Questão de Português — Figuras de Linguagem — FGV 2026
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Código
fg156113
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2026
Cargo
JL ( )
No cartum, o primeiro personagem (à esquerda) e o último (à direita) apresentam vestimentas semelhantes. O primeiro aparece talhando uma pedra, associada à “primeira palavra escrita”. Já o último caminha segurando um celular, do qual saem as palavras “tweet tweet”, e traz, em um balão de fala, a frase: “140 caracteres. O que mais há para se dizer?”. https://www.ojornalista.com/2009/08/tirinha-a-evolucao-da-comunicacao/ acesso em 21.2.26 Considerando as intenções do autor e o uso da palavra “evolução” no título (“A evolução da comunicação”), é correto afirmar que
Aa comunicação sempre fez parte da vida humana, apesar das mudanças nas relações sociais.
Bhá ironia na semelhança de caracterização do último personagem e do primeiro.
Cimagens e palavras mostram como a sociedade se beneficia dos meios de comunicação.
Dos meios de comunicação evoluíram, sem mudanças biológicas no ser humano.
Emesmo com a evolução dos meios de comunicação, o homem permanece solitário.
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GabaritoB — há ironia na semelhança de caracterização do último personagem e do primeiro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ironia na evolução da comunicação
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a B, pois o cartum constrói uma ironia ao aproximar visualmente o primeiro homem (que talha a pedra, marco da primeira escrita) e o último (que caminha com o celular, limitado a 140 caracteres). A ironia está em contradizer a ideia de “evolução”: em vez de mostrar um salto qualitativo, o autor sugere que a comunicação, apesar da tecnologia, encolheu — o que se vê na fala “140 caracteres. O que mais há para se dizer?”. A passagem que ancora essa leitura é a descrição do último personagem: ele traz, em um balão de fala, a frase “140 caracteres. O que mais há para se dizer?”, que, somada à semelhança de vestimentas com o primeiro, revela a crítica irônica.
O comando da questão
O enunciado pede que você considere as intenções do autor e o uso da palavra “evolução” no título. Isso muda tudo: não se trata de uma leitura literal (o que o texto mostra), mas de uma interpretação — você precisa captar o efeito de sentido que o autor quis produzir. A palavra “evolução” está entre aspas no título, o que já é um forte indício de que o autor não a usa em sentido próprio, mas com intenção crítica.
O texto e o movimento argumentativo
O cartum apresenta uma linha do tempo da comunicação: do homem que talha a pedra (primeira palavra escrita) até o homem com o celular (tweet, 140 caracteres). A semelhança de vestimentas entre o primeiro e o último personagem não é casual: ela cria um paralelo visual que aproxima os extremos. Se a evolução fosse real, esperaríamos uma diferença radical — mas o autor mostra que, no fundo, nada mudou de essencial: continuamos nos comunicando, mas agora de forma limitada e superficial (140 caracteres). A frase final é a chave: “O que mais há para se dizer?” — uma pergunta retórica que sugere que, com tão pouco espaço, não há mais o que dizer. Isso é o oposto da ideia de evolução como progresso.
A técnica: como identificar a ironia
A ironia é uma figura de pensamento em que se diz o contrário do que se quer significar, ou em que há uma contradição entre o que se afirma e o que se sugere. No cartum, o título “A evolução da comunicação” é irônico porque, em vez de mostrar avanço, mostra regressão — a comunicação se tornou mais rápida, mas também mais pobre (140 caracteres). A semelhança de vestimentas reforça a ideia de que, apesar da tecnologia, o homem continua o mesmo — ou até pior, pois agora se limita a frases curtas. Para resolver questões assim, pergunte-se: o que o autor quer que eu sinta? Se a resposta for “crítica” ou “contradição”, é ironia.
Análise das alternativas
Ironia no cartum: Título "evolução" (entre aspas) (Contradiz a ideia de progresso, Sugere regressão); Paralelo visual (1º personagem: talha pedra, Último: celular, 140 caracteres, Vestimentas semelhantes); Crítica do autor (Comunicação encolheu, "O que mais há para se dizer?")
Alternativa A — ❌ Incorreta
“a comunicação sempre fez parte da vida humana, apesar das mudanças nas relações sociais.”
Erro: extrapolação. O texto não afirma que a comunicação sempre fez parte da vida humana, nem discute mudanças nas relações sociais. Essa é uma ideia genérica de senso comum, fora do escopo do cartum. O cartum foca na forma da comunicação (pedra × celular), não na sua existência histórica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“há ironia na semelhança de caracterização do último personagem e do primeiro.”
Correta. A semelhança de vestimentas entre o primeiro e o último personagem é o recurso visual que sustenta a ironia. Se o autor quisesse mostrar evolução, os personagens seriam diferentes; ao mantê-los semelhantes, ele sugere que nada mudou de essencial — a comunicação apenas mudou de suporte, mas o homem continua o mesmo. A frase “140 caracteres. O que mais há para se dizer?” reforça a crítica: a evolução tecnológica reduziu a capacidade de expressão. A alternativa capta exatamente a intenção crítica do autor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“imagens e palavras mostram como a sociedade se beneficia dos meios de comunicação.”
Erro: opinião embutida. O texto não mostra benefício; mostra, na verdade, uma limitação (140 caracteres). A palavra “beneficia” é um juízo de valor que o autor não emite — ele faz uma crítica, não um elogio. A alternativa contradiz o tom do cartum.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“os meios de comunicação evoluíram, sem mudanças biológicas no ser humano.”
Erro: tangencia o tema. A alternativa fala de “mudanças biológicas”, um assunto que não aparece no cartum. O texto trata da comunicação, não da biologia humana. Além disso, a palavra “evoluíram” é usada em sentido literal, ignorando a ironia do título. É uma fuga ao tema.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“mesmo com a evolução dos meios de comunicação, o homem permanece solitário.”
Erro: extrapolação. O cartum não mostra o homem solitário; ele mostra um homem comunicando-se (com o celular). A ideia de solidão é uma inferência não autorizada — não há pista no texto que a sustente. A alternativa acrescenta um sentimento que o autor não expressou.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você escolher uma alternativa que afirma a evolução (C, D, E) ou que generaliza (A), quando o correto é perceber a ironia — a contradição entre o título e o conteúdo. Fique atento a palavras como “beneficia”, “evoluíram” e “solitário”: elas extrapolam o que o texto mostra.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de cartum, descreva o que você vê antes de ler as alternativas. Pergunte-se: “qual é a contradição ou o exagero que o autor criou?”. A ironia quase sempre está aí.
Conclusão: a única alternativa que se sustenta no texto é a B, pois a semelhança de vestimentas e a frase “140 caracteres” revelam a ironia do autor sobre a “evolução” da comunicação. As demais ou extrapolam, ou contradizem o tom crítico do cartum.