Jurisdição do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina
Gabarito: letra E. A Lei Orgânica do TCE-SC (LC nº 202/2000) estabelece a jurisdição sobre os representantes do Estado ou do Município em assembleias gerais de empresas estatais e sociedades anônimas, solidariamente com conselheiros fiscais e de administração, por atos de gestão ruinosa ou liberalidade. As demais alternativas apresentam desvios em relação ao modelo constitucional e legal.
A jurisdição dos Tribunais de Contas estaduais é moldada a partir do art. 71 da Constituição Federal, que lista competências do TCU, e é replicada com adaptações nas Constituições estaduais e leis orgânicas. A Constituição do Paraná (art. 75) exemplifica esse padrão, servindo como referência para o que se espera da LC nº 202/2000 de Santa Catarina.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a jurisdição abrange "exclusivamente pessoa físicas". No entanto, tanto o art. 70, parágrafo único, da CF quanto o art. 75, II, da Constituição do Paraná preveem que qualquer pessoa física ou jurídica que administre bens públicos está sujeita à fiscalização. O termo "exclusivamente" e a restrição a pessoas físicas são incorretos.
Art. 70CF/88
Art. 70, parágrafo único — "Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária."
Alternativa B — ❌ Incorreta
Excetua a modalidade culposa da jurisdição do TCE, remetendo ao Tribunal de Justiça. O art. 71, II, da CF e o art. 75, II, da Constituição do Paraná não fazem essa ressalva; ao contrário, incluem "aqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público" sem distinguir dolo ou culpa. A competência para aplicar multas e imputar débito é do Tribunal de Contas, não do Judiciário nesse contexto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Limita a jurisdição a empresas que integram "exclusivamente de forma definitiva e irrevogável" o patrimônio público. O controle dos Tribunais de Contas abrange também situações provisórias ou temporárias, como empresas em intervenção ou encampadas, sem a exigência de irrevogabilidade. A redação é restritiva demais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Refere-se a recursos repassados pela "União ao Estado". Esse é um típico objeto de fiscalização do Tribunal de Contas da União (CF, art. 71, VI). No âmbito estadual, o TCE fiscaliza recursos repassados pelo Estado aos Municípios (ex.: Constituição do Paraná, art. 75, V). A alternativa inverte a competência.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve a jurisdição sobre os representantes do Estado ou do Município em assembleias de empresas estatais e sociedades anônimas, com responsabilidade solidária pelos conselhos fiscal e de administração por atos de gestão ruinosa ou liberalidade. Essa previsão é compatível com a competência dos Tribunais de Contas para julgar as contas dos administradores de entidades da administração indireta (CF, art. 71, II) e com a necessidade de controle sobre a gestão das empresas estatais. A alternativa E está em conformidade com o padrão legal.
Gabarito: letra E.