Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — FGV 2026
Português›Orações Subordinadas Adjetivas
Código
fg156042
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2026
Cargo
Ag PM ( )
Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!
Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...
(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.)
ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se a próxima questão. Assinale a opção em que a reescrita do trecho “Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz (...)” mantém o sentido original.
AAs insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas.
BAs insensíveis colhem rosas, que vivem eternamente na doce paz.
CEternamente na doce paz vivem as insensíveis que colhem rosas.
DAs insensíveis eternamente colhem rosas, que vivem na doce paz.
ENa doce paz, eternamente vivem as rosas, que colhem as insensíveis.
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GabaritoA — As insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas.
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Reescrita e manutenção do sentido: oração adjetiva explicativa
Gabarito: letra A. A única reescrita que mantém o sentido original é a A, pois preserva a relação sintático-semântica entre os termos: em "Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz", a oração "que vivem eternamente na doce paz" é uma oração subordinada adjetiva explicativa que se refere a "as insensíveis" (sujeito posposto de "colhem"). A alternativa A — "As insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas" — apenas antepõe o sujeito e mantém a oração adjetiva imediatamente após o seu referente, preservando integralmente o sentido. As demais alternativas deslocam o pronome relativo "que", fazendo-o referir-se a outro termo ("rosas") ou invertendo a lógica da ação, o que altera o sentido original.
O comando: reescrita sem alteração de sentido
A questão pede uma reescritura do trecho que mantenha o sentido original. Isso significa que a alternativa correta deve se equivaler semanticamente ao original, preservando:
Quem pratica a ação (sujeito): "as insensíveis" (as mulheres insensíveis, que não sofrem).
O que é praticado (objeto direto): "rosas".
A característica atribuída ao sujeito: "que vivem eternamente na doce paz" — uma oração adjetiva explicativa que acrescenta uma qualidade ao sujeito, sem restringi-lo.
Qualquer mudança que faça o pronome relativo "que" referir-se a outro termo (como "rosas") ou que inverta a relação entre sujeito e objeto altera o sentido.
O texto e a estrutura da oração
No trecho original, a ordem é verbo – objeto – sujeito (VOS): "Colhem rosas as insensíveis". O sujeito "as insensíveis" vem depois do verbo e do objeto. A oração adjetiva "que vivem eternamente na doce paz" está imediatamente após o sujeito, o que garante que o pronome relativo "que" retome "as insensíveis".
"Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz"
A vírgula antes de "que" indica que se trata de uma oração adjetiva explicativa (não restritiva): ela acrescenta uma informação sobre todas as insensíveis, sem restringir o conjunto. Se fosse restritiva, não haveria vírgula e o sentido seria "apenas as insensíveis que vivem na doce paz colhem rosas".
A técnica: identificar o referente do pronome relativo
O pronome relativo "que" sempre retoma o termo imediatamente anterior (ou o mais próximo) com o qual concorda em gênero e número. No original, "que" concorda com "as insensíveis" (feminino plural), não com "rosas" (também feminino plural, mas o sentido lógico é que quem colhe são as insensíveis, não as rosas).
Ao reescrever, é essencial manter o "que" colado ao seu referente para não gerar ambiguidade ou mudança de sentido.
Análise das alternativas
Oração adjetiva explicativa
1Função
Acrescenta qualidade ao referente
Não restringe o conjunto
2Referente do "que"
Termo imediatamente anterior
Concorda em gênero e número
3Reescrita sem alterar sentido
Manter "que" colado ao referente
Preservar sujeito e objeto
Deslocar "que" para outro termo
Inverter sujeito/objeto
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"As insensíveis, que vivem eternamente na doce paz, colhem rosas."
Aqui, o sujeito "as insensíveis" foi anteposto ao verbo, e a oração adjetiva "que vivem eternamente na doce paz" continua imediatamente após o sujeito, entre vírgulas. O pronome "que" retoma "as insensíveis" corretamente. O sentido é idêntico: as insensíveis (que vivem em paz) colhem rosas. A ordem dos termos mudou, mas a relação semântica (quem age, o que sofre a ação, e a característica do agente) permaneceu intacta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"As insensíveis colhem rosas, que vivem eternamente na doce paz."
Aqui, o pronome "que" foi deslocado para depois de "rosas", fazendo-o referir-se a "rosas", não a "as insensíveis". O sentido passa a ser: as rosas vivem eternamente na doce paz. Isso contradiz o texto original, em que quem vive na doce paz são as insensíveis. Erro: troca do referente do pronome relativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Eternamente na doce paz vivem as insensíveis que colhem rosas."
Aqui, a oração "que colhem rosas" é restritiva (sem vírgula) e se refere a "as insensíveis", mas a estrutura inverte a relação: no original, a característica "vivem na doce paz" é atribuída a todas as insensíveis (explicativa), enquanto aqui ela vira uma circunstância (advérbio "eternamente na doce paz" antes do verbo) e a oração "que colhem rosas" restringe quais insensíveis. O sentido muda: agora diz que apenas as insensíveis que colhem rosas vivem na paz, o que não é o original. Erro: alteração do valor explicativo para restritivo e inversão da relação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"As insensíveis eternamente colhem rosas, que vivem na doce paz."
Novamente, o "que" foi deslocado para depois de "rosas", referindo-se a "rosas". Além disso, o advérbio "eternamente" foi deslocado para modificar o verbo "colhem", enquanto no original "eternamente" modifica "vivem". O sentido fica: as insensíveis colhem rosas eternamente, e as rosas vivem na doce paz. Erro: troca do referente e alteração do advérbio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Na doce paz, eternamente vivem as rosas, que colhem as insensíveis."
Aqui, a estrutura é completamente invertida: o sujeito vira "as rosas" e o objeto "as insensíveis". O sentido é absurdo: as rosas colhem as insensíveis. Além disso, "que colhem as insensíveis" refere-se a "as rosas". Erro: inversão total da relação sujeito-objeto.
Conclusão
A alternativa A é a única que preserva a relação semântica original, mantendo o pronome relativo "que" referindo-se a "as insensíveis" e a oração adjetiva explicativa. As demais deslocam o referente ou invertem a lógica da ação, alterando o sentido.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever frases com orações adjetivas, grife o referente do pronome relativo e verifique se ele permanece o mesmo após a reescrita. Se o "que" mudar de lugar, o sentido muda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o referente do "que" — em "as insensíveis, que vivem...", o "que" retoma "as insensíveis", não "rosas". Deslocar o "que" para depois de "rosas" faz o pronome referir-se a elas, alterando o sentido.