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Questão de Português — Sintaxe — FGV 2026

PortuguêsSintaxe
Código
fg134507
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Nível
Médio
A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao texto a seguir:


Insônia infeliz e feliz (Clarice Lispector)


Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite, pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.

Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente despertar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Assinale a opção em que o elemento destacado funciona como complemento do verbo.
  1. AEntão fico sentada na sala.
  2. BE sinto-me feliz por nada.
  3. CE o telefone à mão.
  4. DE nem posso pedir que me telefonem no meio da noite.
  5. EO mar é meu.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática – Complemento do verbo

Gabarito: letra D. A oração subordinada substantiva objetiva direta "que me telefonem" completa o sentido do verbo "pedir", funcionando como objeto direto. As demais alternativas apresentam predicativo do sujeito, adjunto adverbial ou adjunto adnominal.

Para resolver, é essencial identificar a transitividade do verbo e o papel do termo destacado. O complemento verbal (objeto direto ou indireto) é exigido pelo verbo de transição. Vejamos cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Então fico sentada na sala."

"Sentada" é predicativo do sujeito, pois atribui uma característica ao sujeito através do verbo de ligação "fico". Não complementa o verbo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"E sinto-me feliz por nada."

"Feliz" é predicativo do sujeito (refere-se a "eu", oculto). O verbo "sinto" é transitivo direto, mas "feliz" não é objeto; é um estado atribuído ao sujeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"E o telefone à mão."

"À mão" é locução adverbial de lugar, funcionando como adjunto adverbial. Não complementa verbo algum (na oração elíptica, o verbo "estar" é subentendido).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite."

A oração destacada é objeto direto de "pedir" (VTD). O verbo "pedir" exige complemento, e a oração substantiva objetiva direta cumpre esse papel. O pronome "me" é objeto indireto de "telefonem", mas o foco está na oração completa como complemento do verbo principal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O mar é meu."

"Meu" é pronome possessivo, adjunto adnominal de "mar". Não é complemento verbal; o verbo "é" é de ligação, e "meu" é predicativo do sujeito.

Conclusão: Apenas em D o termo destacado funciona como complemento verbal (objeto direto). As demais opções exercem outras funções sintáticas (predicativo, adjunto adverbial, adjunto adnominal).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre predicativo do sujeito e objeto direto, especialmente em verbos de ligação e reflexivos. Atenção à transitividade do verbo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar complemento verbal, pergunte ao verbo: "quê?" ou "a quem?". Se a resposta estiver no termo destacado, é objeto direto ou indireto. Em D, "pedir o quê?" → "que me telefonem".

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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