Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — FGV 2026
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
fg131998
Banca
FGV
Órgão
PC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Médico Legista e Patologia
De grande relevância médico pericial é a análise de lesões intravitam e post-mortem. Contudo há um período, logo na fronteira entre a vida e a morte, quando alguns fenômenos são de difícil análise, é o chamado período de incerteza de Tourdes.Sobre os fenômenos que interessam a este período, é correto afirmar que
Aa inflamação aguda, a cicatrização e a regeneração são fenômenos que, sozinhos ou associados, caracterizam sem dúvida, a presença de vida quando foram produzidos.
Bhemorragias são achados que podem ocorrer tanto em vida quanto após a morte, sendo um bom exemplo, o hemotórax volumoso, tipicamente ocorrendo após a morte.
Ca coagulação do sangue é também um fenômeno sabidamente vital, que não pode ocorrer após a morte, sendo os coágulos exuberantes das asfixias um exemplo.
Dantigamente se dava valor à embolia como fenômeno vital, mas hoje não mais, pois a simples manipulação do corpo pode gerar embolias para o pulmão.
Eum elemento muito útil nessa análise é a retração das bordas de uma ferida, pois a pele do cadáver tem uma elasticidade muito superior à pele do indivíduo vivo.
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GabaritoA — a inflamação aguda, a cicatrização e a regeneração são fenômenos que, sozinhos ou associados, caracterizam sem dúvida, a presença de vida quando foram produzidos.
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Período de Incerteza de Tourdes e Diagnóstico de Vitalidade
Gabarito: alternativa A. A inflamação aguda, cicatrização e regeneração são reações exclusivamente vitais, que exigem circulação sanguínea e resposta celular ativa, portanto sua presença em uma lesão é prova inequívoca de que ela ocorreu em vida. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre fenômenos que podem ou não ocorrer após a morte.
O chamado período de incerteza de Tourdes é a fase limítrofe entre a vida e a morte, na qual é difícil diferenciar se uma lesão foi produzida intravitam ou post mortem. O diagnóstico diferencial baseia-se na presença ou ausência de reações vitais: fenômenos que dependem de circulação, metabolismo e inervação. A questão testa o conhecimento dessas reações.
Fenômeno
Caracterização como Reação Vital
Exemplo / Observação
Inflamação aguda, cicatrização e regeneração
Exclusivamente vitais (exigem circulação e resposta celular ativa)
Presença isolada ou associada comprova lesão intravitam
Hemorragia (ex.: hemotórax volumoso)
Vital (depende de circulação ativa)
Após a morte, há apenas extravasamento passivo, sem hemorragia ativa
Coagulação do sangue
Pode ocorrer tanto em vida quanto após a morte
Coágulos post mortem são lentos e sem retração; coágulos das asfixias são vitais
Embolia
Pode ser vital ou post mortem (manipulação do corpo)
Antigamente considerada vital; hoje admite-se ocorrência post mortem
Retração das bordas de uma ferida
Fenômeno vital (depende de elasticidade tissular ativa)
Pele do cadáver tem elasticidade passiva, não retração ativa
Reações vitais (Tourdes): Exclusivamente vitais (Inflamação aguda, Cicatrização, Regeneração); Podem ser post mortem (Hemorragia (ativa é vital), Coagulação (lenta post mortem), Embolia (manipulação pode gerar)); Sinais de vitalidade (Retração das bordas da ferida, Coágulos organizados)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Inflamação aguda, cicatrização e regeneração são processos que exigem fluxo sanguíneo, migração de células inflamatórias e atividade metabólica – tudo incompatível com um cadáver. A presença de qualquer um desses fenômenos (isolado ou associado) caracteriza, sem dúvida, que a lesão foi produzida quando o indivíduo ainda estava vivo. É o mais clássico dos sinais de vitalidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que hemorragias podem ocorrer tanto em vida quanto após a morte e que o hemotórax volumoso é tipicamente post mortem. Erro: hemorragias verdadeiras dependem de circulação ativa; o hemotórax volumoso é consequência de lesão vascular com sangramento ativo – fenômeno vital. Após a morte, pode haver extravasamento de sangue por gravidade ou putrefação, mas não hemorragia ativa nem grande acúmulo torácico como o descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que a coagulação do sangue é fenômeno vital que não pode ocorrer após a morte. Engano: após a parada cardíaca, o sangue coagula-se lentamente (coágulos post mortem), porém sem a organização e a retração características dos coágulos intravitais. Os coágulos exuberantes das asfixias são, sim, vitais, mas a afirmação de que a coagulação não ocorre post mortem é falsa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que a embolia deixou de ser considerada fenômeno vital porque a manipulação do cadáver pode gerar embolias pulmonares. Falso: a embolia (gasosa, gordurosa, etc.) necessita de circulação sanguínea para transportar o êmbolo até o pulmão. A simples manipulação de um cadáver não produz embolia verdadeira – no máximo, deslocamento de ar em vasos não circulantes. A embolia continua sendo sinal de vitalidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que a retração das bordas de uma ferida é útil porque a pele do cadáver é muito mais elástica que a do vivo. Incorreto: a retração das bordas é uma reação vital devida à contratilidade dos tecidos (musculatura, fibras elásticas). Após a morte, a pele perde elasticidade e torna-se rígida (rigor mortis), retraindo menos. A elasticidade é menor no cadáver, não maior.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tanatologia, decore os sinais de vitalidade absolutos: inflamação, cicatrização, regeneração, edema, embolia, infiltração hemorrágica e retração de bordas. Fenômenos como coagulação e hemorragia podem ter equivalentes post mortem, mas com características distintas. Na dúvida, pense: “esse processo depende de circulação e metabolismo celular?” Se sim, é vital.