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Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2026

PortuguêsCoesão e coerência
Código
fg131209
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ)

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.



Maria  


     Maria estava parada há mais de meia hora no ponto de ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. O osso do pernil e as frutas que tinham enfeitado a mesa. Ganhara as frutas e uma gorjeta. O osso a patroa ia jogar fora. Estava feliz, apesar do cansaço. A gorjeta chegara numa hora boa. Os dois filhos menores estavam muito gripados. Precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir o nariz. Daria para comprar também uma lata de Toddy. As frutas estavam ótimas e havia melão. As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?


     A palma de uma de suas mãos doía. Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa. Que coisa! Faca-laser corta até a vida! 


     Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem assentou-se ao lado dela. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai do seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? Cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também! Homens também? Eles haveriam de ter outra vida. Com eles tudo haveria de ser diferente. Maria, não te esqueci! Tá tudo aqui no buraco do peito...


EVARISTO, Conceição. Olhos D’água (adaptado). Rio de Janeiro: Pallas/Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 

Leia o fragmento a seguir.



“As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?”



Assinale a opção que indica a relação estabelecida pelos elementos em destaque.

  1. APosterioridade / anterioridade.
  2. BGeneralização / especificação.
  3. COposição / inclusão.
  4. DAdição / alternância.
  5. ECausa / consequência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Generalização / especificação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação entre 'crianças' e 'meninos' – Generalização / Especificação

Gabarito: letra B. O par "crianças" (termo mais amplo) e "meninos" (termo mais específico) estabelece uma relação de generalização (crianças) para especificação (meninos). Não há ideia de tempo, oposição, adição ou causa.

Prova no texto

"As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?"

O termo "crianças" abrange tanto meninos quanto meninas; "meninos" é um subconjunto. Essa passagem mostra claramente a passagem do geral para o particular.

Relação entre termos
  • 1Generalização (hiperônimo)
    • Crianças (todo o grupo)
  • 2Especificação (hipônimo)
    • Meninos (subconjunto)
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há relação de posterioridade (depois) / anterioridade (antes). O texto não indica sequência temporal entre os termos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Crianças" é o termo genérico (todo o grupo); "meninos" é a especificação (parte do grupo). É a clássica relação de hiperônimo / hipônimo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Não há oposição (ideia contrária) nem inclusão (sentido de continente/conteúdo). Os termos não se opõem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema. Não há adição (soma de ideias) nem alternância (ideias que se substituem). O segundo período não acrescenta nem alterna; apenas especifica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Não há causa (motivo) nem consequência (efeito). Saber que as crianças não comeram melão não é causa de perguntar se os meninos gostam – é uma especificação.

PEGA ESSA DICA!

Sempre verifique se um termo é mais abrangente (hiperônimo) que o outro. Palavras como "crianças" (geral) e "meninos" (particular) indicam essa relação.

Gabarito: letra B.

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