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Questão de Português — Crase — FGV 2026

PortuguêsCrase
Código
fg156018
Banca
FGV
Órgão
AMAZUL
Ano
2026
Cargo
ADTND ( )

Por não estarem distraídos

(Clarice Lispector)

 

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbitos, exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

A questão refere-se ao texto a seguir:     A crase em “eles respiravam de antemão o ar que estava à frente” se justifica, pois
  1. Atrata-se de um complemento do verbo.
  2. Bé um uso facultativo, já que desfaz uma ambiguidade no trecho.
  3. Cacompanha uma locução conjuntiva.
  4. Drepresenta um caso de uso com locução adverbial feminina.
  5. Eobserva-se uma atribuição espacial condicionada pelo verbo de estado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — representa um caso de uso com locução adverbial feminina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em locução adverbial feminina

Gabarito: letra D. A crase em "à frente" se justifica porque "à frente" é uma locução adverbial feminina (de lugar), e a regra manda usar crase em locuções adverbiais formadas por palavra feminina. No trecho "eles respiravam de antemão o ar que estava à frente", "à frente" funciona como adjunto adverbial de lugar, e a crase é obrigatória nesse tipo de locução.

O comando da questão

A questão pergunta por que a crase em "à frente" é correta. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao trecho: é preciso identificar a natureza da expressão que recebeu o acento grave. O verbo "respiravam" é transitivo direto (respira-se algo), então "o ar" é objeto direto; "à frente" não é complemento do verbo, mas sim uma circunstância de lugar — um adjunto adverbial.

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos). Um dos casos de crase obrigatória é justamente o das locuções adverbiais femininas: à noite, à tarde, às vezes, à direita, à esquerda, à frente, à toa, à vontade, etc. Nessas expressões, o "a" é preposição e o termo seguinte é um substantivo feminino que admite artigo — daí a fusão.

No trecho, "à frente" indica posição/lugar (o ar que estava adiante deles). É uma locução adverbial feminina consagrada, e a crase é obrigatória. A alternativa D captura exatamente isso.

Análise das alternativas

Crase em locução adverbial feminina
  • 1"à frente" = locução adverbial de lugar
    • Crase obrigatória
    • Ex.: à noite, à tarde, à direita
  • 2Não é complemento do verbo
    • "respiravam" é VTD → "o ar" é OD
  • 3Não é facultativa
    • Facultativa
      • nome próprio feminino, possessivo, após "até"
  • 4Não é locução conjuntiva
    • Conjuntivas: à medida que, à proporção que
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "à frente" não é complemento do verbo. O verbo "respiravam" é transitivo direto e seu complemento é "o ar" (objeto direto). "à frente" é um adjunto adverbial de lugar, termo acessório que indica circunstância, não complemento verbal. A banca tenta confundir quem não identifica a função sintática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. A crase em "à frente" é obrigatória, não facultativa. O uso facultativo ocorre em casos como antes de nome próprio feminino, antes de possessivo adjetivo feminino ou após "até" — não em locuções adverbiais femininas. Além disso, não há ambiguidade a desfazer no trecho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "à frente" não é locução conjuntiva. Locuções conjuntivas são expressões que introduzem orações subordinadas, como "à medida que", "à proporção que". "à frente" é locução adverbial, pois modifica o verbo indicando lugar.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. "à frente" é uma locução adverbial feminina (de lugar). A crase é obrigatória em locuções adverbiais formadas por palavra feminina, como "à noite", "à tarde", "à direita", "à frente". No trecho, "à frente" indica a posição do ar em relação aos personagens, funcionando como adjunto adverbial de lugar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Não há "atribuição espacial condicionada pelo verbo de estado". O verbo "respiravam" é de ação, não de estado. "à frente" é um adjunto adverbial de lugar, mas a justificativa da crase não depende do tipo de verbo, e sim da natureza da locução adverbial feminina.

Conclusão

A crase em "à frente" é obrigatória porque se trata de locução adverbial feminina. As demais alternativas confundem a função sintática ou o tipo de locução. Gabarito: letra D.

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