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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — FGV 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
fg156064
Banca
FGV
Órgão
IBGE
Ano
2026
Cargo
Sup C Qual ( )

Maria

 

Maria estava parada há mais de meia hora no ponto de ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. Os ônibus estavam aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. O osso do pernil e as frutas que tinham enfeitado a mesa. Ganhara as frutas e uma gorjeta. O osso a patroa ia jogar fora. Estava feliz, apesar do cansaço. A gorjeta chegara numa hora boa. Os dois filhos menores estavam muito gripados. Precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir o nariz. Daria para comprar também uma lata de Toddy. As frutas estavam ótimas e havia melão. As crianças nunca tinham comido melão. Será que os meninos gostavam de melão?

 

A palma de uma de suas mãos doía. Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa. Que coisa! Faca-laser corta até a vida!

 

Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem assentou-se ao lado dela. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai do seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? Cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também! Homens também? Eles haveriam de ter outra vida. Com eles tudo haveria de ser diferente. Maria, não te esqueci! Tá tudo aqui no buraco do peito...

 

EVARISTO, Conceição. Olhos D’água (adaptado). Rio de Janeiro: Pallas/Fundação Biblioteca Nacional, 2016.

ATENÇÃO: o texto a seguir refere-se a próxima questão.

   

Em “Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa.”, o conectivo sublinhado pode ser substituído, sem alteração de sentido, por

  1. A“depois que”.
  2. B“antes de”.
  3. C“cada vez que”.
  4. D“no momento em que”.
  5. E“após”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “no momento em que”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição do conectivo "enquanto" sem alteração de sentido

Gabarito: letra D. O conectivo "enquanto", em "Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa", expressa simultaneidade — as duas ações (sofrer o corte e cortar o pernil) ocorrem ao mesmo tempo. A única alternativa que preserva exatamente esse valor é "no momento em que", que também indica coincidência temporal. As demais ou invertem a ordem cronológica (A, B, E) ou introduzem ideia de repetição (C), alterando o sentido.

O comando

A questão pede uma substituição sem alteração de sentido. Isso significa que a alternativa correta deve ser sinônima do conectivo original no contexto específico. Não basta ser uma conjunção temporal qualquer — é preciso que o valor semântico (simultaneidade, anterioridade, posterioridade, frequência) seja exatamente o mesmo.

O texto

No trecho, Maria lembra que "Tinha sofrido um corte, bem no meio, enquanto cortava o pernil para a patroa". O corte aconteceu durante a ação de cortar o pernil, não antes nem depois. O conectivo "enquanto" estabelece uma relação de tempo simultâneo entre as duas orações.

A técnica

Para resolver, identifique o valor semântico do conectivo original e teste cada alternativa substituindo-o no trecho. Pergunte: "a relação de tempo entre as ações continua a mesma?".

  • "enquanto" = simultaneidade (ação A ocorre ao mesmo tempo que ação B).

  • "no momento em que" = também indica simultaneidade, pois marca o ponto exato em que ambas as ações coincidem.

As demais opções:

  • "depois que" e "após" indicam posterioridade (o corte ocorreu depois de cortar o pernil) — inverte a ordem.

  • "antes de" indica anterioridade (o corte ocorreu antes de cortar o pernil) — também inverte.

  • "cada vez que" indica repetição (toda vez que cortava o pernil, sofria o corte) — não é o caso, pois o texto narra um evento único.

1Simultaneidade (mesmo tempo)
enquanto
no momento em que
2Anterioridade (antes)
antes de
3Posterioridade (depois)
depois que
após
4Repetição (habitualidade)
cada vez que
Conectivos temporais
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Conectivos temporais: Simultaneidade (mesmo tempo) (enquanto, no momento em que); Anterioridade (antes) (antes de); Posterioridade (depois) (depois que, após); Repetição (habitualidade) (cada vez que)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"depois que" expressa posterioridade: a ação da oração subordinada ocorre após a da principal. No trecho, o corte não aconteceu depois de cortar o pernil, mas durante o ato de cortar. Substituir "enquanto" por "depois que" inverteria a ordem cronológica, alterando o sentido. Erro: troca de valor temporal (simultaneidade → posterioridade).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"antes de" expressa anterioridade: a ação da subordinada ocorre antes da principal. Isso também inverte a relação original, pois o corte ocorreu no meio da ação de cortar, não antes. Erro: troca de valor temporal (simultaneidade → anterioridade).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"cada vez que" introduz ideia de repetição ou habitualidade: a cada ocorrência de uma ação, a outra se repete. No texto, o corte é um evento único ("Tinha sofrido um corte"), não algo que se repetia toda vez que cortava o pernil. Erro: generalização indevida (transforma evento pontual em ação repetida).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"no momento em que" expressa simultaneidade: as duas ações ocorrem no mesmo instante. No trecho, o corte aconteceu exatamente enquanto Maria cortava o pernil. A substituição preserva o sentido original, pois ambas indicam coincidência temporal. Correta: mantém o valor de simultaneidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"após" expressa posterioridade, assim como "depois que". Indica que o corte ocorreu depois de cortar o pernil, o que contradiz o texto, que narra o corte durante a ação. Erro: troca de valor temporal (simultaneidade → posterioridade).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conectivos temporais que indicam ordem cronológica (antes/depois) e o valor de simultaneidade do "enquanto". Fique atento: "enquanto" e "no momento em que" são sinônimos perfeitos nesse contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir conectivos, teste mentalmente a frase com cada opção e pergunte: "a relação de tempo entre as ações continua a mesma?". Se a ordem ou a frequência mudar, a alternativa está errada.

Gabarito: letra D — única que preserva a simultaneidade expressa por "enquanto".

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