Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2026
- Código
- fg134637
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Asubjetivo.
- Bnatural.
- Copressor.
- Dcovarde.
- Efacultativo.
GabaritoB — natural.
Gabarito: letra B. Veríssimo, com ironia, defende que a mentira não é uma escolha livre nem um desvio individual, mas algo natural dentro das regras sociais. A passagem "Quando mentimos, é para o bem de vocês" seguida do exemplo infantil (mentir para a mãe para evitar decepção) mostra que a mentira surge como resposta esperada às expectativas alheias, não como ato subjetivo ou facultativo.
O autor narra: "Se fôssemos sinceros e disséssemos que não tínhamos feito a lição de casa … a mãe teria uma grande decepção. Assim, lhe dávamos a alegria de se preocupar conosco, que é a coisa que mãe mais gosta, e a poupávamos de descobrir a nossa falta de caráter."
A mentira é apresentada como um recurso natural para manter a harmonia social: evita-se a verdade que magoa em favor de uma "verdade" socialmente aceitável. Não há julgamento moral negativo; o tom cômico- irônico aceita a mentira como parte do jogo das relações.
Troca conceito. O texto não trata a mentira como algo que depende da subjetividade de cada um. Pelo contrário, ela é apresentada como padrão de comportamento masculino, quase uma regra social.
Exatamente o que o texto defende: a mentira é naturalizada pelas convenções sociais. A expressão "É para o bem de vocês" já revela que o autor considera a mentira um comportamento esperado e até benéfico.
Extrapolação. O texto não sugere que a mentira oprime ninguém. Pelo contrário, ela é vista como uma forma de proteção (poupar a mãe).
Contradiz o texto. O autor não qualifica a mentira como covardia; ele a descreve com ironia, mas sem esse juízo. O termo "covarde" seria uma interpretação moral que o texto não endossa.
Restringe o sentido. A mentira não é apresentada como uma opção que se pode tomar ou deixar; ela surge como consequência natural das regras sociais. A frase "Nós nunca mentimos. Quando mentimos…" já estabelece um paradoxo que nega a facultatividade.
A banca explora adjetivos (subjetivo, natural, opressor, covarde, facultativo) que parecem plausíveis. A chave é perceber que o texto, com ironia, naturaliza a mentira, retirando-lhe o caráter de escolha consciente ou de vício pessoal. A alternativa correta é a que melhor capta essa naturalização.
Gabarito: letra B.
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