Valor semântico da preposição "de" — causa
Gabarito: letra D. A única frase em que a preposição "de" expressa valor de causa é a D — "Morri de uma pneumonia" —, pois a pneumonia é o motivo da morte. Nas demais, o "de" indica, respectivamente, tempo (A), matéria (B), modo (C) e especificação (E). A banca cobra exatamente a distinção entre os valores nocionais da preposição, que só se revelam pelo contexto.
O comando e o que ele pede
A questão pede que você identifique, entre cinco frases, aquela em que a preposição "de" tem valor de causa. Isso é uma questão de semântica da preposição: a preposição, isoladamente, é "vazia" de sentido; é o contexto que lhe atribui um valor (causa, modo, matéria, posse, tempo etc.). A técnica é substituir a preposição por uma locução equivalente e ver se o sentido se mantém. Para causa, a locução é "por causa de".
A técnica que decide
Teste cada alternativa substituindo "de" por "por causa de":
A) "Tinha vindo de importuno a oportuno." → "por causa de importuno"? Não. Aqui, "de" indica tempo (de um momento a outro).
B) "Jorge sentiu a pressão de uns dedos de ferro." → "por causa de uns dedos de ferro"? Não. "de" indica matéria (dedos feitos de ferro).
C) "Agradeci-lho de joelhos." → "por causa de joelhos"? Não. "de" indica modo (como agradeci: de joelhos).
D) "Morri de uma pneumonia." → "Morri por causa de uma pneumonia." Sim! A pneumonia é a causa da morte.
E) "Era o meu gato sultão, que brincava à porta da alcova com uma bola de papel." → "por causa de papel"? Não. "de" indica especificação (bola feita de papel).
A pegadinha da banca
A banca adora cobrar o valor semântico das preposições, e a preposição "de" é uma das mais polissêmicas. A pegadinha clássica é confundir causa com modo ou matéria. Veja:
Causa: "Morri de frio" (o frio é o motivo).
Modo: "Agradeci de joelhos" (a maneira como agradeci).
Matéria: "Dedos de ferro" (do que são feitos).
A dica é sempre substituir a preposição pela locução "por causa de" e ver se a frase continua fazendo sentido. Se fizer, é causa.
Valor de "de" | Frase | Substituição por "por causa de" |
|---|
Tempo | "Tinha vindo de importuno a oportuno." | Não faz sentido |
Matéria | "pressão de uns dedos de ferro." | Não faz sentido |
Modo | "Agradeci-lho de joelhos." | Não faz sentido |
Causa | "Morri de uma pneumonia." | Faz sentido |
Especificação | "bola de papel." | Não faz sentido |
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Tinha vindo de importuno a oportuno."
Aqui, "de" indica tempo (de um momento a outro), não causa. A substituição por "por causa de" não faz sentido: "Tinha vindo por causa de importuno a oportuno" não expressa a ideia original. O valor é de ponto de partida temporal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Jorge sentiu a pressão de uns dedos de ferro."
"de" indica matéria (dedos feitos de ferro), não causa. A substituição por "por causa de" não funciona: "a pressão por causa de uns dedos de ferro" não mantém o sentido. O valor é de matéria.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Agradeci-lho de joelhos."
"de" indica modo (a maneira como agradeci: de joelhos), não causa. A substituição por "por causa de" não funciona: "Agradeci-lho por causa de joelhos" não faz sentido. O valor é de modo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Morri de uma pneumonia."
Aqui, "de" indica causa: a pneumonia é o motivo da morte. A substituição por "por causa de" funciona perfeitamente: "Morri por causa de uma pneumonia." O valor é de causa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Era o meu gato sultão, que brincava à porta da alcova com uma bola de papel."
"de" indica especificação (bola feita de papel), não causa. A substituição por "por causa de" não funciona: "bola por causa de papel" não mantém o sentido. O valor é de especificação.
Conclusão
A única alternativa em que a preposição "de" tem valor de causa é a D. A técnica da substituição por "por causa de" é infalível para identificar o valor causal. Lembre-se: a preposição só ganha sentido no contexto, e a banca explora exatamente essa polissemia.
Gabarito: letra D