Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2026
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
fg156125
Banca
FGV
Órgão
TJ BA
Ano
2026
Cargo
JL ( )
Crise climática deixou mais de 1 milhão de estudantes sem aulas
Pesquisa do Unicef aponta que secas e enchentes afetaram mais de 1 milhão de alunos brasileiros, reduzindo o direito à educação e ao desenvolvimento escolar
Vanessa Fajardo. Publicado em 04.02.2025
Enchentes e secas deixaram mais de 200 milhões de estudantes sem aulas no mundo inteiro em 2024, sendo 1,17 milhão no Brasil. Além dos prejuízos na aprendizagem, Unicef aponta a necessidade de fomentar uma educação para a resiliência climática.
Sem a rotina escolar, meninas e meninos ficam também mais expostos a riscos como trabalho infantil e violência sexual. Pesquisas mostram que em mais de 80% dos casos de abusos de crianças, os criminosos são pessoas do âmbito familiar.
Leia a notícia a seguir a respeito dos impactos da crise climática na educação. Considerando as características do gênero notícia, esse texto se distingue principalmente por
Aapresentar informações sobre acontecimentos recentes relacionados à crise climática, mobilizando dados e referências institucionais para informar sobre um problema de relevância social.
Borganizar fatos relacionados à suspensão de aulas em diferentes lugares, estruturando o relato de modo a evidenciar consequências sociais associadas aos eventos climáticos.
Cdiscutir os efeitos da crise climática no campo educacional, reunindo informações e interpretações que contribuem para ampliar a compreensão do tema apresentado.
Dproblematizar os impactos sociais de eventos climáticos extremos, articulando dados e reflexões com o objetivo de estimular o debate público sobre a questão.
Eapresentar informações sobre situações vividas por estudantes afetados por desastres ambientais, enfatizando aspectos humanos envolvidos na interrupção da rotina escolar.
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GabaritoA — apresentar informações sobre acontecimentos recentes relacionados à crise climática, mobilizando dados e referências institucionais para informar sobre um problema de relevância social.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gênero notícia: informação objetiva e referências institucionais
Gabarito: letra A. A notícia se distingue por apresentar informações sobre acontecimentos recentes relacionados à crise climática, mobilizando dados e referências institucionais para informar sobre um problema de relevância social — exatamente o que o texto faz ao citar a pesquisa do Unicef e os números de estudantes afetados. As demais alternativas ou extrapolam (inserem interpretações, reflexões, debate público) ou restringem o alcance do texto (focam só em consequências sociais ou em aspectos humanos), características que não definem o gênero notícia.
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você identifique a característica distintiva do gênero notícia — ou seja, o que faz deste texto uma notícia e não outro gênero jornalístico (reportagem, artigo de opinião, editorial). Isso é uma questão de tipologia e gênero textual: você deve reconhecer a intenção comunicativa predominante. A notícia tem função informativa (função referencial da linguagem): relata fatos de forma objetiva e impessoal, sem opinião do autor. O comando "se distingue principalmente por" pede a característica nuclear do gênero, não um detalhe periférico.
O texto: o que ele é e o que ele faz
O texto é uma notícia jornalística sobre os impactos da crise climática na educação. Veja os elementos que o caracterizam como notícia:
Acontecimento recente: "Enchentes e secas deixaram mais de 200 milhões de estudantes sem aulas no mundo inteiro em 2024" — fato atual, com data (2024) e números.
Referência institucional: "Pesquisa do Unicef aponta" — o texto se ancora em uma fonte institucional (Unicef), típico da notícia que busca credibilidade.
Dados objetivos: "1,17 milhão no Brasil", "mais de 80% dos casos de abusos" — estatísticas verificáveis.
Imparcialidade: o autor não opina; apenas relata o que a pesquisa aponta. Não há "é lamentável", "deveria", "certamente" — marcas de opinião.
"Enchentes e secas deixaram mais de 200 milhões de estudantes sem aulas no mundo inteiro em 2024, sendo 1,17 milhão no Brasil. Além dos prejuízos na aprendizagem, Unicef aponta a necessidade de fomentar uma educação para a resiliência climática."
Esse trecho concentra a essência da notícia: informar sobre um fato recente (as enchentes e secas de 2024), com dados (200 milhões, 1,17 milhão) e referência institucional (Unicef). A função é referencial/informativa, não argumentativa nem opinativa.
A técnica que decide: intenção comunicativa × conteúdo temático
A pegadinha central desta questão é confundir o tema com a função do gênero. Todas as alternativas falam de "crise climática" e "educação" — o tema é o mesmo. A diferença está no propósito comunicativo: a notícia informa; a reportagem apro funda; o artigo de opinião argumenta; o editorial opina. A alternativa correta é a que descreve a função informativa com dados e fontes institucionais. As demais ou extrapolam (atribuem à notícia uma função que ela não tem, como "discutir", "problematizar", "estimular debate") ou restringem (focam em um aspecto parcial, como "consequências sociais" ou "aspectos humanos", que não é o traço distintivo do gênero).
Gênero notícia
1Função: informar (referencial)
Fato recente
Dados objetivos
Fonte institucional
Imparcialidade
2O que NÃO é
Discutir/interpretar (reportagem)
Problematizar/debater (artigo de opinião)
Opinar (editorial)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A descreve com precisão o que a notícia faz: apresenta informações sobre acontecimentos recentes (enchentes e secas de 2024), mobilizando dados (200 milhões, 1,17 milhão, 80%) e referências institucionais (Unicef) para informar sobre um problema de relevância social (impacto na educação). Isso é a função referencial da notícia: relatar fatos de forma objetiva, sem opinião. O texto não discute, não problematiza, não defende tese — apenas informa. A alternativa A é a única que captura a intenção comunicativa do gênero, não apenas o tema.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz que o texto "organiza fatos relacionados à suspensão de aulas em diferentes lugares, estruturando o relato de modo a evidenciar consequências sociais". O texto menciona consequências sociais (trabalho infantil, violência sexual), mas isso é um detalhe, não a característica distintiva do gênero. Além disso, a alternativa restringe o alcance: a notícia não se limita a "evidenciar consequências sociais" — ela informa sobre o fato em si (a crise climática afetou estudantes), com dados e fonte institucional. O erro é de restrição: foca em um aspecto parcial e o apresenta como se fosse o traço nuclear.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o texto "discute os efeitos da crise climática no campo educacional, reunindo informações e interpretações". O erro está em "interpretações": a notícia não interpreta, apenas relata. O autor não emite juízo de valor, não analisa causas profundas, não propõe soluções. Ele apenas informa o que a pesquisa do Unicef apontou. A palavra "discutir" também é problemática: a notícia não discute, ela informa. A alternativa extrapola ao atribuir à notícia uma função interpretativa que ela não tem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz que o texto "problematiza os impactos sociais de eventos climáticos extremos, articulando dados e reflexões com o objetivo de estimular o debate público". O erro está em "problematizar" e "estimular o debate público": a notícia não problematiza nem busca gerar debate — ela informa. O texto não apresenta "reflexões" do autor; apresenta dados e a posição do Unicef. A alternativa extrapola ao atribuir à notícia uma função argumentativa/opinativa, típica de artigo de opinião ou editorial, não de notícia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o texto "apresenta informações sobre situações vividas por estudantes afetados por desastres ambientais, enfatizando aspectos humanos envolvidos na interrupção da rotina escolar". O texto menciona que "meninas e meninos ficam também mais expostos a riscos", mas isso é um detalhe — não é a característica distintiva do gênero. A alternativa restringe o alcance ao focar em "aspectos humanos" e "situações vividas", quando a notícia tem escopo mais amplo: informar sobre o impacto global e nacional, com dados e fonte institucional. O erro é de restrição: apresenta um aspecto parcial como se fosse o traço nuclear.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tema e função do gênero. Todas as alternativas falam de crise climática e educação — o tema é o mesmo. A diferença está no propósito comunicativo: a notícia informa; as alternativas C e D extrapolam ao atribuir funções interpretativas/argumentativas; B e E restringem ao focar em aspectos parciais.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o gênero, pergunte: qual é a intenção do autor? Informar (notícia), aprofundar (reportagem), convencer (artigo de opinião), opinar (editorial). A notícia é objetiva, impessoal e factual — desconfie de alternativas com verbos como "discutir", "problematizar", "refletir", "estimular debate".
Gabarito: letra A. A notícia se distingue por sua função informativa: relatar fatos recentes com dados e referências institucionais, sem opinião ou interpretação do autor. As demais alternativas ou extrapolam (atribuem funções argumentativas) ou restringem (focam em aspectos parciais).