Questão de Medicina Legal — Genética forense — FGV 2026
Medicina Legal›Genética forense
Código
fg132017
Banca
FGV
Órgão
PC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Médico Legista e Patologia
O conhecimento da molécula do ácido desoxirribonucleico (DNA) e seu funcionamento na transmissão da informação genética é, atualmente, fundamental em diversos casos de identificação e de paternidade na medicina forense, dentre outros possíveis usos.Sobre o DNA e a transmissão genética, é correto afirmar que
Aas bases adenina e citosina encontram-se sempre em mesmo número numa molécula de DNA, variando o número de timinas e guaninas.
Bnos exames de paternidade podem ser utilizados tanto o DNA nuclear quanto o DNA mitocondrial, pois ambos são comuns aos pais.
Ccabelos e unhas são os tecidos que se preservam por mais tempo após a morte e que permitem a fácil extração do DNA para estudo laboratorial.
Dexcetuando os gêmeos univitelinos, a probabilidade de existirem duas pessoas com o mesmo DNA é de um em trilhões.
Eminissatélites são sequências de bases com grande variação de nucleotídeos e, por isso, úteis na identificação de cadáveres e nos casos de paternidade.
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GabaritoD — excetuando os gêmeos univitelinos, a probabilidade de existirem duas pessoas com o mesmo DNA é de um em trilhões.
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Genética Forense - DNA e Transmissão Genética
Gabarito: letra D. A exceção dos gêmeos univitelinos, a probabilidade de duas pessoas não aparentadas compartilharem o mesmo perfil de DNA é inferior a 1 em trilhões, conforme os princípios da genética forense e a alta variabilidade dos marcadores utilizados (STRs). As demais alternativas contêm erros conceituais: A confunde as regras de pareamento de bases, B ignora a herança exclusivamente materna do DNA mitocondrial, C superestima a preservação de DNA em cabelos e unhas, e E utiliza terminologia imprecisa ao se referir a minissatélites.
Característica
DNA Nuclear
DNA Mitocondrial
Herança
Probabilidade de coincidência
Uso em paternidade
Sim, comum a ambos os pais
Não, herança exclusivamente materna
Biparental (nuclear) / Materna (mitocondrial)
—
Preservação pós-morte
Menor em cabelos/unhas; maior em ossos/dentes
Maior resistência à degradação
—
—
Variabilidade entre indivíduos
Altíssima (exceto gêmeos univitelinos)
Menor (linhagem materna)
—
< 1 em trilhões (exceto gêmeos univitelinos)
Marcadores típicos
STRs (curtas repetições em tandem)
Sequências de controle (D-loop)
—
—
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o número de adeninas (A) é sempre igual ao de citosinas (C). Pela regra de Chargaff, em uma molécula de DNA de fita dupla, A pareia com timina (T) e C com guanina (G). Portanto, o número de A é igual ao de T, e o número de C é igual ao de G. Não há relação direta entre A e C, que podem variar independentemente. A banca inverte o pareamento correto, criando uma pegadinha clássica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Alega que tanto o DNA nuclear quanto o mitocondrial são comuns aos pais. Na realidade, o DNA mitocondrial é herdado exclusivamente da mãe, sendo transmitido pela linhagem materna. Para exames de paternidade, utiliza-se o DNA nuclear, que contém contribuições de ambos os genitores. O DNA mitocondrial é útil para identificação de linhagem materna ou em casos de degradação, mas não para determinar paternidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora cabelos e unhas possam conter DNA, não são os tecidos que se preservam por mais tempo após a morte. Ossos e dentes, por sua estrutura calcificada, protegem o DNA por períodos muito mais longos. Além disso, a extração de DNA de cabelos é mais difícil quando não há bulbo capilar (raiz), pois o fio de cabelo contém pouco DNA nuclear.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. Gêmeos univitelinos (monozigóticos) compartilham o mesmo perfil de DNA nuclear. Para quaisquer outros indivíduos, a probabilidade de coincidência aleatória em todos os loci analisados é extremamente baixa, da ordem de 1 em trilhões ou menos, devido à alta variabilidade dos marcadores de DNA utilizados (STRs). Esse é o fundamento da identificação forense por DNA.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Minissatélites (VNTRs) são sequências repetitivas que apresentam variação no número de repetições, mas não necessariamente "grande variação de nucleotídeos" na sequência em si. Atualmente, os marcadores mais utilizados em genética forense são os microssatélites (STRs), que possuem repetições de 2 a 6 pares de base. A afirmativa se refere a uma técnica historicamente usada, mas imprecisa no contexto atual. Embora minissatélites possam ser úteis, a descrição não é a mais adequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora dois erros comuns: (1) em A, inverter a regra de pareamento (A=C em vez de A=T e C=G); (2) em B, ignorar a herança exclusivamente materna do DNA mitocondrial. Fique atento: na genética forense, o DNA mitocondrial nunca é usado para paternidade, apenas para linhagem materna.