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Questão de Criminologia — Criminologia Contemporânea: “Bullying”, Justiça Restaurativa e Mediação Penal, Justiça Terapêutica, Justiça Instantânea, Exame Criminológico e Reintegração Social. Teorias da Pena, Reação Social e Prevenção da Criminalidade. — FGV 2026

CriminologiaCriminologia Contemporânea: “Bullying”, Justiça Restaurativa e Mediação Penal, Justiça Terapêutica, Justiça Instantânea, Exame Criminológico e Reintegração Social. Teorias da Pena, Reação Social e Prevenção da Criminalidade.
Código
fg131495
Banca
FGV
Órgão
PC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia
Leia a pesquisa a seguir sobre os casos de feminicídio no estado do Piauí durante a pandemia de COVID-19.Observando o recorte racial e a faixa etária da vítima de feminicídio em 2020, nota-se que mais de 80% eram negras, 32,2% tinham entre 20 e 29 anos e a idade média da vítima é 37 anos. Um elemento que se fez notar é a presença das mulheres negras vítimas de feminicídio em todas as faixas etárias, em contraste com as não negras. A partir da fase de distanciamento social, é possível observar comportamentos distintos nos feminicídios, considerando os casos da capital e do interior. Na capital, a maior incidência proporcional ocorreu na fase mais restritiva do distanciamento social (50%), enquanto no interior, o aumento da incidência se deu durante a flexibilização do distanciamento social (56%). Observando o tipo de instrumento utilizado para o assassinato e o recorte racial da vítima identificamos que, entre as mulheres negras, houve uma maior variação de instrumentos, em comparação com as mulheres não negras. Quanto à classificação racial, o estudo revelou que aproximadamente 82% dos autores eram negros. A residência foi o local preponderante do feminicídio em 2020, representando aproximadamente 74% dos casos registrados, tanto na capital (83,3%), quando no interior (72%).Adaptado de ALBUQUERQUE, Rossana e João Marcelo Aguiar. “Espaço da Casa, Cenário da Morte: Uma Abordagem Interseccional sobre os Feminicídios no Estado do Piauí no Contexto da Pandemia”. Revista Latino-Americana de Geografia e Gênero, v. 12, n. 2.Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação dos dados sobre feminicídio no estado do Piauí.
  1. AO pertencimento ao gênero masculino dos autores dos crimes indica a existência de uma uniformidade em seus comportamentos machistas, de modo que a dimensão de gênero se revela o fator principal para explicar o fenômeno.
  2. BA diferença temporal entre capital e interior, com maior incidência na fase restritiva na capital e durante a flexibilização no interior, indica que as dinâmicas do feminicídio variam conforme contexto social e territorial.
  3. CA predominância do feminicídio no ambiente residencial indica tratar-se de um fenômeno essencialmente doméstico, relacionado sobretudo a dinâmicas interpessoais de caráter afetivo-relacional, em detrimento de fatores estruturais.
  4. DA preponderância de autores e vítimas afrodescendentes evidencia que o problema possui dimensão racial específica desse grupo social, devendo ser compreendido como manifestação de racismo.
  5. EA variação do instrumento utilizado indica diferenças no modo de perpetrar a violência, mostrando que os corpos de mulheres afrodescendentes são mais violados e resistentes à dor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A diferença temporal entre capital e interior, com maior incidência na fase restritiva na capital e durante a flexibilização no interior, indica que as dinâmicas do feminicídio variam conforme contexto social e territorial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de dados sobre feminicídio no Piauí

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que apresenta uma conclusão diretamente amparada pelos dados do estudo: a diferença temporal entre capital e interior (maior incidência na fase restritiva na capital e durante a flexibilização no interior) indica que as dinâmicas do feminicídio variam conforme contexto social e territorial. O texto afirma:

Na capital, a maior incidência proporcional ocorreu na fase mais restritiva do distanciamento social (50%), enquanto no interior, o aumento da incidência se deu durante a flexibilização do distanciamento social (56%).

As demais alternativas fazem afirmações não suportadas ou extrapolam os dados.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a uniformidade do gênero masculino dos autores indica comportamento machista uniforme e que o gênero é o fator principal. O texto não fornece dados sobre a uniformidade de comportamento, e a própria pesquisa mostra variações por raça, local e instrumento, indicando multiplicidade de fatores. A alternativa simplifica excessivamente e não é sustentada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme destacado, a diferença temporal entre capital e interior está explicitamente descrita no texto, demonstrando que as dinâmicas variam conforme o contexto. É a única alternativa que se limita a interpretar os dados sem extrapolar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que a predominância no ambiente residencial (74%) indica fenômeno essencialmente doméstico, em detrimento de fatores estruturais. O texto, no entanto, também evidencia fatores estruturais como raça e território, que influenciam a ocorrência. A alternativa ignora essas dimensões e faz uma afirmação exclusiva não suportada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a preponderância de autores e vítimas afrodescendentes evidencia dimensão racial específica e deve ser compreendida como manifestação de racismo. Embora a raça seja relevante, o texto não estabelece uma relação causal direta com racismo institucional ou estrutural, limitando-se a descrever os dados. A alternativa impõe uma interpretação ideológica não explicitada no estudo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a maior variação de instrumentos entre mulheres negras indica que seus corpos são 'mais violados e resistentes à dor'. Essa conclusão não tem amparo nos dados; o texto apenas registra maior variação de instrumentos, sem qualquer inferência sobre a intensidade da violência ou resistência. Trata-se de uma extrapolação sem fundamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca insere alternativas que parecem politicamente ou socialmente plausíveis (como A e D) mas que não são diretamente extraídas dos dados. O candidato deve se ater ao que o texto efetivamente diz, evitando generalizações ou interpretações valorativas. A leitura atenta dos trechos citados é a chave.

Gabarito: letra B.

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