Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg156120
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2026
Cargo
JL ( )
Todo discurso tem uma dimensão argumentativa. Alguns se apresentam como explicitamente argumentativos (por exemplo, o discurso político, o discurso publicitário), enquanto outros não se apresentam como tal (por exemplo, o discurso didático, o discurso romanesco, o discurso lírico). No entanto, todos são argumentativos: de um lado, porque o modo de funcionamento real do discurso é o dialogismo; de outro, porque sempre o enunciador pretende que suas posições sejam acolhidas, que ele mesmo seja aceito, que o enunciatário faça dele uma boa imagem.
FIORIN, José Luiz. Argumentação. São Paulo: Contexto, 2018, p.9.
Leia o texto a seguir. No texto, afirma-se que todo discurso possui uma dimensão argumentativa, mesmo quando não se apresenta explicitamente dessa forma. Ao desenvolver essa tese, o autor tem como objetivo principal
Adefender que discursos políticos e publicitários têm a função de convencer o público e influenciar suas opiniões.
Bexplicar que diferentes tipos de exercem influência sobre como o interlocutor percebe ideias e pontos de vista.
Cmostrar que textos literários e didáticos não possuem intenção de produzir efeitos sobre o leitor.
Ddemonstrar que o discurso argumentativo é menos frequente do que outros tipos de discurso na comunicação cotidiana.
Ecriticar o uso da argumentação em discursos que tratam de temas científicos ou educacionais.
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GabaritoB — explicar que diferentes tipos de exercem influência sobre como o interlocutor percebe ideias e pontos de vista.
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Objetivo do texto: explicar a dimensão argumentativa de todo discurso
Gabarito: letra B. O autor desenvolve a tese de que todo discurso é argumentativo para explicar que diferentes tipos de discurso exercem influência sobre como o interlocutor percebe ideias e pontos de vista. Isso está ancorado na passagem final do texto: "sempre o enunciador pretende que suas posições sejam acolhidas, que ele mesmo seja aceito, que o enunciatário faça dele uma boa imagem". O objetivo não é defender um tipo específico de discurso (A), nem negar a argumentatividade de textos literários (C), nem comparar frequências (D), nem criticar usos (E).
O comando: o que a questão pede
O enunciado pergunta qual é o objetivo principal do autor ao desenvolver a tese de que todo discurso tem dimensão argumentativa. Isso é uma questão de compreensão da finalidade do texto — não de inferência profunda, mas de identificar a intenção central que organiza a argumentação. A resposta deve estar explícita ou diretamente decorrente do texto, sem acrescentar informações externas.
O texto: tese e movimento argumentativo
O texto de José Luiz Fiorin começa com uma afirmação geral: "Todo discurso tem uma dimensão argumentativa". Em seguida, ele distingue discursos que se apresentam como explicitamente argumentativos (político, publicitário) daqueles que não se apresentam assim (didático, romanesco, lírico). A virada argumentativa está no conector "No entanto": mesmo os que não se apresentam como argumentativos são argumentativos. As duas razões apresentadas são: (1) o dialogismo, e (2) a intenção do enunciador de ser aceito e de que suas posições sejam acolhidas.
"No entanto, todos são argumentativos: de um lado, porque o modo de funcionamento real do discurso é o dialogismo; de outro, porque sempre o enunciador pretende que suas posições sejam acolhidas, que ele mesmo seja aceito, que o enunciatário faça dele uma boa imagem."
Essa passagem é a chave: o autor explica que todo discurso busca influenciar o interlocutor — seja acolhendo posições, seja construindo uma boa imagem. É exatamente isso que a alternativa B parafraseia: diferentes tipos de discurso exercem influência sobre como o interlocutor percebe ideias e pontos de vista.
A técnica: identificar a finalidade pela tese e pelos argumentos
Quando a questão pergunta o objetivo principal do autor, procure a tese (a ideia central) e veja para onde os argumentos apontam. Aqui, a tese é "todo discurso é argumentativo". O autor não está defendendo que apenas alguns discursos convencem (isso seria contradizer a tese), nem está fazendo um juízo de valor sobre tipos de discurso. Ele está explicando um fenômeno: a argumentatividade é inerente a todo discurso porque todo enunciador quer influenciar o enunciatário. A alternativa B capta exatamente essa explicação.
Análise das alternativas
Dimensão argumentativa do discurso
1Tese: todo discurso é argumentativo
Mesmo os que não se apresentam como tal
Didático, romanesco, lírico
2Por quê?
Dialogismo (modo real do discurso)
Enunciador busca aceitação
Posições acolhidas
Boa imagem perante o enunciatário
3Efeito
Influencia percepção de ideias e pontos de vista
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: restringe o alcance da tese. O texto menciona discursos políticos e publicitários como exemplos de discursos explicitamente argumentativos, mas a tese central é que todos os discursos são argumentativos. A alternativa A limita a função de convencer a esses dois tipos, ignorando a generalização que o autor faz. O texto não diz que apenas políticos e publicitários têm a função de convencer; diz que todos têm, ainda que de formas diferentes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel da tese. O texto afirma que todo discurso tem dimensão argumentativa e explica que isso ocorre porque o enunciador "pretende que suas posições sejam acolhidas, que ele mesmo seja aceito, que o enunciatário faça dele uma boa imagem". Isso significa que diferentes tipos de discurso (político, publicitário, didático, romanesco, lírico) exercem influência sobre como o interlocutor percebe ideias e pontos de vista. A alternativa B não acrescenta nada além do que o texto diz — é uma reescritura da tese com outras palavras.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O autor afirma explicitamente que "todos são argumentativos", incluindo os discursos didático, romanesco e lírico. A alternativa C diz que textos literários e didáticos "não possuem intenção de produzir efeitos sobre o leitor" — exatamente o oposto do que o texto defende. O autor cita esses tipos justamente para mostrar que, mesmo não se apresentando como argumentativos, eles também buscam influenciar o leitor.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapola e foge ao tema. O texto não faz nenhuma comparação de frequência entre discursos argumentativos e outros tipos na comunicação cotidiana. A palavra "frequente" não aparece no texto, e a ideia de que o discurso argumentativo seria "menos frequente" é uma informação externa, acrescentada pelo candidato. O autor não discute quantidades ou prevalências; discute a natureza de todo discurso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: acrescenta opinião e contradiz o texto. O texto não critica o uso da argumentação em discursos científicos ou educacionais. Pelo contrário, o autor inclui o discurso didático entre os que "não se apresentam como explicitamente argumentativos", mas que são argumentativos — sem nenhum tom de crítica. A alternativa E embute um juízo de valor ("criticar") que não existe no texto, e ainda restringe a discussão a temas científicos/educacionais, que não são o foco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a generalização indevida na alternativa A (restringe a tese a dois exemplos) e a contradição na alternativa C (inverte a afirmação central do texto). A letra B é a única que mantém o alcance total da tese: todo discurso influencia o interlocutor.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "objetivo principal", sublinhe a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e verifique se a alternativa generaliza ou restringe o que o autor afirmou. Palavras como "todos", "sempre", "nenhum" são pistas de que a banca pode estar testando o alcance da afirmação.
Conclusão: a alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto, pois parafraseia a tese de que todo discurso, por ser dialógico e por buscar aceitação, exerce influência sobre o interlocutor. As demais ou restringem, contradizem, extrapolam ou acrescentam opiniões que o autor não emitiu.