Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Problemas da língua culta — FGV 2026

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
fg132490
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor II - Português
Observe com atenção o início de uma crônica de Mário de Andrade.A pesca do dourado“Quando chegamos na barranca do Mogi, andadas oito léguas de cabriolante forde, era madrugada franca. O rio fumava no inverninho delicioso. Vento, nada. E a névoa do rio meio que arroxeava, guardando na brancura as cores do sol futuro.Estivemos por ali, esquentando no foguinho caipira que é o cobertor da nossa gente. Estivemos por ali, esfregando as mãos, tomando café, preparando as varas. Eu, como não tinha esperança mesmo de pescar nenhum dourado, fui pescar iscas no ceveiro. Nove bastavam, me falaram.E a rodada principiou.”Há um conjunto de características da linguagem empregada nesse texto.Assinale a característica apontada que mostra um exemplo adequado.
  1. AEmprego incoerente de forma diminutivas: “o rio fumava no inverninho delicioso.”
  2. BDesrespeito à norma culta da língua portuguesa: “Quando chegamos na barranca do Mogi”.
  3. CUtilização equivocada da pontuação: “Vento, nada”.
  4. DOrdem inadequada de frases: “Nova bastavam, me falaram.”
  5. EUso exclusivo da linguagem lógica: “esquentando no foguinho caipira que é o cobertor da nossa gente”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Desrespeito à norma culta da língua portuguesa: “Quando chegamos na barranca do Mogi”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da Questão – Característica e Exemplo Adequado

Gabarito: letra B. A única alternativa em que o exemplo do texto ilustra corretamente a característica apontada é a B, que afirma haver desrespeito à norma culta no uso de “na” após o verbo “chegar”. Na norma culta, o verbo “chegar” rege a preposição “a”, e não “em”. A passagem “Quando chegamos na barranca do Mogi” apresenta, portanto, um desvio da regência culta, o que torna o exemplo adequado à característica.

O texto é uma crônica de Mário de Andrade, escrita em linguagem coloquial e poética, mas a questão pede que se identifique, dentre as características listadas, aquela cujo exemplo é de fato condizente com ela.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Característica: Emprego incoerente de formas diminutivas. Exemplo: “o rio fumava no inverninho delicioso”. O uso do diminutivo “inverninho” não é incoerente; ele é um recurso estilístico que confere tom afetivo e poético ao texto. Não há incoerência, pois o contexto aceita a expressão. Logo, o exemplo não demonstra a característica apontada. Erro: troca_conceito — confunde estilo literário com incoerência.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Característica: Desrespeito à norma culta da língua portuguesa. Exemplo: “Quando chegamos na barranca do Mogi”. Na regência culta, o verbo “chegar” exige a preposição “a” (chegar a algum lugar). A forma “na” (em + a) é própria da linguagem coloquial ou popular, caracterizando um solecismo (desvio de regência). Portanto, o exemplo ilustra perfeitamente a característica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Característica: Utilização equivocada da pontuação. Exemplo: “Vento, nada”. A vírgula em “Vento, nada” é usada para separar termos elípticos ou como recurso expressivo (assíndeto). Não há erro de pontuação; é um uso estilístico aceitável. O exemplo não corresponde à característica. Erro: troca_conceito — confunde uso expressivo com erro de pontuação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Característica: Ordem inadequada de frases. Exemplo: “Nove bastavam, me falaram”. A inversão da ordem direta (“Me falaram que nove bastavam”) é um recurso de ênfase ou estilo, não uma inadequação. O exemplo é gramatical e não configura ordem inadequada. Erro: troca_conceito — confunde inversão estilística com inadequação sintática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Característica: Uso exclusivo da linguagem lógica. Exemplo: “esquentando no foguinho caipira que é o cobertor da nossa gente”. A expressão é claramente figurada (metafórica), com “cobertor” significando proteção. Não há linguagem lógica; há, sim, linguagem conotativa e poética. O exemplo contradiz frontalmente a característica. Erro: troca_conceito — confunde linguagem figurada com lógica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o conhecimento da regência do verbo “chegar”. Muitos candidatos podem julgar que “na barranca” é aceitável na norma culta por ser comum na oralidade, mas a gramática normativa exige “à barranca”.

Conclusão: A única alternativa em que a característica e o exemplo combinam é a B. Dominar a regência culta de verbos como “chegar” é essencial para questões de norma padrão.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg132490