O valor do diário de Carolina Maria de Jesus na escola
Gabarito: letra A. A importância de trabalhar o diário de Carolina Maria de Jesus na escola reside, sobretudo, no contato com marcas linguísticas e contextuais que representam um universo social frequentemente desvalorizado, como se vê no trecho em que ela contrasta a favela (“inferno”) com Osasco (“céu”) e observa a diferença no número de crianças nas ruas. A alternativa A capta esse núcleo: não se trata de julgar os desvios, mas de reconhecer a voz de uma camada social marginalizada.
💡 Dica: O comando pede a “importância” do texto — a resposta deve apontar um ganho pedagógico. Palavras como “carece de valorização” (A) indicam respeito à diversidade, enquanto termos como “desvios” ou “problemas” (C, E) revelam uma postura prescritiva, fora do espírito da questão.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Estou apreciando Osasco por causa da tranquilidade, e o ar puro, da a impressão que eu sai do inferno, e estou no céu. (...) Na favela as crianças pareçem numerosas por causa dos barracões ser unidos.”
O texto evidencia marcas linguísticas (ortografia não padrão, estrutura sintática peculiar) e contextuais (contraste favela/Osasco) que revelam um universo social carente de valorização. Trabalhar esse diário na escola permite justamente que os alunos entrem em contato com essa realidade e reflitam sobre preconceitos linguísticos e sociais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro de extrapolação e tangenciamento. A alternativa fala em “valor literário do diário e características gramaticais inerentes a esse gênero”. O texto, porém, não discute valor literário — Carolina escreve uma narrativa pessoal com marcas de oralidade, mas o diário como gênero não exige os desvios que ela comete. A importância pedagógica não está na gramática do gênero, mas no testemunho social.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro de opinião embutida e contradição ao espírito do texto. “Identificação dos desvios linguísticos […] para que não se repitam” trata a escrita de Carolina como modelo a ser corrigido. O texto, porém, não sugere que os alunos devam evitar os mesmos traços; ao contrário, o tom é de naturalidade. A proposta de apontar “erros” vai contra a valorização da diversidade linguística, que é a real importância do texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro de afirmação incompleta. “Associação entre usos linguísticos e camada social” é um aspecto presente no texto, mas não expressa a importância completa. Falta o elemento de valorização — a alternativa A inclui “carece de valorização”, que é o cerne da discussão pedagógica. D apenas descreve, sem julgar a relevância para a escola.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro de extrapolação. “Reflexão sobre problemas educacionais do Brasil” — o texto de Carolina não menciona educação; os desvios linguísticos refletem sua origem social e não necessariamente falta de escolarização. Atribuir ao texto uma crítica aos problemas educacionais é acrescentar informação externa, sem apoio no trecho.
Conclusão: A única alternativa que capta a importância — valorizar um universo social marginalizado por meio de suas marcas linguísticas e contextuais — é a A.