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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — FGV 2026

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
fg156083
Banca
FGV
Órgão
ALERO
Ano
2026
Cargo
Ass Leg ( )

'Quer adressar?', me perguntou a moça

 

De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

 

O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:

 

“Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.

 

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

 

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:

 

“Sim, por favor, adressa, sim”.

 

(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)

ATENÇÃO: O texto a seguir se refere à próxima questão.

   

No trecho “e já no parágrafo seguinte caio de boca [...] no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina”, o processo de formação da palavra sublinhada é

  1. Aa reduplicação.
  2. Ba derivação prefixal e sufixal.
  3. Co hibridismo.
  4. Da derivação parassintética.
  5. Ea conversão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a conversão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Processo de formação da palavra "saboreio"

Gabarito: letra E. A palavra "saboreio" é formada por conversão (também chamada de derivação imprópria), pois o verbo "saborear" foi empregado como substantivo no contexto, sem que houvesse qualquer acréscimo de prefixo ou sufixo. No trecho, "o saboreio" funciona como núcleo do objeto indireto, e é essa mudança de classe gramatical — de verbo para substantivo — que caracteriza o processo, como se vê em "no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina".

O comando da questão é direto: pede que se identifique o processo de formação da palavra sublinhada. Isso é uma questão de morfologia — mais especificamente, de processos de formação de palavras. A palavra em análise é "saboreio", que aparece no trecho "caio de boca [...] no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina".

Para resolver, é preciso observar a forma e a função da palavra. "Saboreio" é a forma do verbo "saborear" na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo (eu saboreio). No entanto, no texto, ela não está conjugada: está precedida do artigo "o" e seguida do complemento "do último barbarismo", funcionando como um substantivo — o ato de saborear. Essa mudança de classe sem alteração na forma é exatamente o que define a derivação imprópria ou conversão.

A banca explora a confusão entre derivação imprópria (conversão) e outros processos que envolvem afixos. A pegadinha está em "saboreio" parecer uma forma verbal comum, levando o candidato a buscar prefixos e sufixos que não existem. A palavra não sofreu derivação prefixal, sufixal ou parassintética — ela é usada com outra classe gramatical, e é isso que a questão cobra.

Processos de formação de palavras
  • 1Com afixos
    • Prefixal e sufixal (não simultâneo)
    • Parassintética (simultâneo)
  • 2Sem afixos
    • Conversão (derivação imprópria)
      • Mudança de classe
      • Sem alteração na forma
    • Reduplicação
      • Repetição de sílabas
  • 3Hibridismo
    • Radicais de línguas diferentes
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A reduplicação é um processo em que há repetição de sílabas ou palavras para formar um novo vocábulo, como em "cocoricó" ou "tique-taque". "Saboreio" não apresenta nenhuma repetição — é uma forma única, sem reduplicação de elementos. A alternativa extrapola ao sugerir um processo que não se verifica na palavra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A derivação prefixal e sufixal ocorre quando há acréscimo não simultâneo de prefixo e sufixo a um radical, como em "deslealdade" (des- + leal + -dade). Em "saboreio", não há prefixo nem sufixo — a palavra é usada tal qual a forma verbal. A alternativa contradiz o texto ao atribuir afixos que não existem na palavra.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O hibridismo é a formação de palavras com radicais de línguas diferentes, como "burocracia" (francês + grego) ou "televisão" (grego + latim). "Saboreio" vem do latim "sapor" (sabor) e não combina radicais de origens distintas. A alternativa tangencia o tema ao falar de um processo que não se aplica à palavra em questão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A derivação parassintética exige o acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, de modo que a retirada de um deles torna a palavra inexistente (ex.: "anoitecer" — sem "a-" ou "-ecer", não há "noitecer" nem "anoite"). "Saboreio" não tem prefixo nem sufixo — é a forma verbal usada como substantivo. A alternativa restringe indevidamente ao propor um processo que não se aplica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conversão (ou derivação imprópria) é a mudança de classe gramatical sem alteração na forma da palavra. No trecho, "saboreio" — forma verbal — é empregada como substantivo: "no saboreio do último barbarismo". O artigo "o" e o complemento "do último barbarismo" confirmam a função substantiva. É exatamente esse o processo descrito na alternativa.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a conversão, pergunte: a palavra mudou de classe sem ganhar prefixo ou sufixo? Se sim, é derivação imprópria. Desconfie de alternativas que citam afixos quando a palavra não os apresenta.

Gabarito: letra E — a única que descreve corretamente o processo de formação de "saboreio" no texto.

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