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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg132500
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor II - Português
O segmento “Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos.” indica algo sobre a estrutura narrativa do texto. Podemos afirmar que o narrador do romance é
  1. Ao tipo tradicional do narrador-autor, em que ocorre o relato dos fatos sem a presença de opiniões pessoais.
  2. Bo narrador observador externo dos fatos, sem interferência opinativa nos fatos narrados.
  3. Cum personagem que, apesar de não participar dos fatos, participa deles com suas opiniões.
  4. Dum personagem atuante no enredo, indicando não a verdade dos fatos, mas sua visão dos mesmos.
  5. Eo próprio autor do texto, narrando os fatos a partir de interesses pessoais nos fatos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — um personagem atuante no enredo, indicando não a verdade dos fatos, mas sua visão dos mesmos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Narrador-personagem em "Dom Casmurro"

Gabarito: letra D. O narrador do trecho é um personagem atuante (Bentinho), que participa do enredo e revela sua visão subjetiva dos fatos, e não uma verdade objetiva ou externa. A passagem indicada comprova isso: o narrador se dirige diretamente ao leitor, expressa impaciência ("morto de esperar") e toma a decisão de casar-se ("casemo-nos"), o que demonstra envolvimento pessoal e opinião.

"Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos."

O uso da primeira pessoa do plural ("sejamos", "casemo-nos") e a referência ao leitor ("leitor pegue em si") evidenciam um narrador que faz parte da história e que interage com o leitor, típico do narrador-personagem. Além disso, ele emite juízos ("morto de esperar" = entediado) e decide o rumo da narrativa, tudo a partir de sua perspectiva.


Alternativa A — ❌ Incorreta

"o tipo tradicional do narrador-autor, em que ocorre o relato dos fatos sem a presença de opiniões pessoais."

Contradiz o texto. O narrador expressa claramente opiniões ("morto de esperar") e age como personagem, não como um mero relator objetivo. A banca tenta impor um conceito de narrador-autor impessoal, mas o trecho é marcado por subjetividade e participação.


Alternativa B — ❌ Incorreta

"o narrador observador externo dos fatos, sem interferência opinativa nos fatos narrados."

Contradiz o texto. O narrador não é externo: ele é um dos noivos ("casemo-nos") e interfere opinando e decidindo. A expressão "antes que o leitor pegue em si, morto de esperar" é uma interferência clara, pois ele se dirige ao leitor e opina sobre a paciência dele.


Alternativa C — ❌ Incorreta

"um personagem que, apesar de não participar dos fatos, participa deles com suas opiniões."

Contradiz o texto. O narrador participa dos fatos sim: é ele quem casa ("casemo-nos") e quem narra a própria festa. A alternativa é contraditória ("não participar... mas participa") e não corresponde ao papel de Bentinho, que é protagonista e narrador.


Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"um personagem atuante no enredo, indicando não a verdade dos fatos, mas sua visão dos mesmos."

Totalmente amparada pelo texto. O narrador (Bentinho) é personagem atuante: participa do casamento, decide casar-se e narra a cena do alto da Tijuca. Ele não pretende relatar uma verdade objetiva, mas sim sua visão — prova disso é a fantasia de São Pedro e dos anjos, que é claramente uma construção subjetiva e lírica, e não um fato literal. O trecho do enunciado já revela essa subjetividade ao mostrar o narrador impaciente e apressando o leitor.


Alternativa E — ❌ Incorreta

"o próprio autor do texto, narrando os fatos a partir de interesses pessoais nos fatos."

Extrapolação e confusão entre autor e narrador. O autor é Machado de Assis, mas o narrador é Bentinho, um personagem fictício com biografia própria. Atribuir ao autor o "interesse pessoal" nos fatos é ignorar a distinção entre mundo real e ficcional. O texto é narrado por um personagem, não por Machado.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre foco narrativo, pergunte-se: "Quem conta a história? Participa dos eventos? Emite opiniões?" Se a resposta for "sim" para as três, trata-se de narrador-personagem (1ª pessoa), como neste caso. Alternativas que falarem em "narrador observador" ou "narrador-autor sem opiniões" serão sempre falsas diante de um texto subjetivo e participante.


Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente o narrador do trecho é a D: ele é um personagem atuante e apresenta sua visão particular dos fatos, não uma verdade objetiva.

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