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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — FGV 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
fg156046
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2026
Cargo
Ag PM ( )

Mário recomeçou a passear, com as mãos nos bolsos, a cabeça baixa. Camila, ainda na poltrona, com as costas para a janela, os cotovelos fincados nos joelhos e o queixo nas mãos, procurava uma palavra com que pudesse convencer o filho da sua inocência. Tudo lhe parecia preferível àquela humilhação. Daria a luz dos seus olhos, - ah, antes ela fosse cega! para que Mário a julgasse pura, muito digna de todo o respeito das filhas, muito honesta, toda de seu marido e das suas crianças. Compreendia bem que o sentimento e a imaginação nas mulheres só servem para a dor. Colhem rosas as insensíveis, que vivem eternamente na doce paz; para as outras há pedras, duras como aquelas palavras do seu filho adorado. Antes ela fora surda: não as teria ouvido!


Quantas vezes o marido teria beijado outras mulheres, amado outros corpos... e aí estava como dele só se dizia bem! Ele amara outras pela volúpia, pelo pecado, pelo crime; ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras...


(ALMEIDA, Julia Lopes de. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018.)

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se a próxima questão.

   

Em “e porque fora arrastada nessa fascinação”, a grafia do elemento destacado se justifica, pois

  1. Aé um pronome interrogativo.
  2. Bapresenta uma preposição ligada a um pronome relativo.
  3. Cé um termo substantivado.
  4. Dtrata-se de uma conjunção causal.
  5. Eestá sendo utilizado em início de frase.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — trata-se de uma conjunção causal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração subordinada adverbial causal e o uso do "porque"

Gabarito: letra D. Em "e porque fora arrastada nessa fascinação", o "porque" é uma conjunção subordinativa causal — introduz uma oração subordinada adverbial que expressa a causa do que se afirma na oração principal. A grafia junta e sem acento se justifica exatamente por isso: trata-se de conjunção causal, e não de pronome, preposição + relativo, substantivo ou uso em início de frase. Como se lê no trecho: "ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras..." — o "porque" liga a consequência (a boca do filho a dizer-lhe amarguras) à sua causa (ter sido arrastada pela fascinação e não saber esconder a ventura).

O comando da questão

O enunciado pergunta por que a grafia do elemento destacado se justifica — ou seja, quer que você identifique a classe gramatical e a função sintática do "porque" no contexto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a regra geral dos porquês; é preciso analisar o trecho e ver qual valor o conectivo assume ali. A banca não pede interpretação de sentido amplo, mas reconhecimento de classe e função — e é exatamente aí que mora a pegadinha: o candidato que decora a tabela dos porquês sem entender o contexto erra.

O texto e o movimento argumentativo

No trecho, a narradora (Camila) reflete sobre a diferença entre o marido e ela: ele amara outras mulheres "pela volúpia, pelo pecado, pelo crime", enquanto ela "só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras". A oração "e porque fora arrastada nessa fascinação" explica por que ela se desviou — é a causa do desvio. O "porque" poderia ser substituído por "pois", "já que", "uma vez que", todas conjunções causais. Veja a estrutura:

"ela só se desviara para um homem, depois de lutas redentoras; e porque fora arrastada nessa fascinação, e porque não sabia esconder a sua ventura, aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras..."

A oração principal é "aí estava boca do filho a dizer-lhe amarguras"; as orações iniciadas por "porque" são subordinadas adverbiais causais, pois indicam o motivo pelo qual o filho lhe dizia amarguras.

A regra que decide: os quatro porquês

A grafia do "porque" depende da classe gramatical e do contexto:

Forma

Classe

Uso

Exemplo

porque (junto, sem acento)

Conjunção (causal ou explicativa)

Liga orações, indica causa ou explicação

"Não fui porque choveu."

porquê (junto, com acento)

Substantivo

Significa "motivo", "razão", vem acompanhado de artigo

"Quero saber o porquê."

por que (separado, sem acento)

Preposição + pronome relativo/interrogativo

Equivale a "pelo qual" ou "por qual razão"

"O motivo por que lutei." / "Por que você foi?"

por quê (separado, com acento)

Preposição + pronome, em fim de frase

Usado antes de pausa

"Você foi por quê?"

No trecho, o "porque" está junto e sem acento porque é conjunção causal — introduz uma oração que expressa a causa. Não é pronome interrogativo (não há pergunta), não é preposição + relativo (não retoma um antecedente), não é substantivo (não vem precedido de artigo) e não está em início de frase (a oração está posposta à principal, ainda que o período comece com "e porque").

Análise das alternativas

1porque (junto, sem acento)
Conjunção causal/explicativa
Liga orações
2porquê (junto, com acento)
Substantivo = motivo
Vem com artigo
3por que (separado, sem acento)
Preposição + relativo/interrogativo
"pelo qual" / "por qual razão"
4por quê (separado, com acento)
Fim de frase
Antes de pausa
Porquês (grafia)
LEVELsoulevel.com.br
Porquês (grafia): porque (junto, sem acento) (Conjunção causal/explicativa, Liga orações); porquê (junto, com acento) (Substantivo = motivo, Vem com artigo); por que (separado, sem acento) (Preposição + relativo/interrogativo, "pelo qual" / "por qual razão"); por quê (separado, com acento) (Fim de frase, Antes de pausa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de classe gramatical. O "porque" não é pronome interrogativo. Pronome interrogativo é o "por que" em perguntas diretas ou indiretas, como "Por que você fez isso?" ou "Não sei por que ele saiu". No trecho, não há interrogação — há uma afirmação que expressa causa. A banca tenta atrair quem confunde "porque" com "por que" interrogativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de classe gramatical. Não há preposição + pronome relativo. Isso seria o "por que" (= "pelo qual", "pela qual"), como em "O motivo por que lutei". No trecho, o "porque" não retoma um substantivo antecedente; ele liga duas orações, estabelecendo relação de causa. Não há preposição "por" + pronome "que".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de classe gramatical. "Termo substantivado" seria o "porquê" com acento, usado como substantivo, geralmente precedido de artigo: "o porquê", "um porquê". No trecho, o "porque" não está substantivado — não há artigo antes, e ele exerce função de conectivo, não de nome. A grafia sem acento já indica que não é substantivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É uma conjunção causal. O "porque" introduz oração subordinada adverbial causal, indicando o motivo do que se afirma na oração principal. No trecho, "porque fora arrastada nessa fascinação" explica por que ela se desviou — é a causa. A grafia junta e sem acento é exatamente a forma da conjunção causal. Substitua por "pois" ou "já que" e o sentido se mantém: "e já que fora arrastada nessa fascinação...".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema. A alternativa afirma que o "porque" está sendo utilizado em início de frase, mas isso não justifica a grafia. O "porque" pode aparecer em início de frase e continuar sendo conjunção causal (ex.: "Porque choveu, não fui"). Além disso, no trecho, o "porque" não está em início de frase — está no meio do período, após "e". A posição na frase não determina a grafia; o que determina é a classe gramatical.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os quatro porquês. O candidato que decora a tabela sem analisar o contexto tende a marcar "preposição + pronome relativo" (B) ou "substantivo" (C), mas o trecho exige reconhecer a conjunção causal.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "porque" em um texto, pergunte: ele liga duas orações indicando causa/explicação? Então é conjunção (junto, sem acento). Ele vem depois de artigo e significa "motivo"? Então é substantivo (com acento). Ele equivale a "pelo qual" ou inicia pergunta? Então é "por que" separado.

Conclusão: a grafia "porque" se justifica porque, no contexto, o termo é uma conjunção subordinativa causal — introduz oração subordinada adverbial que expressa a causa do que se afirma. As demais alternativas atribuem ao termo classes ou funções que ele não exerce no trecho. Gabarito: letra D.

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