenas líquido. Quando a massa é grande e tensa, a palpação do testículo e do conteúdo escrotal fica impossibilitada, e não se consegue distinguir clinicamente se há alça intestinal no saco herniário. Nessa situação, a conduta conservadora perde segurança: se houver hérnia, o risco de encarceramento e estrangulamento é real, e a correção cirúrgica é indicada. Por isso, a impossibilidade de palpar o testículo e afastar hérnia é o critério que decide pela cirurgia.
A ultrassonografia pode auxiliar no diagnóstico diferencial, mas não é a conduta imediata quando a suspeita de hérnia é forte e a cirurgia já está indicada. A compressão manual da massa (alternativa E) é contraindicada em hérnia encarcerada e não resolve o problema de base. O acompanhamento clínico até 12-18 meses (alternativa D) é válido apenas para hidroceles pequenas, não tensas, em que a palpação do testículo é possível e a hérnia foi afastada. A alternativa C afirma que a cirurgia é indicada porque o conduto permanece patente — isso é verdadeiro, mas o motivo central da conduta imediata é a impossibilidade de avaliar hérnia, não a patência em si.
A pegadinha desta questão está em confundir a hidrocele com a hérnia e aplicar a conduta da hidrocele simples (observação) a um caso em que a hérnia não pode ser excluída. A banca explora a associação automática entre transiluminação positiva e hidrocele, levando o candidato a escolher a conduta conservadora, sem perceber que o dado crítico é a impossibilidade de palpação do testículo.
Hidrocele no lactente
1Mecanismo
Conduto peritônio-vaginal patente
Líquido claro → transiluminação +
2Conduta
Pequena, testículo palpável
Observar até 12-18 meses
Grande e tensa, sem palpar testículo
Cirurgia (não afasta hérnia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ultrassonografia é um exame complementar útil para confirmar o diagnóstico e avaliar o conteúdo escrotal, mas não é a conduta imediata quando a suspeita de hérnia é forte e a cirurgia já está indicada. Realizar o exame atrasaria a correção cirúrgica sem mudar a conduta, pois a impossibilidade de palpar o testículo já impõe a exploração cirúrgica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A massa grande e tensa impossibilita a palpação do testículo, o que impede de afastar a presença de hérnia inguinal associada. Nesse cenário, a conduta imediata é a intervenção cirúrgica para explorar o conduto peritônio-vaginal e corrigir a hérnia, se presente. A cirurgia é indicada pela dificuldade de avaliar clinicamente a hérnia, não pela hidrocele em si.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação de que o conduto peritônio-vaginal permanece patente é verdadeira e explica o mecanismo da hidrocele, mas não é o motivo central da conduta imediata. A cirurgia é indicada porque a hérnia não pode ser excluída, e não simplesmente pela patência do conduto. A alternativa confunde o mecanismo fisiopatológico com a indicação cirúrgica imediata.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O acompanhamento clínico até 12-18 meses é a conduta para hidroceles pequenas, não tensas, em que o testículo é palpável e a hérnia foi afastada. Neste caso, a massa é grande e tensa, impossibilitando a palpação, o que contraindica a conduta conservadora. Aguardar a reabsorção espontânea seria arriscado se houver hérnia associada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A compressão manual da massa é contraindicada, pois pode causar dor, lesão e, em caso de hérnia encarcerada, agravar o quadro. A redução manual não trata a causa e não elimina o risco de encarceramento futuro. A conduta correta é a cirurgia, não a manipulação.