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Questão de Português — Pontuação — FGV 2026

PortuguêsPontuação
Código
fg134651
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Leia o texto a seguir:“Ninguém sabe. Mas tem teorias, e cada linguista acredita em uma. Sim, tem gangues de linguistas e elas brigam sobre esse assunto (a verdade não é bem assim, mas eu gosto de falar em gangues de linguistas porque faz parecer que a faculdade de Letras foi mais animada do que ela de fato era). A primeira gangue defende que a função primordial da linguagem era apelativa. O macaco queria pedir algo. “Pega ali aquela banana?”. Ou seja, a linguagem nasce na segunda pessoa: pega. Faz. Sai. Volta. Nessa teoria, o ser humano é um macaco preguiçoso. Mas outros linguistas defendem que a função primordial da língua é a expressiva. A linguagem nasce da vontade do macaco de falar o que tá sentindo. “Que vontade de comer uma banana”. Ou seja, ela nasce na primeira pessoa. Eu. Nessa teoria, o ser humano é um macaco carente. Mas outros linguistas dizem que não é uma coisa nem outra. Ela é referencial. Para eles, a fala nasce na terceira pessoa: “Eles tão brigando por causa da banana”. Nessa teoria, o ser humano é sobretudo um fofoqueiro. Ele fala porque não consegue segurar o ímpeto de comentar a vida alheia. Mas tem uma quarta teoria, que é a minha preferida. A função primordial da língua não é nem apelativa nem expressiva nem referencial: ela é fática. Fático é tudo aquilo que a gente diz só pra fazer barulho. Tudo aquilo que não significa nada além de Tô aqui. Alô. Som. Testando. Fala. Podecrer. Tamo junto. É. Ô! Ihh. Ãrrã. Complicado. É cada uma que me aparece. Não repara a bagunça. Calor, né? E esse tempo que não firma? A gente vai se falando. Pra essa gangue, a principal função da linguagem é preencher o silêncio insuportável da existência.”(DUVIVIER, Gregório. O céu da Língua. Rio de Janeiro, Paddock, 2025.p. 23-24.)A pontuação pode servir como recurso expressivo em um texto e, mesmo sua ausência, pode manifestar intenções discursivas. Considerando isso, assinale a afirmativa em que se comenta adequadamente a presença ou a ausência de sinais de pontuação no texto de Gregório Duvivier em análise nesta questão.
  1. AO uso de frases mais curtas marcadas pelo ponto final, nas duas primeiras linhas do texto, revela a necessidade do narrador em expor sua opinião.
  2. BA presença dos parênteses, nas linhas 3-5, funciona como pausa na linha de raciocínio a fim de revelar um comentário do narrador.
  3. CO uso das aspas, nas linhas 7-8, 12-13 e 16-17, ocorre para dar voz a um personagem que, nesse caso, assume o contorno de protagonista.
  4. DA ausência de vírgulas na enumeração presente na linha 21 traduz a desimportância dada pelo narrador aos itens enumerados.
  5. EA ausência de aspas nas frases-exemplo que aparecem entre as linhas 24 e 27 funciona como uma forma de diminuir sua importância dada a raridade de seus usos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A presença dos parênteses, nas linhas 3-5, funciona como pausa na linha de raciocínio a fim de revelar um comentário do narrador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A pontuação como recurso expressivo

Gabarito: letra B. A presença dos parênteses nas linhas 3-5 funciona como uma pausa na linha de raciocínio para inserir um comentário pessoal do narrador, conforme se lê no trecho:

"(a verdade não é bem assim, mas eu gosto de falar em gangues de linguistas porque faz parecer que a faculdade de Letras foi mais animada do que ela de fato era)"

Esse uso é típico de parênteses: interromper a exposição principal para acrescentar uma observação lateral, mantendo o tom informal e irônico do texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O uso de frases curtas no início do texto ("Ninguém sabe. Mas tem teorias...") não revela "necessidade de expor opinião", mas sim a apresentação de um fato e a introdução do tema. Atribuir uma intenção emotiva ao narrador é extrapolar o que o texto oferece.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme explicado, os parênteses introduzem um comentário do narrador, funcionando como pausa explicativa. É a única alternativa que descreve com precisão o efeito da pontuação no trecho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As aspas nas linhas 7-8, 12-13 e 16-17 são usadas para marcar exemplos hipotéticos de fala ("Pega ali aquela banana?", etc.), e não para dar voz a um personagem que se torna protagonista. O texto não atribui essas falas a um indivíduo específico; são meras ilustrações das teorias.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A enumeração na linha 21 ("É. Ô! Ihh. Ãrrã. Complicado.") não apresenta vírgulas porque se trata de uma sequência de interjeições e expressões isoladas, não de uma lista coordenada. A ausência de vírgulas não traduz "desimportância", mas sim a natureza fragmentada dessas falas phativas. O narrador não as trata como inferiores; pelo contrário, valoriza-as como exemplos da função fática.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nas linhas 24-27 ("Calor, né? E esse tempo que não firma? A gente vai se falando."), as expressões não são grafadas com aspas. A justificativa de "diminuir sua importância dada a raridade de seus usos" é infundada: o contexto mostra que são frases comuns, não raras. A ausência de aspas aqui apenas mantém o padrão do discurso direto livre, não havendo indicação de hierarquia.

Conclusão: Apenas a alternativa B comenta adequadamente a função dos parênteses como recurso expressivo de pausa e comentário do narrador.

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