Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FGV 2026
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
fg131606
Banca
FGV
Órgão
PC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Criminal - Biomedicina e Farmácia e Bioquímica e Biologia e Química e Engenharia Química
O pesticida organoclorado diclorodifeniltricloroetano (DDT) tem seu uso proibido no Brasil desde 2009. Contudo, devido ao mercado ilegal de pesticidas, são comuns as apreensões desses produtos pelas autoridades.Sobre este composto, assinale a opção correta.
ASão compostos hidrossolúveis, com excreção rápida e sem potencial para bioacumulação.
BA principal toxicidade é hepática, não apresentando efeitos neurológicos.
COs organoclorados se acumulam no tecido adiposo, tendem a permanecer no ambiente e sofrem bioamplificação através da cadeia alimentar.
DO DTT é biodegradável, apresentando meia-vida curta no solo e na água e por isso apresenta poucos riscos toxicológicos ambientais.
EA exposição crônica ao DTT causa apenas sintomas cutâneos, sem maiores efeitos sistêmicos.
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GabaritoC — Os organoclorados se acumulam no tecido adiposo, tendem a permanecer no ambiente e sofrem bioamplificação através da cadeia alimentar.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Organoclorados: bioacumulação e biomagnificação
Gabarito: letra C. O DDT é um composto lipossolúvel (solúvel em gordura), persistente no ambiente e que se acumula no tecido adiposo dos organismos, sofrendo bioamplificação (ou biomagnificação) ao longo das cadeias alimentares — exatamente o que a alternativa C descreve. As demais opções invertem essas propriedades ou atribuem efeitos que não correspondem ao composto.
O DDT (diclorodifeniltricloroetano) é um pesticida organoclorado sintético, amplamente usado no século XX e banido no Brasil desde 2009 por sua alta persistência e toxicidade. Sua estrutura química é apolar, o que o torna praticamente insolúvel em água e muito solúvel em lipídios. Essa característica é a chave de todo o comportamento ecológico e toxicológico do composto: em vez de ser excretado rapidamente, ele se deposita nas gorduras corporais dos organismos, permanecendo por longos períodos.
Dois fenômenos decorrem dessa lipossolubilidade e são os mais cobrados em provas:
Bioacumulação: acúmulo progressivo da substância no corpo de um organismo ao longo da vida, pois a absorção supera a capacidade de excreção.
Biomagnificação (bioamplificação): aumento da concentração da substância a cada nível trófico da cadeia alimentar. Como cada consumidor ingere muitos organismos do nível anterior, o contaminante se concentra cada vez mais — os predadores de topo, como aves e seres humanos, acumulam as maiores doses.
A persistência ambiental é outro traço marcante: o DDT tem meia-vida longa no solo e na água (pode levar décadas para se degradar), o que agrava sua exposição crônica. Toxicologicamente, o DDT é um neurotóxico — interfere na transmissão de impulsos nervosos — e também afeta o fígado e o sistema endócrino, com efeitos reprodutivos e carcinogênicos potenciais. A exposição crônica não se limita a sintomas cutâneos; há comprometimento sistêmico.
DDT (organoclorado): Propriedades (Lipossolúvel (solúvel em gordura), Persistente (meia-vida longa), Hidrossolúvel (inverte), Biodegradável (inverte)); Comportamento ecológico (Bioacumulação (acúmulo no organismo), Biomagnificação (concentra na cadeia)); Toxicidade (Neurotóxico, Hepatotóxico, Desregulação endócrina, Só cutâneo (inverte))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o DDT é hidrossolúvel, com excreção rápida e sem potencial de bioacumulação. É o oposto da realidade: o DDT é lipossolúvel (solúvel em gordura), tem excreção lenta e alto potencial de bioacumulação. A banca inverteu as propriedades físico-químicas do composto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a principal toxicidade é hepática e que não há efeitos neurológicos. O DDT é reconhecidamente um neurotóxico — age sobre canais de sódio dos neurônios, causando tremores, convulsões e outros sintomas neurológicos. Embora também possa afetar o fígado, a neurotoxicidade é um efeito central e não pode ser descartada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o comportamento dos organoclorados: acumulam-se no tecido adiposo (por serem lipossolúveis), são persistentes no ambiente (meia-vida longa) e sofrem bioamplificação ao longo da cadeia alimentar. É a única alternativa que reúne corretamente as três propriedades características do DDT.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o DDT é biodegradável e tem meia-vida curta no solo e na água. Na verdade, o DDT é recalcitrante (degradação muito lenta), com meia-vida que pode ultrapassar décadas em condições ambientais. Essa persistência é justamente um dos motivos de seu banimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Limita os efeitos da exposição crônica a sintomas cutâneos. O DDT causa efeitos sistêmicos importantes: neurotoxicidade, hepatotoxicidade, desregulação endócrina e potencial carcinogênico. A exposição crônica não se restringe à pele.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de propriedades: troca lipossolúvel por hidrossolúvel, persistente por biodegradável, neurotóxico por apenas hepático. O candidato que decora as características do DDT sem entender a relação entre lipossolubilidade e bioacumulação cai nas alternativas A e D. Lembre-se: organoclorado = lipossolúvel = acumula na gordura = biomagnifica.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de poluentes orgânicos persistentes (POPs), monte um quadro mental: lipossolubilidade → bioacumulação → biomagnificação → toxicidade crônica. Se a alternativa disser que o composto é hidrossolúvel, biodegradável ou de excreção rápida, está errada — essas são características de poluentes como alguns pesticidas organofosforados, não dos organoclorados.