Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2026
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
fg156115
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2026
Cargo
JL ( )
“Viva o povo brasileiro”, obra de João Ubaldo Ribeiro, vencedor do prêmio Jabuti, em 1984, é um dos mais importantes romances surgidos na literatura brasileira no século XX. O livro que todo(a) brasileiro(a) deveria ler para compreender a formação do nosso povo, da nossa identidade cultural. Trata-se de uma exuberante e complexa metáfora da formação de nossa identidade nacional, é obra monumental que já nasceu clássica, instaurando novo olhar ficcional sobre o passado do Brasil. A violência física e simbólica, os abismos sociais e os privilégios que os acentuam, a constituição de uma elite autoritária são encenados ao longo desta narrativa polifônica e lírica, muitas vezes irônica, que cobre quatrocentos anos de história. Poucas obras atingiram esse mesmo nível de complexidade, e pouquíssimas alcançaram êxito semelhante ao de “Viva o povo brasileiro”.
Leia a resenha crítica a seguir. Com base no texto, assinale a afirmativa que identifica corretamente a função predominante da resenha apresentada.
AApresentar uma síntese interpretativa do romance, destacando acontecimentos e aspectos centrais da narrativa.
BSituar o romance no conjunto da literatura brasileira, estabelecendo relações com outras produções do período.
CContextualizar a produção do romance a partir de elementos relacionados à trajetória intelectual do autor.
DInformar o leitor sobre as características da obra, incluindo aspectos de sua publicação e seu reconhecimento.
EAvaliar criticamente a obra, orientando o público quanto à sua relevância literária e histórica.
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GabaritoE — Avaliar criticamente a obra, orientando o público quanto à sua relevância literária e histórica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Função predominante da resenha crítica
Gabarito: letra E. A resenha apresentada tem como função predominante avaliar criticamente a obra, orientando o público quanto à sua relevância literária e histórica. Isso se prova no texto pela presença de juízos de valor e pela recomendação explícita de leitura, como se lê no trecho: "O livro que todo(a) brasileiro(a) deveria ler para compreender a formação do nosso povo, da nossa identidade cultural". A alternativa E é a única que captura essa intenção avaliativa e orientadora, que é a marca do gênero resenha crítica.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique a função predominante da resenha. Isso significa que não basta reconhecer o que o texto faz em algum nível — é preciso captar a finalidade central que organiza o gênero. A resenha crítica, diferentemente do resumo ou da notícia, não se limita a informar ou descrever: ela emite um juízo de valor sobre a obra e orienta o leitor sobre se vale a pena lê-la. Portanto, a resposta deve apontar para a avaliação e a orientação, não para a mera exposição de características.
O texto e sua tese
O texto-base é uma resenha crítica sobre "Viva o povo brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro. O autor da resenha não apenas apresenta a obra, mas a qualifica com adjetivos e expressões valorativas: "um dos mais importantes romances", "obra monumental que já nasceu clássica", "pouquíssimas alcançaram êxito semelhante". Essas expressões revelam a tese do resenhista: a obra é de altíssima relevância para a compreensão da identidade nacional. Além disso, há uma recomendação direta ao leitor: "O livro que todo(a) brasileiro(a) deveria ler". Essa combinação de avaliação + recomendação é exatamente o que a alternativa E descreve.
A técnica que decide
Para resolver, pergunte: qual é a intenção comunicativa predominante do texto? Se o texto apenas informasse, seria uma sinopse ou resumo. Se apenas descrevesse, seria uma ficha catalográfica. Mas a resenha crítica opina e persuade o leitor a ler a obra. Veja os marcadores linguísticos dessa intenção:
Comparações superlativas: "poucas obras atingiram esse mesmo nível", "pouquíssimas alcançaram êxito semelhante".
Esses elementos não estão em uma resenha meramente informativa; eles avaliam e orientam. A alternativa E é a única que nomeia essa função dupla: "avaliar criticamente" + "orientando o público quanto à sua relevância".
Apresentar uma síntese interpretativa do romance, destacando acontecimentos e aspectos centrais da narrativa.
O texto não faz uma síntese da narrativa: não há resumo do enredo, não são destacados acontecimentos específicos, personagens ou reviravoltas. O que há é uma caracterização geral da obra ("metáfora da formação de nossa identidade nacional") e uma avaliação. A alternativa extrapola ao afirmar que há "síntese interpretativa" com "acontecimentos" — isso não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Situar o romance no conjunto da literatura brasileira, estabelecendo relações com outras produções do período.
O texto menciona que a obra é "um dos mais importantes romances surgidos na literatura brasileira no século XX", mas não estabelece relações com outras produções do período. Não há comparação com outros autores ou obras. A alternativa tangencia o tema: fala de algo que o texto apenas sugere de longe, sem desenvolver.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Contextualizar a produção do romance a partir de elementos relacionados à trajetória intelectual do autor.
O texto não traz nenhuma informação sobre a trajetória intelectual de João Ubaldo Ribeiro. Não há dados biográficos, formação, carreira ou influências. A alternativa extrapola completamente: inventa uma informação que não está no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Informar o leitor sobre as características da obra, incluindo aspectos de sua publicação e seu reconhecimento.
O texto informa algumas características (prêmio Jabuti, ano de publicação, temática), mas essa não é a função predominante. A função de informar é secundária; o que predomina é a avaliação crítica. Além disso, a alternativa restringe o alcance: diz que a função é "informar", quando o texto vai além, opina e recomenda. A alternativa D é uma afirmação incompleta: captura um aspecto, mas não o principal.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Avaliar criticamente a obra, orientando o público quanto à sua relevância literária e histórica.
Esta é a função predominante. O texto avalia a obra com adjetivos e superlativos e orienta o leitor com a recomendação explícita: "O livro que todo(a) brasileiro(a) deveria ler". A relevância histórica é destacada: "cobre quatrocentos anos de história" e "formação do nosso povo". A relevância literária é destacada: "um dos mais importantes romances", "obra monumental que já nasceu clássica". A alternativa E sintetiza com precisão a intenção do resenhista.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre descrever/informar e avaliar. As alternativas A, B, C e D descrevem funções que o texto até exerce em algum grau, mas não a predominante. A pegadinha está em escolher uma função secundária como se fosse a principal.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a função predominante de uma resenha crítica, procure por marcas de opinião (adjetivos valorativos, superlativos, recomendações). Se o texto diz "deveria ler", "importante", "monumental", a função é avaliativa, não meramente informativa.
Conclusão: a resenha crítica não se limita a informar ou descrever; ela emite juízo de valor e orienta o leitor. A alternativa E é a única que captura essa essência. Gabarito: letra E.