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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FGV 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
fg131216
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2026
Nível
Médio
Cargo
Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ)

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se à questão.



Maria  


     Maria estava parada há mais de meia hora no ponto de ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. O osso do pernil e as frutas que tinham enfeitado a mesa. Ganhara as frutas e uma gorjeta. O osso a patroa ia jogar fora. Estava feliz, apesar do cansaço. A gorjeta chegara numa hora boa. Os dois filhos menores estavam muito gripados. Precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir o nariz. Daria para comprar também uma lata de Toddy. As frutas estavam ótimas e havia melão. As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?


     A palma de uma de suas mãos doía. Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa. Que coisa! Faca-laser corta até a vida! 


     Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem assentou-se ao lado dela. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai do seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? Cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também! Homens também? Eles haveriam de ter outra vida. Com eles tudo haveria de ser diferente. Maria, não te esqueci! Tá tudo aqui no buraco do peito...


EVARISTO, Conceição. Olhos D’água (adaptado). Rio de Janeiro: Pallas/Fundação Biblioteca Nacional, 2016. 

Assinale a frase que completa corretamente a correspondência verbal da seguinte frase: Quando a distância for menor, eu _____.
  1. Airia a pé.
  2. Birei a pé.
  3. Cteria ido a pé.
  4. Dterei ido a pé.
  5. Evou a pé.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — irei a pé.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correspondência verbal em orações temporais/condicionais

Gabarito: letra B. A frase "Quando a distância for menor" emprega o futuro do subjuntivo ("for") na oração subordinada. A regra de concordância verbal exige que a oração principal utilize o futuro do presente do indicativo ("irei a pé"). O texto-base fornece um exemplo com estrutura diferente: "Se a distância fosse menor, teria ido a pé." Ali, o "se" com imperfeito do subjuntivo ("fosse") rege o futuro do pretérito ("teria ido"). Contudo, com "quando" e futuro do subjuntivo, o padrão é outro.

Trecho do texto: "Se a distância fosse menor, teria ido a pé."

Esse fragmento mostra a correspondência correta para condicional hipotética no passado. A questão, porém, pede a correspondência para fato futuro certo ("quando"). É a diferença entre o mundo hipotético e o mundo real futuro.

Alternativa

Verbo / Tempo-Modo

Correspondência com "quando a distância for menor" (futuro do subjuntivo)

Correto?

A

iria a pé (futuro do pretérito)

Exigiria imperfeito do subjuntivo ("se fosse") ou mais-que-perfeito ("se tivesse sido")

❌

B

irei a pé (futuro do presente)

Exigida pelo futuro do subjuntivo em orações temporais/condicionais de fato futuro

✅

C

teria ido a pé (futuro do pretérito composto)

Exigiria mais-que-perfeito do subjuntivo ("se tivesse ido") ou imperfeito para hipóteses passadas

❌

D

terei ido a pé (futuro do presente composto)

Expressa ação concluída antes de outra futura; não se encaixa na relação direta de simultaneidade/sequência imediata

❌

E

vou a pé (presente do indicativo)

Usado para fatos certos no presente, não para projeção futura com "quando" + futuro do subjuntivo

❌

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Iria a pé" (futuro do pretérito) corresponde ao imperfeito do subjuntivo ("se fosse") ou ao mais-que-perfeito ("se tivesse sido"). Não se encaixa com "quando a distância for menor"; a relação temporal é outra. O texto usa "iria" exatamente na estrutura com "se" e "fosse". Erro: generalização indevida — o candidato vê "iria" no texto e aplica à nova estrutura.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Irei a pé" (futuro do presente do indicativo) é a forma exigida pelo futuro do subjuntivo em orações temporais/condicionais com valor de futuro. A regra é clássica: "Quando + futuro do subjuntivo, a oração principal usa futuro do presente". Nenhum elemento do texto contradiz isso; o exemplo com "se" é distinto, mas a regra se mantém.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Teria ido a pé" (futuro do pretérito composto) corresponde ao mais-que-perfeito do subjuntivo ("se tivesse ido") ou ao imperfeito para hipóteses no passado. Não combina com "for" (futuro do subjuntivo). Erro: extrapolação — o candidato pega a estrutura do texto e a aplica, ignorando a diferença entre "se" e "quando".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Terei ido a pé" (futuro do presente composto) expressa uma ação concluída antes de outra futura. A oração principal não pede anterioridade; pede simplesmente uma ação futura simultânea à subordinada. Erro: restrição/tempo inadequado — embora seja futuro, o aspecto perfeito não é adequado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Vou a pé" (presente do indicativo) pode, na oralidade, indicar futuro, mas a correção gramatical formal exige o futuro do presente. Em provas de concurso, a correspondência padrão é a literal (futuro do subjuntivo + futuro do presente). Erro: registro informal ou falta de correspondência exata.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a semelhança com o exemplo do texto ("se fosse… teria ido") para induzir a escolha de "iria" ou "teria ido". O candidato que não domina a regra de "quando + futuro do subjuntivo" cai nessa armadilha.

Conclusão: A única alternativa que respeita a correspondência verbal é a letra B.

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