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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2026

MedicinaOncologia
Código
fg131084
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Grupo - Radioterapia
Paciente do sexo feminino, 44 anos, apresentava metrorragia e foi então submetida à cirurgia oncológica. No laudo histopatológico obteve-se: carcinoma epidermoide do colo uterino, medindo 3,6 cm, margens positivas nos paramétrios. Não apresenta outros achados dignos de nota.Nesse caso, a melhor conduta a ser tomada para a paciente é
  1. Aradioquimioterapia +/- braquiterapia.
  2. Bbraquiterapia exclusiva.
  3. Cradioterapia exclusiva.
  4. Dquimioterapia exclusiva.
  5. Eobservação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — radioquimioterapia +/- braquiterapia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de colo do útero: conduta após cirurgia com margens positivas

Gabarito: letra A. A paciente apresenta carcinoma epidermoide do colo uterino com margens positivas nos paramétrios, o que configura doença localmente avançada (estágio ≥ IIB) e indica radioquimioterapia concomitante, com braquiterapia, conforme o manejo padrão para esses casos. A cirurgia radical já foi realizada, mas a presença de margens comprometidas exige tratamento adjuvante definitivo, e a quimioterapia atua como radiossensibilizador, potencializando o efeito da radioterapia.

O câncer de colo do útero é uma neoplasia cujo tratamento depende fundamentalmente do estadiamento clínico (FIGO). Nos estágios iniciais (IA, IB1, IIA1), a cirurgia radical — histerectomia radical com linfadenectomia pélvica — é a opção preferencial, com excelentes taxas de sobrevida. Já nos estágios localmente avançados (≥ IIB, com comprometimento de paramétrios) ou em tumores volumosos (> 4 cm), a radioquimioterapia concomitante é o tratamento de escolha, pois a cirurgia nesses casos apresenta altas taxas de recorrência e necessidade de radioterapia pós-operatória, que aumenta as complicações sem melhorar a sobrevida.

No caso apresentado, a paciente foi submetida à cirurgia oncológica, mas o laudo revelou margens positivas nos paramétrios. Isso significa que a doença não foi completamente ressecada e há doença residual local. A conduta adequada é a radioquimioterapia adjuvante, que combina radioterapia externa (teleterapia) com quimioterapia à base de platina (cisplatina, isolada ou associada a 5-fluorouracil), seguida de braquiterapia para complementar a dose na região cervical e parametrial. A quimioterapia, nesse contexto, não é curativa isoladamente, mas atua como radiossensibilizador, aumentando a efetividade da radiação e melhorando a sobrevida global e a redução das taxas de recorrência.

A braquiterapia exclusiva, a radioterapia exclusiva ou a quimioterapia exclusiva são opções inadequadas, pois não abordam a doença de forma integral. A observação, por sua vez, seria um erro grave, pois há doença residual comprovada, com alto risco de progressão e recidiva. O tratamento deve ser agressivo e multimodal, visando à cura.

A distinção crucial é entre doença inicial (tratada com cirurgia) e doença localmente avançada (tratada com radioquimioterapia). A presença de margens positivas nos paramétrios é um marcador de doença localmente avançada, mesmo que a cirurgia tenha sido realizada. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que, como a cirurgia já foi feita, a conduta seria apenas observação ou radioterapia isolada, mas a necessidade de quimioterapia concomitante é o ponto-chave.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a escolher "radioterapia exclusiva" ou "observação", como se a cirurgia tivesse resolvido o problema. No entanto, margens positivas nos paramétrios indicam doença residual e exigem radioquimioterapia adjuvante, não apenas radioterapia. A quimioterapia é essencial como radiossensibilizador, e a braquiterapia complementa a dose local. Fique atento: a presença de comprometimento parametrial é o divisor de águas entre tratamento cirúrgico e radioquimioterápico.

Câncer de colo do útero
  • 1Estadiamento clínico (FIGO)
    • Inicial (IA, IB1, IIA1)
      • Cirurgia radical
    • Localmente avançado (≥ IIB)
      • Comprometimento de paramétrios
      • Radioquimioterapia + braquiterapia
  • 2Margens positivas nos paramétrios
    • Doença residual
    • Observação (erro grave)
    • Braquiterapia exclusiva
    • Radioterapia exclusiva
    • Quimioterapia exclusiva
    • Radioquimioterapia + braquiterapia
      • QT = radiossensibilizador
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A radioquimioterapia +/- braquiterapia é a conduta correta. A paciente tem carcinoma epidermoide do colo uterino com margens positivas nos paramétrios, o que caracteriza doença localmente avançada (estágio ≥ IIB). Nesses casos, a quimiorradiação concomitante é o tratamento padrão, com a quimioterapia (cisplatina) atuando como radiossensibilizador para aumentar a efetividade da radiação. A braquiterapia é adicionada para complementar a dose na região cervical e parametrial, melhorando o controle local. Essa abordagem está associada à melhora da sobrevida e à redução das taxas de recorrência, conforme o manejo estabelecido para doença localmente avançada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A braquiterapia exclusiva é insuficiente. A braquiterapia é uma modalidade de radioterapia que entrega alta dose de radiação localmente, mas, isoladamente, não trata adequadamente a doença que se estende aos paramétrios. A paciente necessita de radioterapia externa (teleterapia) para cobrir a pelve e os paramétrios, associada à quimioterapia. A braquiterapia exclusiva seria indicada apenas para lesões muito iniciais e superficiais, o que não é o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia exclusiva é inadequada. Embora a radioterapia seja um componente essencial do tratamento, a quimioterapia concomitante é fundamental para potencializar o efeito da radiação e melhorar a sobrevida. Estudos demonstram que a quimiorradiação é superior à radioterapia isolada em doença localmente avançada, com melhores taxas de controle local e sobrevida global. Portanto, a radioterapia exclusiva não é a melhor conduta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A quimioterapia exclusiva não é curativa para doença localmente avançada. A quimioterapia isolada não é o tratamento padrão para câncer de colo do útero localmente avançado, pois não erradica a doença local de forma eficaz. Ela é utilizada como radiossensibilizador em associação com a radioterapia, e não como tratamento único. A quimioterapia exclusiva seria considerada apenas em casos de doença metastática, com intenção paliativa, o que não se aplica a esta paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A observação é um erro grave. A presença de margens positivas nos paramétrios indica doença residual comprovada, com alto risco de progressão e recidiva. A conduta expectante não é aceitável, pois a paciente tem doença ativa que requer tratamento imediato. A observação seria considerada apenas em casos de doença completamente ressecada com margens negativas e fatores de risco ausentes, o que não é o caso.

Gabarito: letra A — radioquimioterapia +/- braquiterapia é a conduta correta para doença localmente avançada com margens positivas nos paramétrios.

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