Questão de Português — Morfologia — FGV 2026
- Código
- fg134638
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Abarracos e becos.
- Bfome e pipas.
- Cfome e pessoas.
- Dbarracos e sanduíche.
- Esanduíche e becos.
GabaritoA — barracos e becos.
Gabarito: letra A. A questão pede dois substantivos que, por si sós e em seu contexto de uso, transmitam a precariedade do ambiente descrito no texto. A única alternativa em que ambos os termos remetem diretamente a aspectos da pobreza e da violência da favela é barracos e becos.
“Barracos de caixas de tomate, madeiras de lei, carnaúba, pinho-de-riga, caibros cobertos, em geral, por telhas de zinco ou folhas de compensados.” “becos que, por terem só uma entrada, se tornam becos sem saídas”
O substantivo barracos (moradias improvisadas e frágeis) e becos (vielas estreitas e sem saída) são apresentados já no início do texto e associados à falta de estrutura, perigo e abandono. Nenhum outro par de substantivos carrega essa carga semântica de forma tão imediata.
Barracos e becos são os elementos centrais da ambientação: as moradias precárias e os becos que se tornam “sem saída” simbolizam a exclusão e a violência. Ambos são descritos com detalhes que reforçam a precariedade.
Fome aparece como “olhares carcomidos pela fome”, mas pipas não remete à precariedade; são mencionadas apenas para dizer que as crianças não soltavam pipas (privação). O substantivo “pipas” isoladamente não evoca o ambiente degradado.
Fome é forte, mas pessoas é genérico demais. O texto fala de pessoas em desespero, mas o termo “pessoas” por si só não carrega a ideia de precariedade; é neutro e depende de muitos qualificadores.
Barracos é adequado, mas sanduíche aparece em “sanduíche quase perfeito nas imediações de uma lanchonete” – o contexto sugere disputa por restos, mas o substantivo “sanduíche” sozinho não é símbolo de precariedade; a precariedade está no ato de disputar, não no objeto.
Becos funciona, mas sanduíche novamente falha, pelo mesmo motivo da alternativa D. O par não é equilibrado: apenas um dos dois termos sustenta a ideia de precariedade.
A banca usa “fome” e “pessoas”, que parecem fortes, mas “pessoas” é genérico e “pipas” é neutro. O candidato pode se deixar levar por palavras que aparecem em contextos negativos, sem verificar se o substantivo em si, no uso do texto, representa a precariedade.
Gabarito: letra A
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