A pontuação como recurso expressivo
Gabarito: letra B. A presença dos parênteses nas linhas 3-5 funciona como uma pausa na linha de raciocínio para inserir um comentário pessoal do narrador, conforme se lê no trecho:
"(a verdade não é bem assim, mas eu gosto de falar em gangues de linguistas porque faz parecer que a faculdade de Letras foi mais animada do que ela de fato era)"
Esse uso é típico de parênteses: interromper a exposição principal para acrescentar uma observação lateral, mantendo o tom informal e irônico do texto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso de frases curtas no início do texto ("Ninguém sabe. Mas tem teorias...") não revela "necessidade de expor opinião", mas sim a apresentação de um fato e a introdução do tema. Atribuir uma intenção emotiva ao narrador é extrapolar o que o texto oferece.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme explicado, os parênteses introduzem um comentário do narrador, funcionando como pausa explicativa. É a única alternativa que descreve com precisão o efeito da pontuação no trecho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As aspas nas linhas 7-8, 12-13 e 16-17 são usadas para marcar exemplos hipotéticos de fala ("Pega ali aquela banana?", etc.), e não para dar voz a um personagem que se torna protagonista. O texto não atribui essas falas a um indivíduo específico; são meras ilustrações das teorias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A enumeração na linha 21 ("É. Ô! Ihh. Ãrrã. Complicado.") não apresenta vírgulas porque se trata de uma sequência de interjeições e expressões isoladas, não de uma lista coordenada. A ausência de vírgulas não traduz "desimportância", mas sim a natureza fragmentada dessas falas phativas. O narrador não as trata como inferiores; pelo contrário, valoriza-as como exemplos da função fática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Nas linhas 24-27 ("Calor, né? E esse tempo que não firma? A gente vai se falando."), as expressões não são grafadas com aspas. A justificativa de "diminuir sua importância dada a raridade de seus usos" é infundada: o contexto mostra que são frases comuns, não raras. A ausência de aspas aqui apenas mantém o padrão do discurso direto livre, não havendo indicação de hierarquia.
Conclusão: Apenas a alternativa B comenta adequadamente a função dos parênteses como recurso expressivo de pausa e comentário do narrador.