Questão de Português — Pronomes Demonstrativos — FGV 2026
Português›Pronomes Demonstrativos
Código
fg156037
Banca
FGV
Órgão
ALEGO
Ano
2026
Cargo
Ass Leg ( )
Leia com atenção o seguinte texto, retirado do Livro dos Erros, organizado por Mário Goulart:
“O bispo de Botucatu encomendou pinturas religiosas a Cândido Portinari. Na entrega das obras, o bispo começou a fazer observações, criticando isto e aquilo. Portinari logo o interrompeu:
- O senhor, na sua profissão é bispo. Eu, na minha, sou papa.
Sobre a estruturação ou a significação do texto, assinale a afirmativa correta.
ANo primeiro período do texto, há uma crítica indireta ao bispo de Botucatu.
BAs pinturas religiosas encomendadas foram designadas como “obras”, seu sinônimo, na continuidade do texto, com a finalidade de valorizá-las.
COs pronomes “isto e aquilo” não mostram antecedentes esclarecedores no texto.
DAs palavras “bispo” e “papa”, na última frase do texto, estão empregadas em sentido figurado.
EAs comparações entre bispo e papa têm a intenção de mostrar a superioridade de ambos, um em cada campo de atuação.
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GabaritoC — Os pronomes “isto e aquilo” não mostram antecedentes esclarecedores no texto.
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Pronomes demonstrativos e sentido figurado no texto de Portinari
Gabarito: letra C. A afirmativa correta é a C, pois os pronomes “isto e aquilo” realmente não possuem antecedentes esclarecedores no texto — eles se referem, de forma vaga, às críticas do bispo, sem retomar um termo específico. Como se lê no trecho: “o bispo começou a fazer observações, criticando isto e aquilo”. A banca cobra a função dêitica dos pronomes demonstrativos, que aqui apontam para algo não nomeado, e não a função anafórica.
O comando da questão
O enunciado pede a afirmativa correta sobre a estruturação ou significação do texto. Isso significa que devemos analisar cada alternativa à luz do que está escrito e do que se pode inferir legitimamente — sem extrapolar. A questão mistura interpretação (o que o texto sugere) e gramática (o valor dos pronomes), então é preciso separar o que é fato textual do que é opinião ou dedução sem base.
O texto e o movimento argumentativo
O texto é uma anedota: o bispo critica as pinturas de Portinari, e o pintor responde com uma comparação irônica: “O senhor, na sua profissão é bispo. Eu, na minha, sou papa.” A tese implícita é que cada um é autoridade em sua área — Portinari se coloca como “papa” da pintura, assim como o bispo é autoridade religiosa. A resposta de Portinari é uma defesa irônica, não uma declaração literal de superioridade religiosa.
A técnica que decide a questão
A alternativa C é a única que se sustenta integralmente no texto. Os pronomes “isto e aquilo” são demonstrativos neutros que, no contexto, funcionam como dêiticos — apontam para as críticas do bispo, mas sem nomear um antecedente específico. No texto, não há um termo anterior que eles retomem; eles apenas indicam “as observações” de forma genérica. Isso é diferente de uma anáfora, em que o pronome retoma um termo já expresso (ex.: “Comprei um livro; ele é ótimo”). Aqui, “isto e aquilo” não retomam nada nomeado — são referências vagas.
Análise das alternativas
Pronomes demonstrativos
1Função anafórica
Retomam termo já expresso
Ex.: "Comprei um livro; ele é ótimo"
2Função dêitica
Apontam para algo fora do texto
Referência vaga
Ex.: "criticando isto e aquilo"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que “no primeiro período do texto, há uma crítica indireta ao bispo de Botucatu”. O primeiro período é: “O bispo de Botucatu encomendou pinturas religiosas a Cândido Portinari.” Esse período é meramente informativo — narra um fato, sem qualquer tom crítico. A crítica (ou melhor, a resposta irônica) só aparece na fala de Portinari, no final. Portanto, a alternativa extrapola ao atribuir uma crítica onde o texto não a coloca.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que “as pinturas religiosas encomendadas foram designadas como ‘obras’, seu sinônimo, na continuidade do texto, com a finalidade de valorizá-las”. De fato, o texto usa “obras” para se referir às pinturas: “Na entrega das obras...”. Porém, a finalidade de valorização é uma opinião embutida — o texto não diz que o uso de “obras” tem a intenção de valorizar. “Obras” é um sinônimo comum e neutro; não há marca textual de valorização. A alternativa acrescenta uma intenção que não está no texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa diz que “os pronomes ‘isto e aquilo’ não mostram antecedentes esclarecedores no texto”. Isso é exatamente o que ocorre. No trecho: “o bispo começou a fazer observações, criticando isto e aquilo”, os pronomes não retomam nenhum termo específico anterior — eles apenas indicam, de forma vaga, as críticas. Não há um substantivo ou ideia nomeada que eles substituam. Portanto, a afirmativa está correta e é a única que se apoia diretamente no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que “as palavras ‘bispo’ e ‘papa’, na última frase do texto, estão empregadas em sentido figurado”. Na verdade, “bispo” e “papa” são usados em sentido literal — referem-se aos cargos eclesiásticos. O que é figurado é a comparação que Portinari faz: ele se equipara ao papa em sua área, mas as palavras em si mantêm seu sentido próprio. A alternativa confunde o sentido das palavras com o sentido da construção comparativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que “as comparações entre bispo e papa têm a intenção de mostrar a superioridade de ambos, um em cada campo de atuação”. O texto não diz isso. A fala de Portinari é uma defesa irônica — ele se coloca como autoridade máxima em sua arte, mas não há indicação de que queira mostrar a superioridade do bispo. A alternativa extrapola ao atribuir uma intenção de “mostrar a superioridade de ambos”, que não está no texto.
Conclusão
A única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a C. As demais ou extrapolam (A, E), ou embutem opinião (B), ou confundem sentido literal e figurado (D). Lembre-se: em questões de interpretação, a resposta deve estar ancorada no texto — se a alternativa exige que você acrescente algo de fora, ela está errada.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar pronomes demonstrativos, pergunte: eles retomam um termo já dito (anáfora) ou apontam para algo fora do texto (dêixis)? Se não houver antecedente claro, a referência é vaga.