Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg131009
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Pediatria
Recém-nascido nasceu com deformidade nos pés, apresentando posicionamento em dorsiflexão e eversão, com limitação de flexão plantar e inversão. Observa-se contato do dorso do pé com a face anterolateral da perna e discreta depressão cutânea na região do tornozelo. Não há outras malformações evidentes.Considerando a principal hipótese diagnóstica, a condição que mais frequentemente se associa à presença dessa deformidade congênita é a(o)
Atorsão femoral externa.
Btálus vertical congênito.
Chipermobilidade ligamentar familiar.
Ddisplasia do desenvolvimento do quadril.
Ehipoplasia/aplasia segmentar de ossos longos.
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GabaritoD — displasia do desenvolvimento do quadril.
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Pé torto congênito (talipes equinovarus) e associações
Gabarito: letra D. O quadro descrito — pé em dorsiflexão e eversão, com limitação de flexão plantar e inversão, contato do dorso do pé com a face anterolateral da perna e depressão cutânea no tornozelo — é a apresentação clássica do pé torto congênito (talipes calcâneo-valgo), e a condição que mais frequentemente se associa a essa deformidade é a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). A associação entre deformidades congênitas do pé e displasia do quadril é bem estabelecida na literatura ortopédica pediátrica, sendo a DDQ a comorbidade mais comum nesses casos.
O pé torto congênito é uma deformidade musculoesquelética presente ao nascimento, caracterizada por alterações no posicionamento do pé. Existem dois tipos principais: o talipes equinovarus (pé torto equinovaro), que é o mais comum e apresenta o pé em flexão plantar (equino), inversão (varo) e adução do antepé; e o talipes calcâneo-valgo, menos comum, em que o pé se apresenta em dorsiflexão (calcâneo) e eversão (valgo), exatamente como descrito no enunciado. A deformidade em calcâneo-valgo é frequentemente confundida com o tálus vertical congênito, mas diferencia-se por ser mais flexível e por não apresentar a rigidez característica do tálus vertical.
A displasia do desenvolvimento do quadril é uma condição em que há anormalidade na formação ou posicionamento da articulação do quadril, podendo variar desde uma leve displasia acetabular até a luxação completa. A associação entre deformidades congênitas do pé e DDQ é bem documentada, pois ambas podem resultar de fatores mecânicos intrauterinos (como oligoidrâmnio, apresentação pélvica ou restrição de espaço) ou de fatores genéticos que afetam o desenvolvimento musculoesquelético. Estudos mostram que a incidência de DDQ em pacientes com pé torto congênito é significativamente maior do que na população geral, o que justifica a recomendação de rastreamento ultrassonográfico do quadril em todos os recém-nascidos com deformidades congênitas dos pés.
Na prática clínica, o exame físico do recém-nascido com suspeita de DDQ inclui as manobras de Ortolani e Barlow, que avaliam a estabilidade do quadril. A manobra de Ortolani é realizada com o quadril fletido a 90 graus e aduzido, aplicando-se uma força suave de abdução para tentar reduzir a luxação; a manobra de Barlow tenta provocar a luxação com uma força de adução e pressão posterior. A ultrassonografia do quadril é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico em recém-nascidos, sendo recomendada para todos os casos de deformidades congênitas dos pés, independentemente do tipo.
A banca explora a confusão entre as deformidades congênitas do pé e outras condições ortopédicas. O tálus vertical congênito (alternativa B) é uma deformidade rara em que o pé apresenta uma sola convexa (pé em cadeira de balanço), com o tálus em posição vertical e rigidez importante — diferente do quadro descrito, que é flexível. A torsão femoral externa (alternativa A) é uma alteração rotacional do fêmur, comum em crianças, mas não é uma deformidade congênita do pé. A hipermobilidade ligamentar familiar (alternativa C) é uma condição genética que causa frouxidão articular generalizada, mas não é a principal associação com o pé torto congênito. A hipoplasia/aplasia segmentar de ossos longos (alternativa E) é uma condição rara que pode causar deformidades, mas não é a associação mais frequente.
O ponto-chave para resolver esta questão é reconhecer que a deformidade descrita é o pé torto congênito em sua forma calcâneo-valgo, e lembrar que a principal associação dessa deformidade é com a displasia do desenvolvimento do quadril. Essa associação é tão importante que a avaliação do quadril é parte obrigatória do exame físico de todo recém-nascido com deformidade congênita do pé, e a ultrassonografia do quadril é recomendada de rotina nesses casos.
Pé torto congênito
1Talipes equinovarus (mais comum)
Flexão plantar (equino)
Inversão (varo)
Adução do antepé
2Talipes calcâneo-valgo (caso descrito)
Dorsiflexão (calcâneo)
Eversão (valgo)
Flexível
3Associação mais frequente
Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)
Rastreio obrigatório
Ultrassonografia de rotina
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A torsão femoral externa é uma alteração rotacional do fêmur, caracterizada por um aumento da anteversão femoral ou da rotação externa da perna, que se manifesta clinicamente com os pés apontando para fora durante a marcha. É uma condição comum na infância, geralmente benigna e que tende a melhorar com o crescimento, mas não é uma deformidade congênita do pé e não está associada ao quadro descrito. A torsão femoral externa é uma alteração do membro inferior proximal, enquanto o pé torto congênito é uma deformidade distal, e não há associação significativa entre elas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tálus vertical congênito é uma deformidade rara e rígida do pé, caracterizada por uma sola convexa (pé em cadeira de balanço), com o tálus em posição vertical e o navicular luxado dorsalmente. Diferentemente do quadro descrito, que apresenta um pé flexível em dorsiflexão e eversão, o tálus vertical é uma deformidade rígida e fixa, que não pode ser corrigida passivamente. Além disso, o tálus vertical congênito não é a principal associação com a displasia do desenvolvimento do quadril, sendo uma condição muito menos comum que o pé torto congênito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipermobilidade ligamentar familiar é uma condição genética caracterizada por frouxidão articular generalizada, que pode causar instabilidade articular e predisposição a entorses. Embora possa estar associada a deformidades posturais, não é a principal condição associada ao pé torto congênito. A hipermobilidade ligamentar é uma condição sistêmica que afeta todas as articulações, enquanto o pé torto congênito é uma deformidade localizada, e a associação entre elas não é significativa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é a condição que mais frequentemente se associa ao pé torto congênito, incluindo a forma calcâneo-valgo descrita no enunciado. A associação é bem documentada na literatura, e a DDQ é encontrada em uma proporção significativa de recém-nascidos com deformidades congênitas dos pés. A explicação para essa associação envolve fatores mecânicos intrauterinos (como restrição de espaço e apresentação pélvica) e fatores genéticos que afetam o desenvolvimento musculoesquelético. Por isso, a avaliação do quadril é obrigatória em todo recém-nascido com deformidade congênita do pé, e a ultrassonografia do quadril é recomendada de rotina nesses casos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipoplasia/aplasia segmentar de ossos longos é uma condição rara caracterizada pelo desenvolvimento incompleto ou ausência de um segmento de um osso longo, podendo causar deformidades graves nos membros. Embora possa estar associada a deformidades congênitas, não é a principal condição associada ao pé torto congênito. A hipoplasia/aplasia segmentar é uma condição muito rara e geralmente está associada a síndromes genéticas complexas, enquanto o pé torto congênito é uma deformidade isolada na maioria dos casos.
Gabarito: letra D — a displasia do desenvolvimento do quadril é a condição que mais frequentemente se associa ao pé torto congênito, incluindo a forma calcâneo-valgo descrita no enunciado.