Questão de Criminalística — Geral — FGV 2026
- Código
- fg155472
- Banca
- FGV
- Órgão
- PC PI
- Ano
- 2026
- Cargo
- Per OC ( )
- A1,06 \times 10-5
- B3,0 \times 10-3
- C2,4 \times 10-3
- D1,02 \times 10-6
- E7,2 \times 10-5
GabaritoA — 1,06 \times 10-5
Gabarito: letra A. A probabilidade de um indivíduo aleatório apresentar o mesmo perfil genético é calculada pelo produto das frequências genotípicas de cada locus, assumindo equilíbrio de Hardy-Weinberg e independência entre os loci. Para o locus A (heterozigoto A4/A6), a frequência genotípica é ; para o locus B (heterozigoto B1/B7), é . Multiplicando as duas: , que mais se aproxima de .
A genética forense utiliza marcadores de DNA para individualizar amostras biológicas. O cálculo da frequência de um perfil genético em uma população é fundamental para estimar a raridade daquele perfil e, consequentemente, seu valor probatório. A probabilidade de um perfil genético específico ocorrer em um indivíduo aleatório é o produto das frequências genotípicas de cada locus analisado, desde que os loci sejam independentes (equilíbrio de ligação) e a população esteja em equilíbrio de Hardy-Weinberg.
O equilíbrio de Hardy-Weinberg estabelece que, em uma população grande, com cruzamentos aleatórios e sem forças evolutivas atuando, as frequências alélicas e genotípicas permanecem constantes ao longo das gerações. Para um locus com dois alelos, as frequências genotípicas são calculadas como:
Homozigoto: ou
Heterozigoto:
No caso de um heterozigoto, a frequência genotípica é o dobro do produto das frequências dos dois alelos, pois há duas maneiras de formar o genótipo (um alelo do pai e outro da mãe, ou vice-versa).
Como os loci são independentes, a probabilidade conjunta de um perfil é o produto das frequências genotípicas de cada locus. Isso é conhecido como regra do produto, amplamente utilizada em cálculos de frequência de perfis genéticos forenses.
A pegadinha desta questão está em esquecer o fator 2 para heterozigotos. Muitos candidatos calculam apenas o produto das frequências alélicas (0,02 × 0,06 × 0,02 × 0,11 = 2,64 × 10⁻⁶), o que levaria à alternativa D. No entanto, para heterozigotos, a frequência genotípica é 2pq, não pq. Esse fator 2 é crucial e dobra o resultado final.
Guarde o critério decisivo: para cada locus heterozigoto, multiplique as frequências alélicas por 2; para homozigotos, use o quadrado da frequência. Depois, multiplique os resultados de todos os loci. É exatamente nesse detalhe que as alternativas se separam.
O cálculo correto é:
Locus A (heterozigoto A4/A6):
Locus B (heterozigoto B1/B7):
Probabilidade conjunta:
O valor é o que mais se aproxima de . A alternativa está correta porque aplica corretamente a regra do produto com o fator 2 para heterozigotos.
O valor é muito maior que o resultado correto. Esse número poderia surgir se o candidato calculasse apenas o produto das frequências alélicas sem o fator 2 e sem considerar a independência corretamente, ou se cometesse um erro de ordem de grandeza. Não corresponde a nenhum cálculo direto com os dados fornecidos.
O valor corresponde à frequência genotípica do locus A isoladamente (), sem multiplicar pela frequência do locus B. O candidato que parou no primeiro locus e não completou o produto chegaria a esse número. Falta a multiplicação pelo segundo locus.
O valor é o resultado de multiplicar as frequências alélicas sem o fator 2 para heterozigotos: . Esse número é cerca de 2,5 vezes menor que o correto, pois ignora o fator 2 em ambos os loci. É a pegadinha clássica: esquecer que heterozigotos têm frequência .
O valor não corresponde a nenhum cálculo direto com os dados fornecidos. Poderia surgir de um erro de arredondamento ou de uma multiplicação incorreta das frequências. Não há uma justificativa lógica clara para esse número.
A banca explora a confusão entre frequência alélica e frequência genotípica. Para heterozigotos, a frequência genotípica é , não . O candidato que esquece o fator 2 chega à alternativa D (), que é um distrator clássico. Lembre-se: o fator 2 representa as duas combinações possíveis de herança (alelo p do pai e q da mãe, ou vice-versa).
Na hora da prova, monte o cálculo passo a passo:
Identifique se cada locus é homo ou heterozigoto.
Para heterozigoto: ; para homozigoto: .
Multiplique os resultados de todos os loci.
Confira a ordem de grandeza: com frequências alélicas na casa de 0,01–0,1, o produto de dois loci heterozigotos fica na casa de .
Gabarito: letra A
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