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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg131006
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Escolar, 4 anos, residente em área rural, apresenta disenteria crônica, anemia ferropriva refratária, atraso ponderoestatural e episódios recorrentes de prolapso retal. O hemograma não evidencia eosinofilia significativa.Baseado na principal hipótese diagnóstica, a associação abaixo que pode apresentar maior taxa de cura é
  1. Asecnidazol e tiabendazol.
  2. Bnitazoxanida e ivermectina.
  3. Cmebendazol e metronidazol.
  4. Dpraziquantel e cambendazol.
  5. Epamoato de oxantel e albendazol.
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GabaritoE — pamoato de oxantel e albendazol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Parasitoses intestinais na infância: tricuríase e o tratamento de escolha

Gabarito: letra E. O quadro — disenteria crônica, anemia ferropriva refratária, atraso ponderoestatural e prolapso retal em escolar de área rural — é a apresentação clássica da tricuríase (infecção por Trichuris trichiura), e a associação com maior taxa de cura é pamoato de oxantel + albendazol, conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde para o tratamento dessa geo-helmintíase. O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico, e a ausência de eosinofilia significativa não afasta a hipótese, pois a eosinofilia é inconstante nas infecções por Trichuris.

A tricuríase é uma das geo-helmintíases mais prevalentes no mundo, especialmente em áreas rurais com saneamento básico precário. O Trichuris trichiura (verme chicote) habita o ceco e o cólon ascendente, onde o adulto se fixa à mucosa intestinal. A carga parasitária elevada — comum em crianças — leva a um quadro de disenteria crônica (diarreia com muco e sangue), que por sua vez causa perda sanguínea crônica e, consequentemente, anemia ferropriva refratária à suplementação oral de ferro, pois a perda contínua supera a reposição. O prolapso retal é um sinal quase patognomônico da tricuríase maciça em crianças: a mucosa edemaciada e inflamada, associada ao esforço evacuatório e à desnutrição, favorece a exteriorização do reto. O atraso ponderoestatural decorre da má absorção, da perda proteica intestinal e do estado inflamatório crônico.

O tratamento da tricuríase é um desafio terapêutico conhecido: o Trichuris responde menos aos benzimidazóis isolados (albendazol e mebendazol) do que o Ascaris e o Ancylostoma. Por isso, as diretrizes atuais recomendam a combinação de fármacos para aumentar a taxa de cura. A associação de pamoato de oxantel + albendazol é a mais eficaz, pois o oxantel atua especificamente contra o Trichuris (paralisando o verme por bloqueio neuromuscular), enquanto o albendazol inibe a polimerização da tubulina, causando degeneração do parasito. Essa sinergia eleva a taxa de cura para valores superiores a 90%, superando as demais combinações.

A pegadinha desta questão está em reconhecer a tricuríase pelo quadro clínico e, em seguida, saber qual associação é a mais eficaz. Muitos candidatos associam a disenteria com Entamoeba histolytica (amebíase) e escolhem secnidazol ou metronidazol, ou pensam em Strongyloides e escolhem ivermectina. No entanto, o prolapso retal é o sinal que fecha o diagnóstico de tricuríase, e a combinação com oxantel é a que apresenta maior taxa de cura. A ausência de eosinofilia significativa é um dado que ajuda a excluir estrongiloidíase e outras helmintíases com migração tecidual, reforçando a tricuríase como principal hipótese.

Guarde a tríade que decide a questão: disenteria crônica + anemia ferropriva refratária + prolapso retal = tricuríase, e o tratamento de escolha é a associação pamoato de oxantel + albendazol. É exatamente essa combinação que as alternativas testam.

1Quadro clínico
Disenteria crônica
Anemia ferropriva refratária
Atraso ponderoestatural
Prolapso retal (quase patognomônico)
2Diagnóstico
Clínico-epidemiológico
Eosinofilia inconstante
3Tratamento
Benzimidazóis isolados: eficácia moderada
Pamoato de oxantel + albendazol (maior taxa de cura)
Tricuríase (Trichuris trichiura)
LEVELsoulevel.com.br
Tricuríase (Trichuris trichiura): Quadro clínico (Disenteria crônica, Anemia ferropriva refratária, Atraso ponderoestatural, Prolapso retal (quase patognomônico)); Diagnóstico (Clínico-epidemiológico, Eosinofilia inconstante); Tratamento (Benzimidazóis isolados: eficácia moderada, Pamoato de oxantel + albendazol (maior taxa de cura))

Alternativa A — ❌ Incorreta

secnidazol e tiabendazol. O secnidazol é um nitroimidazol usado principalmente para amebíase e giardíase; o tiabendazol é um benzimidazol de amplo espectro, mas com perfil de segurança desfavorável e eficácia limitada contra Trichuris. Essa combinação não é a recomendada para tricuríase e não apresenta a maior taxa de cura.

Alternativa B — ❌ Incorreta

nitazoxanida e ivermectina. A nitazoxanida tem atividade contra diversos parasitos, incluindo Trichuris, mas sua eficácia isolada é inferior à combinação oxantel + albendazol. A ivermectina é o fármaco de escolha para estrongiloidíase e oncocercose, não tendo papel relevante no tratamento da tricuríase. A associação não é a mais eficaz para o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

mebendazol e metronidazol. O mebendazol é ativo contra Trichuris, mas sua eficácia isolada é moderada, com taxas de cura em torno de 60-70%. O metronidazol é usado para amebíase e giardíase, não tendo ação sobre o Trichuris. A combinação não atinge a maior taxa de cura.

Alternativa D — ❌ Incorreta

praziquantel e cambendazol. O praziquantel é o fármaco de escolha para esquistossomose e teníase, não tendo ação sobre Trichuris. O cambendazol é um benzimidazol pouco utilizado na prática clínica atual. A associação é inadequada para o caso.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

pamoato de oxantel e albendazol. Esta é a combinação com maior taxa de cura para tricuríase, conforme recomendação da OMS. O pamoato de oxantel é um fármaco especificamente eficaz contra Trichuris trichiura, e sua associação com albendazol potencializa o efeito, alcançando taxas de cura superiores a 90%. É a escolha correta para o tratamento da tricuríase maciça em crianças.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as parasitoses que cursam com disenteria. O prolapso retal é o sinal que fecha o diagnóstico de tricuríase — não de amebíase (que cursaria com febre e dor abdominal, sem prolapso) nem de estrongiloidíase (que cursaria com eosinofilia importante). Ao ver disenteria + anemia refratária + prolapso retal, lembre-se: é Trichuris, e o tratamento é oxantel + albendazol.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental das geo-helmintíases: Ascaris (eliminação de vermes, sem disenteria), Ancylostoma (anemia ferropriva, sem disenteria), Strongyloides (eosinofilia intensa, dor abdominal), Trichuris (disenteria + prolapso retal). O tratamento de escolha para tricuríase é a associação pamoato de oxantel + albendazol.

Gabarito: letra E

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