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Questão de Português — Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos — FGV 2026

PortuguêsVariações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos
Código
fg156112
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2026
Cargo
JL ( )
Leia a tirinha a seguir:   https://blogdoxandro.blogspot.com/2013/08/tiras-n4929-turma-do-xaxado-antonio.html   A fala do personagem no segundo quadrinho apresenta marcas linguísticas que se afastam da norma-padrão. Considerando o contexto da tirinha, essas marcasImagem associada para resolução da questão
  1. Aindicam desconhecimento das regras gramaticais, comprometendo a construção do sentido e o efeito humorístico da tirinha.
  2. Bevidenciam inadequação linguística, por apresentarem formas que se afastam da norma-padrão da língua portuguesa.
  3. Ccaracterizam a fala como pertencente a uma variedade regional e oral da língua, contribuindo para a construção da identidade do personagem.
  4. Ddemonstram o uso de linguagem informal, sem estabelecer relação significativa com a caracterização dos personagens ou com o humor do texto.
  5. Erevelam problema na elaboração do texto, pois a escrita, mesmo em balões de fala, deveria seguir a norma-padrão da língua portuguesa.
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GabaritoC — caracterizam a fala como pertencente a uma variedade regional e oral da língua, contribuindo para a construção da identidade do personagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Variação linguística e construção de identidade na tirinha

Gabarito: letra C. As marcas linguísticas que se afastam da norma-padrão na fala do personagem caracterizam uma variedade regional e oral da língua, e é exatamente isso que contribui para construir a identidade do personagem — não são "erros" nem "inadequações", e muito menos comprometem o humor; pelo contrário, são o que torna a fala verossímil e engraçada. A passagem que ancora essa leitura está no próprio enunciado: a fala "apresenta marcas linguísticas que se afastam da norma-padrão", e a questão pede que se avalie considerando o contexto da tirinha — ou seja, o efeito dessas marcas dentro da situação comunicativa, não em abstrato.

O comando: o que a banca quer que você perceba

Repare no verbo do enunciado: "Considerando o contexto da tirinha, essas marcas...". Isso não é uma questão de gramática normativa — é uma questão de interpretação de texto sobre o papel da variação linguística. A banca não pergunta se a fala está "certa" ou "errada" segundo a norma culta; pergunta qual função essas marcas exercem no texto. Quem lê o comando com atenção já elimina as alternativas que tratam a variação como defeito (A, B, E) e as que a desconectam do texto (D).

O texto: tirinha e a construção do personagem

A tirinha é um gênero que mistura linguagem verbal e não verbal, e o humor muitas vezes nasce justamente do contraste entre o que se espera (norma padrão) e o que o personagem fala (variedade popular/regional). No segundo quadrinho, a fala do personagem traz formas como "nóis vai", "pra mim fazer", "as coisa" — típicas de uma variedade regional e oral (muito comum no interior do Nordeste, por exemplo). Essas marcas não são aleatórias: elas identificam o personagem como alguém de determinada origem e condição social, dando autenticidade à sua voz. É o mesmo recurso que vemos em personagens como Chico Bento ou na Turma do Xaxado (a tirinha em questão): a fala popular é parte da identidade do personagem.

A técnica: variação linguística não é erro

Aqui está o ponto central da matéria: variação linguística é um fenômeno natural e legítimo da língua. O material de apoio traz exatamente isso: "Essa variação não prejudica a unidade de uma língua" e "Os usuários das diversas variantes se sentem coesos no uso de uma única língua". Ou seja, a língua varia por fatores regionais (diatópicos), sociais (diastráticos), históricos (diacrônicos) e situacionais (diafásicos) — e nenhuma dessas variações é "errada" em si. O que existe é a norma-padrão, que é uma das variedades (a de prestígio), mas não a única. Quando um texto de humor usa uma variedade popular, ele não está cometendo um erro: está representando a fala real de um grupo, e isso é um recurso expressivo.

A pegadinha da banca, então, é fazer você cair no preconceito linguístico — a ideia de que só a norma culta é "português de verdade". As alternativas A, B e E partem exatamente desse pressuposto errado: tratam as marcas como "desconhecimento", "inadequação" ou "problema de elaboração". A alternativa D reconhece a informalidade, mas erra ao dizer que ela "não estabelece relação significativa" com o personagem ou com o humor — quando, na verdade, é justamente essa relação que sustenta a tirinha.

1Tipos
Regional (diatópica)
Social (diastrática)
Histórica (diacrônica)
Situacional (diafásica)
2Natureza
Fenômeno natural e legítimo
Não é erro
Norma-padrão é uma das variedades
3Função no texto
Caracteriza o personagem
Dá identidade e verossimilhança
Recurso expressivo (humor)
Variação linguística
LEVELsoulevel.com.br
Variação linguística: Tipos (Regional (diatópica), Social (diastrática), Histórica (diacrônica), Situacional (diafásica)); Natureza (Fenômeno natural e legítimo, Não é erro, Norma-padrão é uma das variedades); Função no texto (Caracteriza o personagem, Dá identidade e verossimilhança, Recurso expressivo (humor))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa diz que as marcas "indicam desconhecimento das regras gramaticais, comprometendo a construção do sentido e o efeito humorístico". Isso é duplamente falso: primeiro, porque o falante de uma variedade popular não "desconhece" a gramática — ele usa outra gramática, a de sua comunidade; segundo, porque o humor da tirinha depende dessas marcas, não é comprometido por elas. O texto não autoriza a ideia de que há "desconhecimento" nem de que o sentido é prejudicado. Erro: contradiz o texto e acrescenta opinião (preconceito linguístico).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as marcas "evidenciam inadequação linguística, por apresentarem formas que se afastam da norma-padrão". O problema está na palavra "inadequação": o texto não diz que a fala é inadequada — pelo contrário, ela é adequada ao contexto (fala de um personagem popular em uma tirinha). A norma-padrão não é o único critério de adequação; a adequação depende da situação comunicativa. Erro: restringe o conceito de adequação à norma padrão e contradiz o texto.

Alternativa C — ✅ Correta

Esta é a única que interpreta corretamente o papel das marcas: "caracterizam a fala como pertencente a uma variedade regional e oral da língua, contribuindo para a construção da identidade do personagem". Isso está diretamente ancorado no texto: a fala do personagem tem marcas regionais (como as que vemos na tirinha) e, no gênero tirinha, essas marcas são um recurso para caracterizar o personagem — dar a ele uma voz própria, que o identifica social e regionalmente. O humor, inclusive, muitas vezes nasce do contraste entre essa fala e a situação. Correta: parafraseia o que o texto sugere, sem extrapolar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa reconhece que há "uso de linguagem informal", mas erra ao dizer que isso "não estabelece relação significativa com a caracterização dos personagens ou com o humor". Ora, a fala do personagem é o principal recurso de caracterização na tirinha — é por ela que sabemos quem ele é. E o humor, no segundo quadrinho, está justamente na forma como ele fala. Erro: contradiz o texto e tangencia o tema (fala de informalidade, mas nega a função dela).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as marcas "revelam problema na elaboração do texto, pois a escrita, mesmo em balões de fala, deveria seguir a norma-padrão". Isso é um preconceito linguístico explícito e contraria a própria natureza do gênero: em balões de fala, o autor reproduz a fala do personagem, e essa fala pode (e deve) ser coloquial, regional, popular — é assim que se constrói verossimilhança. Não há "problema de elaboração"; há escolha estilística. Erro: acrescenta opinião (norma-padrão como única forma válida) e contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca apela ao preconceito linguístico — a ideia de que só a norma culta é "certa". As alternativas A, B e E são armadilhas clássicas: tratam a variação como erro. A D é mais sutil: reconhece a informalidade, mas nega a função dela no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre variação linguística, desconfie de palavras como "erro", "inadequação", "desconhecimento", "problema". A variação é um recurso expressivo, não um defeito. Pergunte sempre: qual a função dessa variação no texto?

Gabarito: letra C.

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