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Questão de Português — Crase — FGV 2026

PortuguêsCrase
Código
fg156170
Banca
FGV
Órgão
TJ SC
Ano
2026
Cargo
TJ Aux ( )
Leia a tirinha a seguir.     A diferença entre as expressões “Chegou a primavera!” e “Cheguei à primavera.” envolve aspectos sintáticos e semânticos relacionados ao uso da crase.   Sobre essa diferença, assinale a afirmativa correta.Imagem associada para resolução da questão
  1. AO uso do acento grave revela a alteração do papel sintático do termo “a primavera” nas duas construções.
  2. BA presença da crase indica alteração no grau de formalidade que o termo “a primavera” apresenta nas frases.
  3. CA presença de crase em uma das construções decorre do fato de “primavera” ser um substantivo feminino.
  4. DO emprego da crase ocorre por necessidades semânticas, apesar da semelhança sintática entre os termos nas frases.
  5. EA variação no uso da crase altera a interpretação das orações e sua ausência impossibilitaria a compreensão da mensagem.
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GabaritoA — O uso do acento grave revela a alteração do papel sintático do termo “a primavera” nas duas construções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e função sintática: a diferença entre “Chegou a primavera!” e “Cheguei à primavera.”

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a A, pois o acento grave em “à primavera” revela que o termo exerce função sintática diferente daquela que exerce em “a primavera” (sem acento). Na primeira frase, “a primavera” é sujeito do verbo “chegou”; na segunda, “à primavera” é objeto indireto (ou adjunto adverbial de lugar) regido pela preposição “a”, exigida pelo verbo “cheguei”. A crase é a fusão dessa preposição com o artigo “a”, e é exatamente essa fusão que sinaliza a mudança de papel sintático.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a afirmativa correta sobre a diferença entre as duas expressões. Note que a questão mistura sintaxe (função dos termos) e semântica (sentido), mas o foco está na crase como marca de uma alteração sintática. É uma questão de compreensão de um fenômeno gramatical aplicado a um exemplo concreto — não de interpretação de texto, mas de análise linguística.

O que o texto (a tirinha) mostra

A tirinha apresenta duas construções com o verbo “chegar”:

  • “Chegou a primavera!” — aqui, “a primavera” é o sujeito do verbo “chegou” (quem chega? a primavera). O verbo “chegar” é intransitivo, e o sujeito vem posposto ao verbo, o que é comum em frases exclamativas.

  • “Cheguei à primavera.” — aqui, o sujeito é “eu” (oculto), e “à primavera” é o complemento do verbo “cheguei”, que, nesse uso, exige a preposição “a” (chegar a algum lugar). A crase ocorre porque a preposição “a” se funde com o artigo “a” que antecede o substantivo feminino “primavera”.

A diferença fundamental é, portanto, sintática: o mesmo sintagma “a primavera” ora funciona como sujeito, ora como termo regido por preposição. A crase é o índice dessa mudança de função.

A regra de ouro da crase

A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos e relativos). Para que ocorra crase, é necessário que haja dois “as”: um exigido pela regência do verbo ou nome, e outro que acompanha o substantivo feminino.

No caso de “chegar”, o verbo rege a preposição “a” quando indica destino: quem chega, chega a algum lugar. Assim, em “cheguei à primavera”, temos:

  • preposição “a” (exigida por “chegar”) + artigo “a” (que determina “primavera”) = à.

Já em “chegou a primavera”, o verbo “chegar” é usado como intransitivo, sem complemento preposicionado; “a primavera” é apenas o sujeito, e não há preposição, logo não há crase.

Análise das alternativas

Aspecto

“Chegou a primavera!”

“Cheguei à primavera.”

Função sintática do termo “a primavera”

Sujeito

Objeto indireto (ou adjunto adverbial de lugar)

Verbo “chegar”

Intransitivo (sem complemento preposicionado)

Transitivo indireto (exige preposição “a”)

Ocorrência de crase

Não há (ausência de preposição)

Há (fusão da preposição “a” com o artigo “a”)

Efeito da crase

Sem marcação de acento grave

Marca a mudança de função sintática

1Condições
Preposição "a" (regência)
Artigo "a" (substantivo feminino)
2"Chegou a primavera!"
Sujeito
Sem preposição
Sem crase
3"Cheguei à primavera."
Objeto indireto
Preposição + artigo
Com crase
Crase
LEVELsoulevel.com.br
Crase: Condições (Preposição "a" (regência), Artigo "a" (substantivo feminino)); "Chegou a primavera!" (Sujeito, Sem preposição, Sem crase); "Cheguei à primavera." (Objeto indireto, Preposição + artigo, Com crase)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. O acento grave em “à primavera” revela que o termo exerce função sintática diferente da que exerce em “a primavera”. Na primeira frase, “a primavera” é sujeito; na segunda, é objeto indireto (ou adjunto adverbial de lugar) regido pela preposição “a”. A crase é a marca dessa mudança de papel sintático.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. A crase não tem relação com grau de formalidade. O uso do acento grave é determinado por fatores gramaticais (regência + artigo), não por registro de linguagem. A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de formalidade, que não está no texto nem na regra.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. O fato de “primavera” ser um substantivo feminino é uma condição necessária, mas não suficiente para a crase. A crase só ocorre se houver a preposição “a” exigida pela regência. Em “Chegou a primavera!”, o substantivo é feminino, mas não há preposição, logo não há crase. A alternativa restringe indevidamente a explicação ao gênero do substantivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Ela afirma que a crase ocorre por “necessidades semânticas, apesar da semelhança sintática”. Na verdade, é o contrário: a diferença é sintática (função de sujeito vs. termo regido por preposição), e a crase é consequência dessa diferença. A alternativa contradiz o que o texto e a gramática mostram.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. A crase altera a interpretação das orações, mas a ausência dela não impossibilitaria a compreensão. Em “Cheguei a primavera” (sem crase), ainda seria possível entender a mensagem, embora gramaticalmente incorreto. A alternativa exagera ao afirmar que a ausência impossibilitaria a compreensão — isso é uma extrapolação.

Conclusão

A questão cobra a relação entre crase e função sintática. A alternativa A é a única que identifica corretamente que o acento grave marca a mudança de papel sintático do termo “a primavera”. As demais ou extrapolam (B, E), restringem (C) ou contradizem (D) o que o texto e a gramática estabelecem.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar questões de crase, pergunte-se sempre: há preposição exigida pela regência? Se sim, e o termo seguinte for feminino e admitir artigo, haverá crase. A crase é um fenômeno sintático-semântico, mas a função sintática é o que decide.

Gabarito: letra A.

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