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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg131082
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Radioterapia
Paciente de 11 anos, apresentou quadro de hipertensão intracraniana e exame de imagem com lesão em região de cerebelo. Devido ao quadro, foi submetido à cirurgia, e o laudo histopatológico mostrou meduloblastoma. Na presente data, encontra-se no D0 pós-cirurgia.A melhor conduta a ser adotada para esse caso clínico é
  1. Arealizar RM de neuroeixo e punção liquórica em até 72 h.
  2. Biniciar de imediato o tratamento concomitante com quimioterapia e radioterapia de crânio e neuroeixo.
  3. Ciniciar radioterapia exclusiva de fossa posterior.
  4. Diniciar quimioterapia neoadjuvante antes do estadiamento do neuroeixo.
  5. Erealizar RM de neuroeixo em até 72 h e a punção liquórica entre 10 a 14 dias.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — realizar RM de neuroeixo em até 72 h e a punção liquórica entre 10 a 14 dias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meduloblastoma: estadiamento e conduta no pós-operatório

Gabarito: letra E. No meduloblastoma, tumor embrionário maligno do sistema nervoso central mais comum na infância, a conduta imediata após a ressecção cirúrgica é o estadiamento do neuroeixo, que compreende a RM de neuroeixo em até 72 horas e a punção liquórica entre 10 e 14 dias após a cirurgia. Essa sequência e esses prazos são essenciais para definir o risco do paciente e, consequentemente, o tratamento adjuvante (quimioterapia e radioterapia cranioespinhal). A alternativa E reproduz exatamente essa conduta.

O meduloblastoma é um tumor que se origina no cerebelo e tem alta tendência a disseminar-se pelo líquido cefalorraquidiano (LCR), formando metástases leptomeníngeas ao longo do neuroeixo (cérebro e medula espinhal). Por isso, o estadiamento não se limita ao crânio: é preciso avaliar todo o sistema nervoso central. A RM de neuroeixo (crânio e coluna total) é o exame de imagem que detecta essas metástases. Já a punção liquórica (coleta de LCR por punção lombar) pesquisa células tumorais no líquido — a chamada citologia oncótica —, que é um marcador prognóstico fundamental.

O momento de cada exame não é aleatório. A RM deve ser feita em até 72 horas após a cirurgia, pois, com o passar do tempo, o edema e as alterações pós-operatórias podem dificultar a interpretação das imagens, mascarando ou simulando doença residual. Já a punção liquórica deve ser adiada para entre 10 e 14 dias após a cirurgia, porque, nas primeiras semanas, o LCR pode conter células tumorais que foram liberadas durante a manipulação cirúrgica (contaminação sanguínea ou celular), o que geraria um resultado falso-positivo. Esperar esse intervalo permite que o LCR "limpe" essas células, tornando o exame mais fidedigno.

A classificação de risco no meduloblastoma (padrão ou alto risco) depende de três fatores: (1) idade do paciente (menores de 3 anos são considerados de alto risco), (2) extensão da ressecção cirúrgica (ressecção total vs. residual > 1,5 cm²) e (3) presença de doença metastática (M0 vs. M1-M3), avaliada pela RM e pela citologia do LCR. O tratamento adjuvante — quimioterapia e radioterapia cranioespinhal — só é definido após esse estadiamento completo. Iniciar qualquer tratamento antes disso, ou fazer apenas radioterapia local, seria um erro grave, pois subestimaria a doença e comprometeria o prognóstico.

A pegadinha central desta questão está na ordem e no prazo dos exames: a banca troca o prazo da punção liquórica (que deve ser entre 10 e 14 dias) pelo prazo da RM (até 72 horas), como faz a alternativa A. Guarde a lógica: a RM é precoce (até 72h) porque o tempo atrapalha a imagem; a punção é tardia (10-14 dias) porque o tempo ajuda a evitar falso-positivo. É exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Cirurgia (D0)
  2. 2RM neuroeixo (até 72h)
  3. 3Punção liquórica (10-14 dias)
  4. 4Definir risco e adjuvância
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao unificar os prazos: propõe realizar RM de neuroeixo e punção liquórica em até 72 h. A RM realmente deve ser feita nesse prazo, mas a punção liquórica não — ela deve ser adiada para entre 10 e 14 dias após a cirurgia, para evitar falso-positivo por contaminação do LCR com células tumorais liberadas no ato operatório. A banca troca o prazo correto da punção pelo prazo da RM.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe iniciar de imediato quimioterapia e radioterapia de crânio e neuroeixo. Isso é um erro grave: o tratamento adjuvante só deve ser iniciado após o estadiamento completo (RM de neuroeixo + punção liquórica), que define o risco do paciente e a intensidade do tratamento. Iniciar "de imediato" sem estadiar pode levar a tratamento inadequado (sub ou supertratamento). Além disso, a radioterapia cranioespinhal em crianças pequenas tem sequelas importantes e é planejada com base no estadiamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe radioterapia exclusiva de fossa posterior. Isso contraria o princípio do tratamento do meduloblastoma, que é uma doença de todo o neuroeixo (alto risco de disseminação pelo LCR). A radioterapia exclusiva local (fossa posterior) não trata as metástases leptomeníngeas que podem já existir ou vir a surgir. O padrão é a radioterapia cranioespinhal (crânio + neuroeixo), com reforço na fossa posterior, sempre associada à quimioterapia. Além disso, a radioterapia não é a primeira conduta no D0 pós-operatório — primeiro se estadiia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Propõe quimioterapia neoadjuvante antes do estadiamento do neuroeixo. O estadiamento é justamente o que define a necessidade e o tipo de quimioterapia. Fazer quimioterapia antes de saber se há doença metastática (M0 vs. M+) é um erro de sequenciamento. A quimioterapia neoadjuvante pode ser considerada em situações específicas (ex.: tumores irressecáveis ou em crianças muito pequenas para adiar radioterapia), mas nunca antes do estadiamento, que é o primeiro passo após a cirurgia.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reproduz exatamente a conduta recomendada: RM de neuroeixo em até 72 h (para avaliar doença residual e metástases antes que o edema pós-operatório atrapalhe a imagem) e punção liquórica entre 10 e 14 dias (para pesquisa de células tumorais no LCR, evitando falso-positivo por contaminação cirúrgica). Essa é a sequência e o prazo corretos para o estadiamento do meduloblastoma no pós-operatório imediato, antes de definir o tratamento adjuvante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os prazos dos dois exames de estadiamento. A RM é precoce (até 72h) porque o tempo atrapalha a imagem; a punção é tardia (10-14 dias) porque o tempo evita falso-positivo. A alternativa A inverte exatamente essa lógica, unificando os prazos. Na prova, desconfie sempre que uma alternativa "simplificar" dois prazos diferentes em um só.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, pense na razão de cada prazo: RM cedo (imagem limpa) e punção tarde (LCR limpo). Se a alternativa trouxer os dois exames com o mesmo prazo, está errada. E lembre: o estadiamento sempre precede o tratamento adjuvante no meduloblastoma.

Gabarito: letra E

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