Perito Criminal - Biomedicina e Farmácia e Bioquímica e Biologia e Química e Engenharia Química
O Propofol é um anestésico de alto potencial de abuso e dependência, envolvido em casos de mortes acidentais, suicídios e suspeitas de homicídio.Com relação aos seus aspectos farmacocinéticos, é correto afirmar que
Aé administrado pela via oral, apresenta metabolismo rápido e curta duração de ação.
Ba distribuição, limitada ao compartimento plasmático, facilita a interpretação das análises toxicológicas.
Csofre o fenômeno de redistribuição, o que faz com que sua eliminação seja lenta, prolongando seu efeito anestésico após uma única dose.
Do maior percentual do fármaco é eliminado intacto, tornando a dose letal, diretamente proporcional aos níveis plasmáticos alcançados.
Ea farmacocinética do Propofol é descrita pelo modelo de três compartimentos, e observa-se uma rápida redistribuição e eliminação após a administração de uma única dose IV.
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GabaritoE — a farmacocinética do Propofol é descrita pelo modelo de três compartimentos, e observa-se uma rápida redistribuição e eliminação após a administração de uma única dose IV.
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Farmacocinética do Propofol
Gabarito: letra E. O Propofol é um anestésico intravenoso cuja farmacocinética é classicamente descrita por um modelo de três compartimentos, com rápida redistribuição e eliminação após uma única dose IV — é exatamente isso que a alternativa E afirma. As demais alternativas erram ao atribuir via oral, distribuição restrita ao plasma, eliminação lenta ou excreção intacta predominante, todas contrárias ao perfil farmacocinético conhecido do fármaco.
O Propofol (2,6-diisopropilfenol) é um agente anestésico de uso exclusivamente intravenoso, altamente lipofílico, o que explica sua rápida penetração no sistema nervoso central e o rápido início de ação. Sua farmacocinética é bem descrita por um modelo tricompartimental: um compartimento central (sangue e órgãos bem perfundidos), um compartimento periférico rápido (tecido muscular e vísceras) e um compartimento periférico profundo (tecido adiposo). Após a administração de uma dose única IV, o fármaco se distribui rapidamente do sangue para os tecidos, causando queda rápida da concentração plasmática e, consequentemente, o término do efeito anestésico — fenômeno conhecido como redistribuição. A eliminação ocorre principalmente por metabolismo hepático (conjugação com glicuronídeo e sulfato), com menos de 1% excretado de forma intacta na urina. O clearance é alto e a meia-vida de eliminação é relativamente curta, embora a meia-vida terminal possa ser prolongada devido à redistribuição a partir do compartimento profundo.
A banca explora a confusão entre redistribuição e eliminação: o que encerra o efeito de uma dose única é a redistribuição, não a eliminação. A alternativa C inverte essa lógica ao afirmar que a redistribuição prolonga o efeito, quando na verdade ela o encurta. A alternativa E é a única que descreve corretamente o modelo tricompartimental e a rápida redistribuição/eliminação.
Propofol (anestésico IV)
1Farmacocinética
Modelo tricompartimental
Alta lipofilia
Início rápido
Término por redistribuição
Metabolismo hepático
Menos de 1% excretado intacto
2Vias
Intravenosa (exclusiva)
Oral (1ª passagem inviabiliza)
3Redistribuição
Encerra efeito da dose única
Prolonga efeito (errado)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o Propofol é administrado pela via oral. O Propofol é um fármaco de uso exclusivamente intravenoso (IV), pois sofre extenso metabolismo de primeira passagem hepática, o que inviabiliza a via oral. Além disso, a rápida redistribuição e o metabolismo rápido conferem curta duração de ação, mas a via de administração está incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a distribuição é limitada ao compartimento plasmático. O Propofol é altamente lipofílico e se distribui amplamente pelos tecidos, sendo descrito por um modelo de três compartimentos. A distribuição restrita ao plasma não condiz com a realidade farmacocinética e, na prática, dificulta a interpretação toxicológica, pois o fármaco se acumula em tecidos profundos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a redistribuição prolonga o efeito anestésico. Na verdade, a redistribuição é o processo que encerra o efeito de uma dose única: o fármaco sai rapidamente do sítio de ação (SNC) para os tecidos periféricos, reduzindo a concentração no cérebro e terminando a anestesia. A eliminação (metabolismo e excreção) é que é relativamente rápida, não lenta. A alternativa inverte o papel da redistribuição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que o maior percentual do fármaco é eliminado intacto. O Propofol é extensamente metabolizado no fígado, principalmente por conjugação (glicuronidação e sulfatação), e menos de 1% é excretado de forma inalterada na urina. A dose letal não é diretamente proporcional aos níveis plasmáticos de forma simples, pois a toxicidade depende de múltiplos fatores, incluindo a redistribuição e o metabolismo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao descrever a farmacocinética do Propofol: modelo de três compartimentos, com rápida redistribuição e eliminação após dose única IV. A rápida redistribuição do SNC para tecidos periféricos explica a curta duração do efeito anestésico, e o metabolismo hepático rápido promove a eliminação eficiente do fármaco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o papel da redistribuição: ela encerra o efeito de uma dose única (alternativa C diz o contrário). Além disso, confunde via de administração (oral vs. IV) e excreção (intacta vs. metabolizada). Fique atento: no Propofol, o que termina a anestesia é a redistribuição, não a eliminação.
PEGA ESSA DICA!
Para fármacos anestésicos IV lipofílicos, lembre-se do padrão: início rápido (alta lipofilia), término do efeito por redistribuição, e eliminação por metabolismo hepático. Compare com o tiopental, que tem perfil semelhante. Em questões de farmacocinética, identifique o modelo de compartimentos e o papel da redistribuição.