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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg131079
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Radioterapia

Para pacientes com carcinoma lobular in situ de mama, avalie se são recomendadas:



I. Mastectomia bilateral;


II. Mastectomia unilateral;


III. Vigilância.



Está correto o que se indica em

  1. AI, apenas.
  2. BII, apenas.
  3. CIII, apenas.
  4. DI e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I e III, apenas.

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Letra D; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma lobular in situ (CLIS): conduta e vigilância

Gabarito: letra D. Para o carcinoma lobular in situ (CLIS), a conduta recomendada é a vigilância (item III), e não a mastectomia profilática de rotina — nem unilateral (item II) nem bilateral (item I). O CLIS é um marcador de risco aumentado de câncer de mama bilateral, e não uma lesão que exija tratamento cirúrgico imediato; a mastectomia bilateral pode ser considerada apenas como profilaxia em casos selecionados de alto risco, não como conduta padrão.

O carcinoma lobular in situ é uma lesão não invasiva da mama, caracterizada pela proliferação de células lobulares atípicas confinadas aos lóbulos, sem rompimento da membrana basal. Diferentemente do carcinoma ductal in situ (CDIS), que é uma lesão precursora direta do câncer invasivo, o CLIS é considerado um marcador de risco — ou seja, sua presença indica que a paciente tem risco aumentado de desenvolver câncer de mama em ambas as mamas, mas não que a lesão em si vá progredir para invasão naquele local específico. Essa distinção é fundamental para entender por que a mastectomia não é a conduta padrão.

A conduta clássica para o CLIS é a vigilância clínica e radiológica, com exames de imagem periódicos (mamografia anual, por exemplo) e exame clínico regular. Isso porque a maioria das pacientes com CLIS nunca desenvolverá câncer de mama, e quando desenvolvem, o tumor pode surgir em qualquer das duas mamas, não necessariamente no local da biópsia. A mastectomia bilateral, embora seja uma opção de redução de risco (profilática) para pacientes de alto risco — como aquelas com forte história familiar ou mutações genéticas (BRCA1/BRCA2) —, não é indicada de rotina para todas as pacientes com CLIS. A decisão de realizar mastectomia profilática é individualizada, levando em conta o risco genético, a história familiar, a densidade mamária e a preferência da paciente, após aconselhamento adequado.

A mastectomia unilateral (item II) não faz sentido no contexto do CLIS, pois o risco aumentado é bilateral — remover apenas uma mama não elimina o risco na mama contralateral. Portanto, se a cirurgia profilática for considerada, ela seria bilateral, e não unilateral. Além disso, a mastectomia unilateral não é uma opção de tratamento para o CLIS em si, já que a lesão não é invasiva e não requer excisão cirúrgica como o CDIS.

A banca explora aqui a confusão entre CLIS (marcador de risco) e CDIS (lesão precursora): enquanto o CDIS é tratado com excisão cirúrgica (com margens negativas) e radioterapia, o CLIS é manejado com vigilância. Essa distinção é o critério decisivo que separa as alternativas — guarde-a bem.

Carcinoma lobular in situ (CLIS)
  • 1Natureza
    • Lesão não invasiva
    • Marcador de risco bilateral
  • 2Conduta padrão
    • Vigilância clínica e radiológica
    • Quimioprofilaxia (SERM)
  • 3Mastectomia
    • Unilateral (não protege mama contralateral)
    • Bilateral de rotina
      • Profilática em alto risco (BRCA, história familiar)
  • 4Distinção-chave
    • CLIS → marcador de risco → vigilância
    • CDIS → lesão precursora → excisão cirúrgica
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Item I — ❌ Incorreto

A mastectomia bilateral não é recomendada de rotina para todas as pacientes com CLIS. Ela é uma opção de profilaxia (redução de risco) apenas para casos selecionados de alto risco, como portadoras de mutações BRCA ou com forte história familiar. A conduta padrão para o CLIS é a vigilância, não a cirurgia. Afirmar que a mastectomia bilateral é "recomendada" para pacientes com CLIS, sem qualificação, é uma generalização indevida.

Item II — ❌ Incorreto

A mastectomia unilateral não é recomendada para o CLIS, pois o risco aumentado de câncer de mama é bilateral. Remover apenas uma mama não protege contra o risco na mama contralateral. Além disso, o CLIS não é uma lesão que exija excisão cirúrgica local, como o CDIS. A mastectomia unilateral não tem papel no manejo padrão do CLIS.

Item III — ✅ Correto

A vigilância é a conduta recomendada para o CLIS. Isso inclui exame clínico regular e mamografia anual (ou outro exame de imagem conforme a idade e densidade mamária), além de considerar quimioprofilaxia com moduladores seletivos dos receptores de estrogênio (SERM), como tamoxifeno ou raloxifeno, para redução de risco. A vigilância é a abordagem padrão porque o CLIS é um marcador de risco bilateral, e não uma lesão que progride localmente de forma previsível.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o CLIS pelo CDIS. No CDIS, o tratamento é cirúrgico (excisão com margens negativas + radioterapia); no CLIS, a conduta é vigilância. O candidato que associa "carcinoma in situ" a "cirurgia imediata" cai na armadilha e marca mastectomia. Lembre-se: CLIS = marcador de risco → vigilância; CDIS = lesão precursora → excisão.

Conclusão: Corretos apenas os itens I e III? Não — corretos apenas o item III. Portanto, a alternativa correta é a letra C (III, apenas).

Gabarito: letra C

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