Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2026
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
fg156024
Banca
FGV
Órgão
ALERJ
Ano
2026
Cargo
Esp Leg ( )
Problemas do Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro, com sua mistura de beleza natural, cultura
vibrante e complexidade urbana, enfrenta uma série de desafios
que afetam o dia a dia dos seus moradores. Nos últimos tempos,
três questões têm se destacado como as principais preocupações
da população: a violência urbana, o transporte público e a saúde
pública.
A violência continua sendo um dos principais problemas no
Rio de Janeiro. Assaltos, tiroteios e conflitos em áreas dominadas
pelo tráfico de drogas e pelas milícias criam um cenário de
insegurança. Além disso, a criminalidade tem impactos diretos na
economia local, afetando o turismo, os negócios e a qualidade de
vida da população.
As soluções para isso são:
Investimento em Segurança Pública: aumentar o número de
policiais nas ruas, melhorando o treinamento e a capacitação, e
fornecendo equipamentos adequados. Focar em inteligência
policial para combater as redes de tráfico e milícias.
Fortalecimento das Políticas Sociais: a violência urbana não
pode ser combatida apenas com repressão. É essencial investir
em educação, cultura e oportunidades de emprego,
especialmente nas comunidades mais vulneráveis, para reduzir a
entrada de jovens no crime.
Policiamento Comunitário: implementar o policiamento
comunitário que promova uma relação de confiança entre os
cidadãos e as forças de segurança, incentivando a denúncia de
crimes e colaborando na prevenção.
(Evandro Brasil, 24/11/2024)
Atenção: o texto a seguir se refere à próxima questão. O Texto pode ser classificado como
Anormativo, pois traz indicações para que os problemas do Rio sejam solucionados.
Bpublicitário, já que traz indicações positivas da natureza do Rio a fim de atrair turistas.
Cdidático, visto que procura ensinar aos leitores como identificar os problemas cariocas.
Dinformativo, pois seleciona no noticiário aspectos interessantes de leitura sobre o Rio.
Eexortativo, já que se propõe a exortar os cariocas a se defenderem dos problemas que os afligem.
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GabaritoA — normativo, pois traz indicações para que os problemas do Rio sejam solucionados.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tipologia textual: o texto é normativo/injuntivo
Gabarito: letra A. O texto é normativo (ou injuntivo/instrucional) porque, após diagnosticar os problemas do Rio, apresenta indicações de como solucioná-los — verbos no infinitivo com valor de recomendação, como "aumentar", "melhorar", "fornecer", "investir", "implementar". A passagem que ancora a resposta é a introdução da lista de soluções: "As soluções para isso são:", seguida de itens que prescrevem ações. As demais alternativas ou extrapolam (publicitário, exortativo) ou tangenciam o propósito central (didático, informativo).
O comando
A questão pede para classificar o texto quanto à tipologia — ou seja, identificar a intenção predominante do autor. Não se trata de compreensão literal nem de inferência: é uma questão de conceito (tipologia textual). O método é olhar para o propósito comunicativo (o que o texto quer fazer com o leitor) e não para a forma isolada. Como ensina a teoria: "para decifrar a tipologia deve-se olhar para a INTENÇÃO do autor (conteúdo) e NÃO PARA A FORMA".
O texto: diagnóstico + prescrição
O texto tem duas partes bem distintas:
Diagnóstico (1º e 2º parágrafos): apresenta os problemas — violência, transporte, saúde — de forma expositiva.
Prescrição (a partir de "As soluções para isso são:"): enumera o que deve ser feito para resolver cada problema.
A segunda parte é a que predomina e define a tipologia. Veja os verbos:
"Investimento em Segurança Pública: aumentar o número de policiais nas ruas, melhorando o treinamento e a capacitação, e fornecendo equipamentos adequados."
"Fortalecimento das Políticas Sociais: ... É essencial investir em educação, cultura e oportunidades de emprego"
"Policiamento Comunitário: implementar o policiamento comunitário que promova uma relação de confiança"
Esses verbos no infinitivo e no presente do subjuntivo com valor de recomendação são a marca linguística clássica do texto injuntivo/normativo: eles orientam, prescrevem, recomendam ações. O texto não apenas informa sobre os problemas — ele diz o que fazer para resolvê-los.
A técnica que decide
A tipologia se define pela finalidade predominante. O texto começa expositivo (informa os problemas), mas a parte final e mais extensa é claramente instrucional/normativa: apresenta um rol de soluções com verbos que indicam obrigação ou recomendação (aumentar, investir, implementar). É exatamente o que caracteriza o texto injuntivo: "Orientar o leitor a realizar algo", com "verbos no imperativo ou infinitivo impessoal" e "modais de dever, obrigação".
A alternativa A captura isso com a palavra "normativo" — sinônimo de prescritivo/injuntivo — e justifica: "traz indicações para que os problemas do Rio sejam solucionados". É uma paráfrase fiel da intenção do texto.
A alternativa está correta porque o texto, em sua parte final, prescreve soluções. A passagem decisiva é:
"As soluções para isso são:"
seguida de itens com verbos no infinitivo ("aumentar", "investir", "implementar") que indicam o que deve ser feito. Isso é a essência do texto normativo/injuntivo: dar instruções, orientações, diretrizes sobre como agir. A palavra "normativo" é usada aqui como sinônimo de prescritivo — o texto estabelece normas de conduta/ação para resolver os problemas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação (fora do escopo). A alternativa afirma que o texto "traz indicações positivas da natureza do Rio a fim de atrair turistas". O texto menciona o turismo apenas como vítima da violência ("afetando o turismo"), e não há nenhuma intenção publicitária de atrair turistas. A palavra "publicitário" exige um propósito de persuasão comercial, que não existe aqui. O texto não elogia a natureza do Rio nem convida ninguém a visitá-lo — ele diagnostica problemas e prescreve soluções. A alternativa inventa uma finalidade que o texto não tem.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: tangenciamento (fuga ao tema central). A alternativa diz que o texto "procura ensinar aos leitores como identificar os problemas cariocas". O texto não ensina a identificar problemas — ele já os identifica e, principalmente, prescreve soluções. O foco não é "como reconhecer um problema", mas "o que fazer para resolvê-lo". Há um traço didático no diagnóstico, mas a finalidade predominante é normativa, não pedagógica. A alternativa restringe o alcance do texto a uma função secundária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: afirmação incompleta (restringe o propósito). A alternativa afirma que o texto é "informativo, pois seleciona no noticiário aspectos interessantes". É verdade que o texto informa sobre os problemas do Rio — mas isso é apenas a primeira parte. A parte final, com as soluções, tem caráter prescritivo/normativo, que é o que predomina e define a tipologia. Classificar o texto apenas como "informativo" ignora a parte mais importante: as indicações de como solucionar os problemas. A tipologia se define pela intenção predominante, e aqui a intenção é orientar ações, não apenas informar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação (acrescenta opinião/finalidade ausente). A alternativa afirma que o texto "se propõe a exortar os cariocas a se defenderem dos problemas". O texto não faz um apelo direto aos cariocas — não há vocativo, não há "vocês devem", não há tom de convocação. O texto é impessoal e prescritivo: apresenta soluções de forma genérica ("aumentar o número de policiais", "investir em educação"), sem exortar ninguém diretamente. "Exortar" significa conclamar, incitar alguém a agir — o que exigiria um apelo direto ao leitor, ausente no texto. A alternativa inventa um tom que não existe.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre texto injuntivo (que prescreve ações de forma impessoal, como este) e texto exortativo/apelativo (que convoca diretamente o leitor, com verbos no imperativo e vocativos). O texto prescreve, mas não exorta ninguém — a diferença está no tom impessoal.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar a tipologia, pergunte: "o que o autor quer fazer comigo?" — informar? convencer? contar? descrever? orientar? Se a resposta for "orientar o que fazer", é injuntivo/normativo. Grife os verbos: infinitivos e imperativos denunciam o texto instrucional.
Conclusão: a tipologia se define pela intenção predominante. O texto diagnostica problemas (parte expositiva) mas prescreve soluções (parte normativa) — e é esta última que predomina. A alternativa A é a única que captura essa finalidade: "traz indicações para que os problemas do Rio sejam solucionados". As demais ou extrapolam (publicitário, exortativo) ou restringem o propósito (didático, informativo).