Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026
- Código
- fg131080
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo - Radioterapia
- Adisfagia.
- Bodinofagia.
- Crouquidão.
- Ddor retroesternal.
- Eperda de peso.
GabaritoA — disfagia.
Gabarito: letra A. A disfagia (dificuldade de deglutição) é o sintoma mais comum e frequentemente o primeiro sinal do câncer de esôfago, presente na grande maioria dos pacientes ao diagnóstico. Embora a perda de peso também seja um sintoma inicial frequente, a disfagia progressiva é a queixa cardinal que leva o paciente a procurar atendimento, sendo o marco da apresentação clínica da doença.
O câncer de esôfago é uma neoplasia de alta letalidade, com sobrevida em 5 anos de apenas 15 a 20%. Sua apresentação clínica clássica é dominada pela disfagia progressiva, que reflete a obstrução mecânica do lúmen esofágico pelo tumor. Inicialmente, o paciente nota dificuldade para engolir alimentos sólidos; com a progressão da doença, a disfagia passa a ocorrer também para líquidos. Esse sintoma é tão característico que, em mais de 80% dos casos, a história clínica já indica o diagnóstico com grande probabilidade. A perda de peso, embora também seja um sintoma inicial comum, geralmente acompanha a disfagia e reflete a dificuldade alimentar e o estado catabólico do câncer.
A fisiopatologia explica por que a disfagia é o sintoma predominante: o esôfago é um tubo muscular que conduz o alimento da faringe ao estômago. Quando uma neoplasia cresce em sua parede, ela reduz o diâmetro do lúmen, criando uma obstrução mecânica progressiva. O paciente percebe essa obstrução como dificuldade de deglutição, primeiro para sólidos e depois para líquidos. É importante distinguir a disfagia da odinofagia (dor à deglutição), que é mais característica de processos inflamatórios ou infecciosos, como a esofagite infecciosa em pacientes imunocomprometidos. A rouquidão pode ocorrer no câncer de esôfago, mas geralmente é um sinal de doença avançada, quando o tumor invade o nervo laríngeo recorrente. A dor retroesternal é um sintoma inespecífico, que pode ocorrer em diversas doenças esofágicas, mas não é o sintoma mais comum do câncer de esôfago.
Na prática clínica, o paciente típico com câncer de esôfago é um homem de meia-idade ou idoso, com história de tabagismo e etilismo (no caso do carcinoma de células escamosas) ou com obesidade e doença do refluxo gastroesofágico (no caso do adenocarcinoma). Ele procura o médico porque nota que a comida "emperra" ao descer, inicialmente com carnes e pães, e progressivamente com alimentos mais pastosos e até líquidos. A perda de peso é consequência direta dessa dificuldade alimentar, associada ao hipermetabolismo do câncer. A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha para o diagnóstico, permitindo a visualização direta da lesão e a biópsia para confirmação histológica.
A banca explora a confusão entre os sintomas esofágicos, especialmente entre disfagia e odinofagia, e entre o sintoma mais comum e outros sintomas que também ocorrem, mas com menor frequência ou em fases mais avançadas. O candidato que não domina a apresentação clínica do câncer de esôfago pode ser tentado a escolher a perda de peso, por ser um sintoma constitucional marcante, ou a odinofagia, por ser um sintoma esofágico específico. No entanto, a disfagia é o sintoma mais comum e o que define a apresentação clássica da doença.
Guarde a hierarquia dos sintomas do câncer de esôfago: disfagia é o sintoma mais comum e o primeiro a aparecer; perda de peso é o segundo sintoma mais frequente; odinofagia, rouquidão e dor retroesternal são menos comuns e geralmente indicam doença mais avançada ou complicações. É exatamente essa hierarquia que separa a alternativa correta das demais.
A disfagia é o sintoma mais comum do câncer de esôfago. A literatura médica é consistente ao afirmar que a disfagia progressiva é a queixa inicial e mais frequente, presente em cerca de 90% dos pacientes ao diagnóstico. O mecanismo é a obstrução mecânica do lúmen esofágico pelo tumor, que dificulta a passagem do alimento. A disfagia é tão característica que, quando progressiva e associada à perda de peso, praticamente fecha o diagnóstico clínico de neoplasia esofágica.
A odinofagia (dor à deglutição) não é o sintoma mais comum do câncer de esôfago. Ela é mais característica de esofagite infecciosa (especialmente por Candida em imunocomprometidos), esofagite por medicamentos ou DRGE. No câncer de esofago, a odinofagia pode ocorrer, mas é menos frequente que a disfagia e geralmente não é o sintoma de apresentação.
A rouquidão não é o sintoma mais comum do câncer de esôfago. Ela ocorre quando o tumor invade o nervo laríngeo recorrente, o que é um sinal de doença localmente avançada. A rouquidão que precede a disfagia sugere lesão primária em laringe; quando surge após a disfagia, indica extensão do carcinoma de esôfago ao nervo laríngeo recorrente.
A dor retroesternal é um sintoma inespecífico, que pode ocorrer em diversas doenças esofágicas (DRGE, esofagite, espasmo esofágico) e também em doenças cardíacas. No câncer de esôfago, a dor retroesternal pode estar presente, mas não é o sintoma mais comum nem o mais característico.
A perda de peso é um sintoma frequente no câncer de esôfago, mas não é o mais comum. Ela geralmente acompanha a disfagia, como consequência da dificuldade alimentar e do estado catabólico do câncer. A disfagia é o sintoma que leva o paciente a procurar atendimento e é o marco da apresentação clínica.
Para questões sobre sintomas de câncer de esôfago, memorize a tríade clássica: disfagia progressiva (sintoma mais comum), perda de peso (segundo mais frequente) e odinofagia (menos comum). A rouquidão e a dor retroesternal são sintomas de doença avançada ou complicações. Essa hierarquia resolve a maioria das questões sobre o tema.
Gabarito: letra A
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