Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina Legal — Psiquiatria Forense — FGV 2026

Medicina LegalPsiquiatria Forense
Código
fg132035
Banca
FGV
Órgão
PC-PI
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Perito Médico Legista e Psiquiatria
O psiquiatra forense, como todo médico em geral, não pode perder de vista que a simulação não é um fato tão excepcional nas suas atividades profissionais, principalmente na função de perito. Pode-se dizer que é na perícia psiquiátrica que a simulação é mais comum, onde o profissional deve estar especialmente atento à coerência da evolução do quadro, à observação de terceiros imparciais e à congruência entre os relatos e o exame psicopatológico (do estado mental).Com base na obra de FRANÇA, Genival Veloso de (Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018) e Barros DMT, Teixeira EH (Manual de perícias psiquiátricas. Porto Alegre: Artmed; 2015), assinale dentre as opções, aquela que está correta no contexto médico-legal e pericial.
  1. AEnquanto a simulação refere-se a apresentação de sinais e sintomas falsos, a parassimulação é o exagero de sinais e sintomas realmente existentes.
  2. BNeste contexto, a simulação tem o objetivo de manipular a conclusão pericial.
  3. CA dissimulação é o ato de mentir a respeito de sintomas ou da ausência deles.
  4. DA simulação é uma evidência de transtorno factício.
  5. EO perito sempre deve pressupor em qualquer ato pericial psiquiátrico a possibilidade de simulação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Neste contexto, a simulação tem o objetivo de manipular a conclusão pericial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Simulação, dissimulação e metassimulação na perícia psiquiátrica

Gabarito: letra B. A simulação tem como objetivo manipular o resultado pericial, sendo uma conduta intencional para obter vantagem externa. As demais alternativas erram na definição dos termos ou em sua aplicação.

A questão cobra a distinção entre simulação, dissimulação e metassimulação (ou agravamento). Na literatura médico-legal (França, 2018; Barros & Teixeira, 2015), esses conceitos são bem delimitados:

  • Simulação: apresentação de sinais ou sintomas falsos, com intenção de enganar (objetivo externo).

  • Dissimulação: ocultação de sinais ou sintomas reais (fingir estar saudável).

  • Metassimulação (ou agravamento): exagero de sintomas já existentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o termo "metassimulação" por "parassimulação" na alternativa A. Parassimulação não é um termo consagrado; o correto é metassimulação. Fique atento: a terminologia exata faz diferença.

Conceito

Definição

Objetivo

Termo correto (doutrina)

Simulação

Apresentação de sinais/sintomas falsos

Manipular conclusão pericial (ganho externo)

Simulação

Dissimulação

Ocultação de sinais/sintomas reais

Fingir estar saudável

Dissimulação

Metassimulação (Agravamento)

Exagero de sinais/sintomas reais

Obter vantagem pericial

Metassimulação (não "parassimulação")

Transtorno factício

Produção intencional de sintomas

Assumir papel de doente (motivação interna)

Transtorno factício (distinto da simulação)

1Simulação
Sinais/sintomas falsos
Objetivo externo (vantagem)
Manipula conclusão pericial
2Dissimulação
Oculta sinais/sintomas reais
Finge estar saudável
3Metassimulação (agravamento)
Exagero de sintomas existentes
Não é "parassimulação"
4Transtorno factício
Produz sintomas
Motivo interno (papel de doente)
Não é simulação
Simulação, dissimulação, metassimulação
LEVELsoulevel.com.br
Simulação, dissimulação, metassimulação: Simulação (Sinais/sintomas falsos, Objetivo externo (vantagem), Manipula conclusão pericial); Dissimulação (Oculta sinais/sintomas reais, Finge estar saudável); Metassimulação (agravamento) (Exagero de sintomas existentes, Não é "parassimulação"); Transtorno factício (Produz sintomas, Motivo interno (papel de doente), Não é simulação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "parassimulação" é o exagero de sinais e sintomas reais. No entanto, a doutrina utiliza metassimulação para esse conceito. O termo "parassimulação" não corresponde a essa definição. Portanto, a alternativa está errada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A simulação tem como objetivo manipular a conclusão pericial. É exatamente isso: o simulador cria sintomas falsos para influenciar o laudo, obter benefícios (aposentadoria, indenização, etc.). A alternativa está plenamente de acordo com a doutrina.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Define dissimulação como "mentir a respeito de sintomas ou da ausência deles". Essa redação é ambígua: dissimular é especificamente ocultar sintomas reais (fingir que não existem). A expressão "mentir a respeito de sintomas" poderia abranger simulação (criar sintomas). Logo, a definição não é precisa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que simulação é evidência de transtorno factício. Os transtornos factícios (como a síndrome de Münchhausen) envolvem a produção de sintomas por motivos psicológicos internos (assumir o papel de doente), enquanto a simulação (malingering) visa ganhos externos. São entidades distintas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que "o perito sempre deve pressupor em qualquer ato pericial psiquiátrico a possibilidade de simulação". O perito deve considerar essa possibilidade, mas não presumir sempre, pois isso comprometeria a imparcialidade. A simulação é um alerta, não uma premissa.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg132035