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Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
fg134637
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Leia o trecho inicial do prefácio do livro “As mentiras que os homens contam”, de Luís Fernando Veríssimo:“Nós nunca mentimos. Quando mentimos, é para o bem de vocês. Verdade. Começa na infância, quando a gente diz para a mãe que está sentindo uma coisa estranha, bem aqui, e não pode ir à aula sob pena de morrer no caminho. Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa e por isso não podíamos enfrentar a professora a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter. Melhor um doente do que um vagabundo. E se ela não acreditasse, e nos mandasse ir à escola de qualquer jeito, ainda tínhamos um trunfo sentimental. “Então vou ter que inventar uma história para a professora”, querendo dizer vou ter que mentir para outra mulher como se ela fosse você. “Está bem, fica em casa estudando!” E ficávamos em casa, fazendo tudo menos estudar, dando-lhe todas as razões para dizer que não nos aguentava mais, que é outra coisa que mãe também adora.”(VERÍSSIMO, Luís Fernando. As mentiras que os homens contam. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015)Quanto aos elementos apresentados no prefácio do livro para justificar as razões pelas quais os homens mentem, Veríssimo parece querer defender que, para os homens, a mentira é uma condição que está relacionada às regras sociais de modo
  1. Asubjetivo.
  2. Bnatural.
  3. Copressor.
  4. Dcovarde.
  5. Efacultativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — natural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A mentira como comportamento naturalizado

Gabarito: letra B. Veríssimo, com ironia, defende que a mentira não é uma escolha livre nem um desvio individual, mas algo natural dentro das regras sociais. A passagem "Quando mentimos, é para o bem de vocês" seguida do exemplo infantil (mentir para a mãe para evitar decepção) mostra que a mentira surge como resposta esperada às expectativas alheias, não como ato subjetivo ou facultativo.

Como o texto sustenta a resposta

O autor narra: "Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa … a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter."

A mentira é apresentada como um recurso natural para manter a harmonia social: evita-se a verdade que magoa em favor de uma "verdade" socialmente aceitável. Não há julgamento moral negativo; o tom cômico- irônico aceita a mentira como parte do jogo das relações.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta (subjetivo)

NÃO CAIA NESSA!

Troca conceito. O texto não trata a mentira como algo que depende da subjetividade de cada um. Pelo contrário, ela é apresentada como padrão de comportamento masculino, quase uma regra social.

Alternativa B — ✅ Correta (natural) ⟵ GABARITO

Exatamente o que o texto defende: a mentira é naturalizada pelas convenções sociais. A expressão "É para o bem de vocês" já revela que o autor considera a mentira um comportamento esperado e até benéfico.

Alternativa C — ❌ Incorreta (opressor)

NÃO CAIA NESSA!

Extrapolação. O texto não sugere que a mentira oprime ninguém. Pelo contrário, ela é vista como uma forma de proteção (poupar a mãe).

Alternativa D — ❌ Incorreta (covarde)

NÃO CAIA NESSA!

Contradiz o texto. O autor não qualifica a mentira como covardia; ele a descreve com ironia, mas sem esse juízo. O termo "covarde" seria uma interpretação moral que o texto não endossa.

Alternativa E — ❌ Incorreta (facultativo)

NÃO CAIA NESSA!

Restringe o sentido. A mentira não é apresentada como uma opção que se pode tomar ou deixar; ela surge como consequência natural das regras sociais. A frase "Nós nunca mentimos. Quando mentimos…" já estabelece um paradoxo que nega a facultatividade.

Resumo

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora adjetivos (subjetivo, natural, opressor, covarde, facultativo) que parecem plausíveis. A chave é perceber que o texto, com ironia, naturaliza a mentira, retirando-lhe o caráter de escolha consciente ou de vício pessoal. A alternativa correta é a que melhor capta essa naturalização.

Gabarito: letra B.

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