Questão de Criminalística — Vestígios de Interesse Forense — FGV 2026
Criminalística›Vestígios de Interesse Forense
Código
fg131588
Banca
FGV
Órgão
PC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal - Biomedicina e Farmácia e Bioquímica e Biologia e Química e Engenharia Química
Durante a análise de vestígios biológicos por qPCR, o laboratório incluiu um controle negativo (sem DNA alvo) e observou fluorescência detectável apenas após o ciclo 38, próxima do limite de detecção do equipamento.Assinale a opção que apresenta a explicação para esse resultado e a medida preventiva que deveria ser adotada, respectivamente.
AIndica que o DNA da amostra foi degradado; deve-se repetir a extração.
BIndica formação de dímeros de primers ou contaminação de baixo nível; deve-se otimizar os primers, adotar controle rigoroso de áreas e reagentes, e repetir a reação.
CDemonstra que a sonda TaqMan falhou; deve-se substituir todos os reagentes fluorescentes.
DMostra que o DNA amplificado é de outra espécie; deve-se usar primers universais.
EIndica que o PCR convencional seria mais confiável; deve-se trocar a técnica imediatamente.
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GabaritoB — Indica formação de dímeros de primers ou contaminação de baixo nível; deve-se otimizar os primers, adotar controle rigoroso de áreas e reagentes, e repetir a reação.
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qPCR: Controle Negativo com Sinal Tardio
Gabarito: letra B. O sinal de fluorescência detectado apenas após o ciclo 38 em um controle negativo (sem DNA alvo) é característico de formação de dímeros de primers ou contaminação de baixo nível. A conduta adequada é otimizar os primers, adotar rigoroso controle de áreas e reagentes, e repetir a reação. As demais alternativas interpretam erroneamente o resultado ou propõem medidas inadequadas.
A banca testa a capacidade de interpretar resultados de qPCR, especialmente o significado de um sinal tardio em um controle negativo. Em PCR em tempo real, o ciclo limiar (Ct) é inversamente proporcional à quantidade inicial de alvo. Controles negativos devem permanecer sem amplificação (Ct indefinido ou > 40). Um sinal observado entre 35 e 40 ciclos geralmente indica inespecificidades, como dímeros de primers (produtos de amplificação formados pela hibridização entre os próprios primers) ou contaminação residual (traços de DNA de amostras anteriores ou do ambiente).
PEGA ESSA DICA!
Em qPCR, o controle negativo não deve amplificar. Se amplifica tardiamente (Ct > 35), suspeite de dímeros de primers ou contaminação de baixo nível. Nunca atribua a degradação da amostra ou falha de sonda – essas causas eliminariam ou distorceriam o sinal nas amostras, não no controle.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o resultado indica DNA degradado e que se deve repetir a extração. Degradação do DNA da amostra reduziria o sinal nas amostras testadas, mas não explicaria amplificação no controle negativo (que não contém DNA alvo). A medida de repetir a extração não resolveria a causa do sinal no controle, que é independente da amostra.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Corretamente identifica que o sinal tardio pode ser devido à formação de dímeros de primers (produtos inespecíficos que geram fluorescência) ou contaminação de baixo nível (traços de DNA carreados de reações anteriores ou do ambiente). As medidas preventivas incluem otimizar os primers (por exemplo, redesenhar para evitar complementaridades nas extremidades 3', ajustar temperatura de anelamento) e adotar controle rigoroso de áreas e reagentes (separação física de pré e pós-PCR, uso de cabines de fluxo laminar, alíquotas exclusivas, descontaminação com UV e hipoclorito). A repetição da reação confirma se o problema foi sanado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que a sonda TaqMan falhou e que todos os reagentes fluorescentes devem ser substituídos. Uma sonda TaqMan que não hidrolisa corretamente resultaria em ausência de sinal ou fluorescência anômala, mas não em um sinal tardio no controle negativo (a sonda é específica para o alvo; sem alvo, não deveria haver sinal). A substituição em massa de reagentes é uma medida desproporcional e sem fundamento técnico para o quadro descrito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que o DNA amplificado é de outra espécie e que se devem usar primers universais. O controle negativo não contém DNA de espécie alguma (teoricamente). A amplificação tardia não indica DNA exógeno específico; a causa mais provável é contaminação ou inespecificidade. Primers universais (que amplificam várias espécies) aumentariam a chance de inespecificidades, agravando o problema, e não são a solução.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Propõe que o PCR convencional seria mais confiável e que se deve trocar a técnica. O PCR convencional (sem sonda fluorescente) não resolveria o problema de fundo – a contaminação ou inespecificidade também afetaria a eletroforese, gerando bandas inespecíficas. A qPCR é uma técnica robusta e o sinal tardio é um alerta que deve ser investigado com as medidas corretivas adequadas, não abandonando a técnica.