Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
fg134645
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Leia o texto a seguir.Bola de meia, bola de gudeMarcelo BarretoGosto de ver futebol de criança. E não estou falando dos campeonatos, que atingem faixas etárias cada vez menores — outro dia, conheci um atleta do sub-7 de um grande time do Rio. É pelada mesmo, raiz. Pode ser na rua, na praia, com bola de plástico (no meu tempo se chamava Dente de Leite) ou chinelos no lugar das traves e aquela discussão sobre chutes altos: entrou, não entrou. Passo por uma e meu olhar é hipnotizado. Os melhores momentos são os primeiros, antes de cair na armadilha da racionalização e começar a procurar o craque ou ver como os times se organizam. Segundos — minutos, às vezes — dedicados ao prazer de acompanhar o fluxo dos movimentos, sempre na direção do ataque. (...)Parar para ver pelada de criança explica de que lado estou. Até consigo entender que há beleza na arte de se defender. Mas odeio zero a zero (e acho errado dar um ponto a cada time quando ele acontece; como pontuar sem botar a bola na rede?). Sou desses: não precisa ser de placa, eu quero ver gol. Por mim, toda bola na mão dentro da área seria pênalti e impedimentos só seriam marcados em casos extremos.(...) A bola não entra por acaso, diz o título de um livro. Ok, mas também não pode entrar só por mérito. Treinadores e jogadores costumam atribuir os gols que sofrem a dois fatores: falta de atenção ou erro de posicionamento. Pois vivam os desatentos e os mal posicionados! (...)(http://infoglobo.pressreader.com/o-globo/20190512 acesso em 20.10.25)A crônica de Marcelo Barreto, publicada em 2019 no jornal O Globo, constrói-se em torno da defesa de um ponto de vista.Nesse sentido, assinale a opção em que melhor se interpreta, no contexto da crônica, a frase final que aparece no fragmento selecionado nesta questão: “Pois vivam os desatentos e os mal posicionados!”.
AA aparente contradição da frase associa-se à defesa apaixonada do chamado “futebol de criança”.
BAo comemorar a desatenção, Barreto defende o futebol amador em detrimento do profissional.
CO verbo “vivam” adquire duplo sentido, contribuindo para a defesa da opinião do cronista.
DBarreto inicia a frase com o conectivo “pois” a fim de indicar, enfaticamente, a conclusão de seu texto.
EA frase é emblemática porque valoriza os responsáveis por marcar o gol em uma partida de futebol.
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GabaritoA — A aparente contradição da frase associa-se à defesa apaixonada do chamado “futebol de criança”.
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A aparente contradição e a defesa do futebol de criança
Gabarito: letra A. A frase final "Pois vivam os desatentos e os mal posicionados!" é entendida pelo contexto como uma defesa irônica dos erros que geram gols, e essa defesa se alinha ao ponto de vista central do cronista: a paixão pelo "futebol de criança", que valoriza o fluxo do jogo e os gols, sem racionalização excessiva.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa capta a aparente contradição (celebrar desatenção e mau posicionamento) e a conecta corretamente à defesa do futebol infantil. O autor afirma que ama ver "futebol de criança" e odeia zero a zero. Ao final, ironicamente, saúda os responsáveis pelos erros que permitem gols — exatamente o que torna o jogo infantil mais divertido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Extrapola ao opor futebol amador vs. profissional. O texto não faz essa dicotomia; o alvo é o "futebol de criança" (pelada), que pode ser tanto amador quanto profissional na base. A defesa não é do amador em si, mas do espírito descompromissado que gera muitos gols.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Força um duplo sentido no verbo "vivam". No contexto, "vivam" é uma saudação (viva! longa vida a...), não há ambiguidade com o sentido de "existir" ou "morar". A ironia está na escolha dos homenageados, não no verbo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O "pois" funciona como conectivo conclusivo ("portanto"), mas a frase não é a conclusão de todo o texto, e sim de um parágrafo. A alternativa superestima o alcance do conectivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A frase valoriza os que sofrem o gol (desatentos e mal posicionados), e não os que marcam. O texto celebra os erros que permitem o gol, não os autores do gol.
PEGA ESSA DICA!
Ao interpretar ironia, pergunte-se: "o que o autor quer dizer com essa afirmação aparentemente absurda?" Aqui, a absurdidade de elogiar a desatenção se resolve pelo amor ao gol.