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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg156074
Banca
FGV
Órgão
ALERO
Ano
2026
Cargo
Ana Leg ( )
Canudos não se rendeu


   Fechemos este livro.

   Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.

   Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.

   Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a par de uma perspectiva maior, a vertigem...

   Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos...

   [...] Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.
ATENÇÃO: o texto a seguir, que é a última página do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, refere-se à próxima questão.     “Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos... “ A incredulidade dos leitores futuros se deve
  1. Aà presença de ações humanamente inimagináveis.
  2. Bà falta de documentos que comprovem os fatos narrados.
  3. Cà ausência de outros depoimentos que confirmem o que é relatado.
  4. Dao fato de as ações narradas não terem sido presenciadas pelo autor, mas somente contadas a ele.
  5. Eao exagero das histórias contadas sobre esse episódio da história nacional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — à presença de ações humanamente inimagináveis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A incredulidade dos leitores futuros

Gabarito: letra A. A incredulidade dos leitores futuros se deve à presença de ações humanamente inimagináveis, como se lê no trecho: "não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos". O autor afirma que a narrativa de tais pormenores desafiaria a incredulidade — ou seja, seria difícil de acreditar — justamente porque são ações extremas, que fogem ao que se considera humanamente possível.

O comando

A questão pergunta: "A incredulidade dos leitores futuros se deve". Isso pede que você identifique a causa da incredulidade, ou seja, o motivo pelo qual os leitores futuros não acreditariam na narrativa. É uma questão de compreensão (informação explícita) e de relação de causa e consequência: o texto apresenta a consequência (incredulidade) e você deve achar a causa.

O texto

O trecho em destaque é a última página de Os Sertões, de Euclides da Cunha. O autor descreve a resistência de Canudos e, ao final, imagina narrar pormenores como mulheres se atirando nas fogueiras com os filhos. Ele diz que tal narrativa "não desafiaria a incredulidade do futuro" — ou seja, os leitores futuros não acreditariam nesses relatos. A causa é a natureza inimaginável dessas ações: são tão extremas que parecem inverossímeis.

A técnica

Para resolver, localize a passagem que explica o porquê da incredulidade. O trecho citado é a chave: "não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos". A palavra "incredulidade" indica que os leitores não acreditariam; a causa é o conteúdo da narrativa — ações humanamente inimagináveis. As demais alternativas introduzem motivos que não estão no texto (falta de documentos, ausência de depoimentos, não ter presenciado, exagero), o que configura extrapolação.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que a incredulidade se deve "à presença de ações humanamente inimagináveis". Isso é exatamente o que o texto sugere: as ações descritas (mulheres se atirando nas fogueiras com os filhos) são tão extremas que parecem inacreditáveis. O trecho "não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos pequeninos" prova que a causa é a natureza inimaginável dessas ações.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que a incredulidade se deve "à falta de documentos que comprovem os fatos narrados". O texto não menciona falta de documentos. Isso é uma extrapolação: o autor não fala em comprovação documental, apenas na natureza extrema dos fatos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a incredulidade se deve "à ausência de outros depoimentos que confirmem o que é relatado". O texto não fala em ausência de depoimentos. Novamente, é uma extrapolação — o autor não discute a confirmação por terceiros.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que a incredulidade se deve "ao fato de as ações narradas não terem sido presenciadas pelo autor, mas somente contadas a ele". O texto não afirma que o autor não presenciou os fatos; ele apenas diz que não descreverá os últimos momentos. Isso é uma extrapolação — o autor não discute sua presença ou ausência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a incredulidade se deve "ao exagero das histórias contadas sobre esse episódio da história nacional". O texto não diz que as histórias são exageradas; ele diz que a narrativa de certos pormenores desafiaria a incredulidade, mas não os qualifica como exagerados. Isso é uma extrapolação — o autor não faz juízo de exagero.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta atrair o candidato com motivos plausíveis (falta de documentos, testemunhas, exagero), mas todos são extrapolações — o texto só sustenta a causa ligada à natureza inimaginável das ações.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a causa de um efeito, volte ao trecho que menciona o efeito e procure a razão explícita. Se a alternativa acrescentar um motivo que não está no texto, descarte-a.

Gabarito: letra A.

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