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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg131005
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Lactente de 8 meses é levado ao Pronto Atendimento por febre alta súbita (≈ 40 °C), sem foco aparente, com irritabilidade, que se mantém por cerca de 3 dias e cessa abruptamente. Após a defervescência, surge exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, de curta duração, inicialmente em tronco e com discreta disseminação para face e extremidades. Ao exame, observam-se linfonodos suboccipitais aumentados e leve hiperemia de orofaringe.Com base na principal hipótese diagnóstica, assinale a afirmativa correta.
  1. AA febre parece ocorrer com menor frequência em crianças abaixo dos 6 meses de idade.
  2. BConvulsões são as complicações pouco comuns, mas ocorrendo, seu risco de recorrência é alto.
  3. CA dosagem do anticorpo IgM precocemente pode fornecer o diagnóstico, apesar de ter pouca necessidade.
  4. DDados clínicos e estudos randomizados parecem evidenciar a eficácia do tratamento com ganciclovir.
  5. ENão parecem ocorrer achados laboratoriais característicos, mas, em alguns casos, pode ocorrer leucocitose.
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GabaritoA — A febre parece ocorrer com menor frequência em crianças abaixo dos 6 meses de idade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Exantema súbito (roséola infantil): diagnóstico e manejo

Gabarito: letra A. O quadro descrito — lactente de 8 meses com febre alta súbita (≈40 °C) por cerca de 3 dias, sem foco, que cessa abruptamente e é seguida de exantema maculopapular róseo em tronco — é a apresentação clássica do exantema súbito (roséola infantil), causado pelo herpesvírus humano tipo 6 (HHV-6). A afirmativa correta é a letra A, pois a febre dessa doença é de fato menos frequente em crianças abaixo dos 6 meses, faixa etária em que os anticorpos maternos transferidos passivamente ainda conferem proteção parcial.

O exantema súbito é uma doença viral aguda e benigna, típica de lactentes e crianças pequenas, com pico de incidência entre 6 e 15 meses de idade. O quadro clínico é marcado por uma sequência característica: febre alta (frequentemente acima de 39 °C), que persiste por 3 a 5 dias, acompanhada de irritabilidade e, por vezes, linfonodomegalia (especialmente occipital e cervical) e hiperemia de orofaringe. O que torna o diagnóstico clínico possível é o padrão temporal: a febre cede abruptamente (defervescência crítica) e, logo em seguida, surge o exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, que começa no tronco e se dissemina para pescoço, face e membros, desaparecendo em 1 a 2 dias sem descamação. Esse exantema é frequentemente descrito como "febre que vai, mancha que vem".

A faixa etária é um dos pilares do diagnóstico. A doença é rara nos primeiros 6 meses de vida porque o lactente ainda carrega anticorpos IgG maternos adquiridos por via transplacentária, que o protegem contra o HHV-6. Por isso, a febre alta por exantema súbito é incomum nesse grupo, sendo a alternativa A correta. A partir dos 6 meses, com o declínio dos anticorpos maternos, a susceptibilidade aumenta, e o pico de incidência ocorre justamente entre 6 e 15 meses, com a maioria dos casos até os 2 anos.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. Exames laboratoriais não são necessários na maioria dos casos. Quando realizados, podem mostrar leucopenia com linfocitose relativa, mas não há achado patognomônico. A sorologia (IgM e IgG) tem pouca utilidade prática, pois o diagnóstico é clínico e o tratamento é apenas sintomático (antitérmicos e hidratação). A doença é autolimitada e benigna, e as complicações são raras. A mais temida é a convulsão febril, que pode ocorrer durante o pico febril, mas, na grande maioria dos casos, é uma convulsão febril simples, sem sequelas e com baixo risco de recorrência. Não há tratamento antiviral específico recomendado; o ganciclovir não tem papel no manejo de rotina do exantema súbito em crianças imunocompetentes.

A principal dificuldade diagnóstica está em diferenciar o exantema súbito de outras doenças exantemáticas febris da infância, como sarampo, rubéola, eritema infeccioso, escarlatina e enterovirose. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Doença

Características do exantema

Faixa etária típica

Exantema súbito

Maculopapular róseo, surge após a defervescência, começa no tronco, sem descamação, dura < 48h

6 meses a 2 anos

Sarampo

Maculopapular morbiliforme, inicia atrás das orelhas, distribuição centrífuga, com descamação furfurácea, dura 4-7 dias

Todas as idades, principalmente crianças e adultos jovens

Rubéola

Maculopapular róseo discreto, distribuição craniocaudal, sem descamação, desaparece até o 6º dia

Todas as idades

Eritema infeccioso

Face esbofeteada, intenso, inicia na face, atinge membros e tronco, sem descamação

Pré-escolares e escolares

Escarlatina

Puntiforme, áspero, inicia no 1º-2º dia, descamação extensa, associado a faringoamigdalite

2-10 anos

A pegadinha central desta questão está em reconhecer o padrão temporal "febre que cede e exantema que surge" como a chave do diagnóstico, e não se deixar levar por alternativas que mencionam complicações graves ou tratamentos específicos que não se aplicam a uma doença benigna e autolimitada. A banca explora o conhecimento das características epidemiológicas e do manejo correto, testando se o candidato sabe que a doença é rara antes dos 6 meses e que o tratamento é apenas sintomático.

  1. 1Febre alta (3-5 dias)
  2. 2Defervescência abrupta
  3. 3Exantema em tronco
  4. 4Regressão em 1-2 dias
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A febre do exantema súbito é de fato menos frequente em crianças abaixo dos 6 meses de idade. Isso ocorre porque, nessa faixa etária, o lactente ainda possui anticorpos IgG maternos transferidos passivamente pela placenta, que conferem proteção contra o HHV-6. Com o declínio desses anticorpos a partir do 6º mês, a susceptibilidade aumenta, e o pico de incidência da doença ocorre entre 6 e 15 meses. Portanto, a alternativa A reflete corretamente a epidemiologia da doença.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Embora convulsões febris possam ocorrer como complicação do exantema súbito, elas são pouco comuns e, quando ocorrem, geralmente são convulsões febris simples, com baixo risco de recorrência. A alternativa inverte o risco: diz que o risco de recorrência é alto, quando na verdade é baixo. A convulsão febril simples é um evento benigno, autolimitado, sem sequelas neurológicas, e o risco de recorrência em episódios febris futuros é pequeno, especialmente quando comparado a outras condições neurológicas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. A dosagem de anticorpo IgM precocemente não é útil para o diagnóstico do exantema súbito. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história típica de febre alta que cede abruptamente seguida de exantema. A sorologia (IgM e IgG) tem pouca aplicação prática na rotina, pois o resultado demora e não altera a conduta, que é apenas sintomática. Além disso, a IgM pode não estar detectável nos primeiros dias da doença, e a confirmação sorológica raramente é necessária. A alternativa erra ao sugerir que a dosagem de IgM "pode fornecer o diagnóstico" — na prática clínica, o diagnóstico é clínico e a sorologia não é recomendada de rotina.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Não há evidência de eficácia do ganciclovir no tratamento do exantema súbito em crianças imunocompetentes. O ganciclovir é um antiviral usado em situações específicas, como infecções por citomegalovírus em imunocomprometidos, mas não tem papel no manejo de rotina do exantema súbito, que é uma doença benigna e autolimitada. O tratamento é apenas sintomático, com antitérmicos (paracetamol ou ibuprofeno) e hidratação adequada. A alternativa sugere um tratamento antiviral que não é indicado, o que a torna incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Na verdade, o achado laboratorial mais comum no exantema súbito é a leucopenia com linfocitose relativa, e não leucocitose. A leucocitose com neutrofilia sugere etiologia bacteriana, o que não é o caso. Embora os exames laboratoriais não sejam necessários para o diagnóstico, quando realizados, podem mostrar leucopenia (contagem baixa de leucócitos) e linfocitose (aumento relativo de linfócitos), refletindo a etiologia viral. A alternativa inverte o achado esperado, afirmando que pode ocorrer leucocitose, o que é incorreto.

Gabarito: letra A — a febre do exantema súbito é menos frequente em crianças abaixo dos 6 meses de idade.

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