Questão de Criminalística — Aspectos Gerais da Sexologia — FGV 2026
Criminalística›Aspectos Gerais da Sexologia
Código
fg155469
Banca
FGV
Órgão
PC PI
Ano
2026
Cargo
Per OC ( )
A literatura aponta que o exame físico conduz com confiança a confirmação de abuso sexual em crianças em menos de 50% dos casos. Sobre sinais e sintomas observados em crianças que podem ser vítimas de crimes sexuais, é correto afirmar que
Ao diagnóstico de HPV caracteriza crime sexual em qualquer idade.
Ba presença de condilomas causados pelo HPV, em menores de dois anos, tem como principal suspeita etiológica a transmissão vertical.
Ca transmissão de HPV não ocorre através do contato de roupas compartilhadas, devendo-se sempre suspeitar de abuso sexual.
Das lesões causadas por sífilis são visíveis por longo período e são típicas de crimes sexuais.
Eas doenças sexualmente transmissíveis sempre causam secreções purulentas, sendo esse o primeiro sinal para se pensar em crime sexual.
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GabaritoB — a presença de condilomas causados pelo HPV, em menores de dois anos, tem como principal suspeita etiológica a transmissão vertical.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sexologia Forense: sinais de abuso sexual em crianças
Gabarito: letra B. Em crianças menores de dois anos, a presença de condilomas (verrugas genitais) causados pelo HPV tem como principal suspeita etiológica a transmissão vertical (da mãe para o filho durante o parto), e não o abuso sexual — embora este deva ser sempre investigado. Essa é a leitura correta do enunciado, que cobra o conhecimento sobre a transmissão não sexual do HPV em bebês.
O exame físico em crianças vítimas de abuso sexual raramente apresenta lesões que confirmem o ato: a literatura aponta que menos de 50% dos casos têm confirmação por exame físico. Isso significa que a ausência de lesões não exclui o abuso, e que a presença de certos sinais — como doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) — deve ser interpretada com cautela, pois nem toda DST em criança é indicativa de violência sexual.
O HPV (Papilomavírus Humano) é uma das DSTs mais estudadas nesse contexto. Em crianças, a transmissão pode ocorrer por três vias: vertical (durante a gestação ou parto), por contato direto com lesões (incluindo abuso sexual) e, em tese, por fômites (objetos contaminados, como roupas íntimas). A transmissão vertical é a mais comum em menores de dois anos, pois o vírus pode ser transmitido da mãe para o bebê no momento do parto, mesmo sem lesões ativas na mãe. Por isso, a simples presença de condilomas em uma criança pequena não é, por si só, prova de abuso sexual — é preciso considerar a história clínica e epidemiológica.
A sífilis, por sua vez, também pode ser transmitida verticalmente (sífilis congênita), e suas lesões (como o cancro duro) podem aparecer e desaparecer espontaneamente, o que dificulta o diagnóstico tardio. Já as secreções purulentas não são um sinal específico de DST — podem ocorrer em diversas infecções, e muitas DSTs são assintomáticas ou apresentam outros sintomas.
A banca explora justamente a confusão entre "presença de DST" e "certeza de abuso sexual". A regra de ouro é: em crianças, a presença de DST é um forte indicativo de abuso, mas não é diagnóstico definitivo — é preciso excluir outras formas de transmissão, especialmente a vertical. Guarde essa distinção: é ela que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O diagnóstico de HPV não caracteriza crime sexual em qualquer idade. Em adultos, o HPV pode ser transmitido por relações sexuais consensuais; em crianças, como visto, pode haver transmissão vertical. A afirmativa é generalizante e ignora essas possibilidades.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta: em menores de dois anos, a principal suspeita etiológica para condilomas por HPV é a transmissão vertical. Isso não exclui a investigação de abuso, mas a literatura médica aponta a via vertical como a mais provável nessa faixa etária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que a transmissão de HPV não ocorre por roupas compartilhadas e que se deve sempre suspeitar de abuso. Há controvérsia sobre a transmissão por fômites (roupas, toalhas), mas a comunidade científica admite essa possibilidade, ainda que rara. Além disso, "sempre suspeitar de abuso" é uma generalização indevida, pois a transmissão vertical é uma alternativa real.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As lesões de sífilis (cancro duro) não são visíveis por longo período — elas desaparecem espontaneamente em semanas, mesmo sem tratamento. Além disso, a sífilis pode ser congênita (transmitida verticalmente), não sendo típica de crimes sexuais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As DSTs não causam sempre secreções purulentas. Muitas são assintomáticas (como o HPV) ou apresentam outros sintomas (como úlceras na sífilis). A secreção purulenta é um sinal inespecífico, presente em várias infecções não sexualmente transmissíveis.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato associar automaticamente "DST em criança" a "abuso sexual". A pegadinha está em ignorar a transmissão vertical, que é a principal via em menores de dois anos. Lembre-se: a presença de HPV em bebê não é prova de crime — é preciso investigar a história materna.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de sexologia forense, decore as vias de transmissão do HPV: vertical, sexual e fômites. Em crianças, a vertical é a mais comum; em adolescentes e adultos, a sexual. Essa distinção resolve a maioria das questões sobre DSTs em vítimas de abuso.