Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg131158
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM)

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.



    Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!


    Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...


(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.) 

Assinale a opção em que a reescrita do trecho “Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz (...)” mantém o sentido original.
  1. AAs insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas.
  2. BAs insensíveis colhem rosas, que vivem eternamente na doce paz.
  3. CEternamente na doce paz vivem as insensíveis que colhem rosas.
  4. DAs insensíveis eternamente colhem rosas, que vivem na doce paz.
  5. ENa doce paz, eternamente vivem as rosas, que colhem as insensíveis.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — As insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita do trecho mantendo o sentido original

Gabarito: letra A. A única alternativa que preserva a estrutura sintático-semântica original é a A, pois mantém a oração adjetiva explicativa (com vírgula) referindo-se ao sujeito "as insensíveis" e a ação principal "colhem rosas". No trecho original, "Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz", a oração "que vivem eternamente na doce paz" é uma explicação (adjetiva explicativa) sobre "as insensíveis". A reescrita deve manter essa relação: o sujeito é "as insensíveis", o verbo principal é "colhem", e a oração adjetiva modifica o sujeito.

Estrutura

Original

Alternativa A (✅)

Alternativa B (❌)

Alternativa C (❌)

Alternativa D (❌)

Sujeito

As insensíveis

As insensíveis

As insensíveis

As insensíveis

As insensíveis

Verbo principal

Colhem

Colhem

Colhem

Vivem

Colhem

Objeto direto

Rosas

Rosas

Rosas

—

Rosas

Oração adjetiva

Que vivem... (explicativa, ref. ao sujeito)

Que vivem... (explicativa, ref. ao sujeito)

Que vivem... (ref. a "rosas")

Que colhem... (restritiva, ref. ao sujeito)

Que vivem... (ref. a "rosas")

Sentido preservado?

—

✅ Sim

❌ Não (quem vive na paz são as rosas)

❌ Não (verbo principal trocado; restritiva)

❌ Não (quem vive na paz são as rosas)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"As insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas."

A estrutura é: sujeito (as insensíveis) + oração adjetiva explicativa (que vivem...) + verbo (colhem) + objeto (rosas). Exatamente a mesma relação do original: as insensíveis colhem rosas e, por serem insensíveis, vivem na doce paz. A vírgula isola a explicação, mantendo o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"As insensíveis colhem rosas, que vivem eternamente na doce paz."

A oração adjetiva "que vivem..." agora se refere a "rosas" (substantivo imediatamente anterior). O sentido muda: quem vive na doce paz são as rosas, não as insensíveis. Há uma troca do referente do pronome relativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Eternamente na doce paz vivem as insensíveis que colhem rosas."

Aqui a oração "que colhem rosas" é restritiva (sem vírgula) e modifica "as insensíveis", mas o verbo principal passa a ser "vivem", enquanto no original o verbo principal era "colhem". A ênfase e a ordem dos fatos se alteram: no original, a ação de colher é destacada; nesta reescrita, a ênfase recai sobre o estado de viver na paz. Além disso, a ausência da vírgula transforma a explicação em restrição, o que também altera o sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"As insensíveis eternamente colhem rosas, que vivem na doce paz."

Novamente a oração adjetiva "que vivem..." é atraída pelo termo mais próximo, "rosas", gerando o mesmo erro da alternativa B: as rosas é que vivem na paz. O advérbio "eternamente" deslocado não altera o problema central.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Na doce paz, eternamente vivem as rosas, que colhem as insensíveis."

Esta reescrita inverte completamente a relação: o sujeito passa a ser "as rosas", o verbo "vivem", e a oração adjetiva "que colhem as insensíveis" agora modifica "as rosas", afirmando que as rosas colhem as insensíveis. Além de mudar o referente, inverte-se o papel semântico: no original, as insensíveis colhem rosas; aqui, as rosas colhem as insensíveis. Sentido oposto.

NÃO CAIA NESSA!

O pronome relativo "que" pode referir-se a diferentes antecedentes. As alternativas B, D e E exploram essa ambiguidade, fazendo com que a oração adjetiva modifique o termo errado, alterando o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em reescritas, identifique primeiro o sujeito e o verbo principal do trecho original. Depois, verifique a quem se refere cada oração adjetiva – se houver vírgula, é explicativa e deve permanecer modificando o mesmo termo.

Link permanente: /questoes/fg131158